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Pandemia acentua alta de violência doméstica; parte das mulheres encontra dificuldade em realizar denúncias, diz advogada

FALHAS A advogada Rosana Pieurecetti diz que parte das mulheres vítimas de violência necessita do atendimento presencial. (Foto: arquivo)
FALHAS A advogada Rosana Pieurecetti diz que parte das mulheres vítimas de violência necessita do atendimento presencial. (Foto: arquivo)

Elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, um estudo sobre a violência doméstica durante a pandemia da Covid-19 mostrou que somente no estado de São Paulo os chamados para a Polícia Militar para denunciar casos do tipo aumentaram em 44,9%. Em Mogi das Cruzes, a presidente da ONG Recomeçar, a advogada Rosana Pierucetti, diz que as mulheres têm encontrado dificuldades em fazer as denúncias e que um Centro de Referência seria o ideal para a cidade.

“Nós temos que garantir que as vítimas cheguem aos lugares e tenham o atendimento que precisam. É possível fazer o boletim de ocorrência online, mas isso é para aquelas que já têm uma certa afinidade com as tecnologias, mas algumas não sabem mexer em um celular ou computador. Além disso, muitas vezes uma das primeiras coisas que o agressor tira da mulher é a comunicação com amigos e família. Então, elas precisam ir a um lugar que sejam efetivamente atendidas”, ressalta.

Em muitas ocasiões a vítima consegue sair de casa por um breve momento e não tem uma nova oportunidade. Por isso, não é possível tentar fazer a denúncia por mais de uma vez. Além disso, em alguns casos ela precisa recorrer a diferentes serviços, como a delegacia, uma unidade de saúde e a Defensoria Pública. Tendo um Centro de Referência, todas as questões poderiam ser resolvidas em um único lugar, além de direcionar corretamente essas mulheres que muitas vezes não sabem a quem ou ao o que recorrer.

Pensando nessa orientação, a ONG Recomeçar – que desde 2014 acolhe mulheres em situação de ameaça ou risco de morte em razão da violência doméstica ou familiar – disponibilizou um telefone de plantão para atender possíveis vítimas durante o isolamento social. O número é o 99948-3695 e pode ser também acionado pelo WhatsApp.

“Os casos de violência têm aumentado, mas não porque estão surgindo novos agressores. O que acontece é que os casos estão se agravando porque as pessoas estão passando mais tempo juntas em casa, mas a situação já existia. As crianças sem ir para a escola também dificultam as denúncias presenciais, porque muitas vezes a mulher não pode sair com elas e ficam com medo de deixá-las sozinhas com companheiro”, explica a presidente.

No mês passado, o Conselho Nacional de Justiça e a Associação dos Magistrados Brasileiros lançaram a campanha Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica, onde as mulheres mostram um X vermelho desenhado na palma da mão enquanto estiverem em uma farmácia para que o atendente possa a ajudar em uma denúncia. Na Câmara Municipal, o vereador Iduigues Martins (PT) pediu que o projeto seja amplamente divulgado na mídia pela Prefeitura.

Já o vereador Sadao Sakai (PR) tem um projeto que visa impedir que candidatos com histórico de agressões contra a mulher e os filhos fiquem foram dos concursos públicos realizados em Mogi. Rosana afirma que todas essas ajudas são importantes, mas lembra que os parlamentares devem continuar ajudando na luta para a implantação de um Centro de Referência e de um acolhimento não sigiloso na cidade.


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