EDITORIAL

Parque Morumbi

Há uma década, bairro cobra a despoluição das nascentes

O passado seria convenientemente esquecido, não fosse a obstinação de moradores e lideranças da Associação de Moradores do Parque Morumbi em cobrar responsabilidades e respostas para a denúncia feita há uma década sobre a poluição das nascentes que encorpoam os lagos existentes naquele bairro.

Desde as primeiras denúncias, que resultaram em uma ação no Ministério Público e em algumas multas aplicadas pela Companhia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo, a Cetesb, contra a Prefeitura, os diferentes gestores do poder Executivo não trataram o assunto com o cuidado e urgência exigidos. Essa é uma situação que merece ser definitivamente resolvida.

As multas foram aplicadas nos primeiros anos, depois, a renovação de promessas foi aceita pela Cetesb e o dano ambiental continuou sendo praticado impunemente.

Houve uma indesculpável demora na obtenção da autorização necessária para o uso de um recurso de R$ 7,6 milhões, obtido junto ao Ministério da Cidades, hoje Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, para a despoluição deste manancial.

Em 2016, a Prefeitura recebeu o aval positivo para fazer a obra que irá livrar das impurezas o curso d’água que encorpa o Córrego Ipiranga, e depois, o Rio Tietê. Apenas depois de três anos, a administração municipal conseguiu a autorização.Na sexta-feira, o Semae anunciou que irá licitar a obra.

Se a mais nova promessa da Prefeitura em solucionar o problema for cumprida, mais alguns meses serão necessários para se atender ao que o Ministério Público considerou como irregular em 2010: o despejo de poluentes nas nascentes do Parque Morumbi, um bairro localizado em uma das zonas consideradas fundamentais para a preservação da fauna e flora do ecossistema das serras do Itapeti e do Mar.

A região ribeirinha do complexo de nascentes da Bacia Hidrográfica do Rio Tietê conecta os corredores verdes entre as duas serras e garantem a sobrevida de espécies ameaçadas de extinção que migram entre elas em busca de alimentos e caça.

O problema do Parque Morumbi, na última década, foi um só; o descaso das autoridades municipais em caminhar ao lado dos moradores e abraçar a causa daquela comunidade. Isso fica ainda mais flagrante quando se sabe que o mais dificil, o dinheiro, foi liberado e três anos foram perdidos para a burocracia. Assim como faltou empenho para vencer a burocracia, sobretudo nesses últimos três anos, o poder público municipal também ficou devendo um diálogo franco e solidário com a comunidade do bairro.