SIGNIFICADO

Páscoa simboliza renovação e reflexão

Gabriel Brinberg fala da Páscoa judaica e Pai Charles de Oxóssi pede respeito na data. (Foto: divulgação)
Gabriel Brinberg fala da Páscoa judaica e Pai Charles de Oxóssi pede respeito na data. (Foto: divulgação)

Considerada uma das datas comemorativas mais importantes do mundo, a Páscoa, celebrada neste domingo, carrega grande importância religiosa e possui diversos significados, que variam de acordo com cada crença. Apesar das diferentes interpretações, todas elas são símbolos de renovação e passagem. A religião cristã celebra a ressurreição de Cristo e simboliza renovação. Os judeus comemoram a libertação dos hebreus da escravidão no Egito.  Na umbanda, significa renascimento e é um momento para refletir sobre o amor ao próximo.

O padre Luciano Vieira, da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, localizada no bairro do Mogi Moderno, recorda a história. “Etimologicamente, o termo Páscoa se originou a partir do latim Pascha, que por sua vez, deriva do hebraico Pessach / Pesach, e significa “a passagem”. Originalmente é uma comemoração de tradição judaica, que relembra a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito. Para nós cristãos possui significado diferente. Nós celebramos o Mistério Pascal de Cristo, que acontece durante a Semana Santa, onde celebramos a paixão, a morte e a ressurreição de Cristo.”

O pároco reitera que a Páscoa é uma das principais comemorações da tradição cristã, porque evidencia a importância na crença da ressurreição de Cristo. Ele também afirma que o dia da festa católica foi estabelecido por decreto no Primeiro Concílio de Niceia, e deve ser celebrada sempre ao domingo após a primeira lua cheia do equinócio da primavera (no Hemisfério Norte) e outono (no Hemisfério Sul). Sempre entre os dias 22 de março e 25 de abril.

Para a ‘Família da Piedade’, diz o padre Luciano, a data é motivo de comemoração por marcar o segundo ano de elevação à paróquia. “Temos muito que comemorar e agradecer a Deus, por muitas graças recebidas e pelas belas experiências que ele nos proporciona a cada dia nesta paróquia”, argumenta.

Diferente da católica, a páscoa judaica, ou Pessach, é celebrada por sete dias pelos judeus. Ela se inicia no 15º dia do mês hebraico de Nissan (entre abril e maio), na lua cheia. Gabriel Grinberg, presidente da Sinagoga de Mogi, destaca a relevância dessa data para os hebreus. “Ela nos força a relembrar as dificuldades de nossos ancestrais para que hoje possamos estar aqui livres para escolher seguir as divinas palavras de Moisés (o profeta mais importante do judaísmo) através do livre arbítrio.”

Gabriel explica que no primeiro dia do período é realizado um ritual chamado Seder de Pessach ou A Ordem de Páscoa, que remete a fatos ocorridos há mais de três mil anos. Ele afirma que a data é repleta de significados. “Cada alimento e cada benção nos dá a capacidade da autocura. A Matzá, por exemplo, conhecido como o pão ázimo é produzido seguindo uma rigorosa legislação que proíbe qualquer espécie de fermentação. Comemos também outros alimentos como a compota de maçã, que representa a argamassa que era usada para fazer os tijolos no Egito, a erva amarga molhada na água salgada que lembra as lágrimas derramadas pela escravidão entre vários outros.”

Essa é uma das poucas épocas do ano que as sinagogas costumam abrir para receber a todos que queiram participar na mesa. O presidente do templo diz que esse ano a comunidade de Mogi vai participar do primeiro “Seder de Pessach” junto com a comunidade da Congregação Israelita Paulista (CIP) em São Paulo. Depois, o mesmo evento ocorre em Mogi, com os membros juntos de suas famílias. “Isso porque fora da Terra de Israel o Seder de Pessach deve ser realizado duas vezes”, complementa o dirigente.

Os umbandistas também reconhecem a Páscoa, porém com algumas diferenças, segundo Charles de Paiva, conhecido como Pai Charles de Oxóssi, representante há 17 anos da Comunidade Umbanda São Sebastião, no Botujuru. “Nossa religião e fundada nos pilares católicos, mas entendemos que Oxalá (sincretizado na umbanda como Cristo) não foi crucificado”, alega.

Para a umbanda, esse é um período de resguardo onde ocorrem tentações, mas que também pode ser utilizado para reflexão. “A Páscoa é uma forma de mudança, reconstrução de ideias e comportamentos que, às vezes, é desviado pelo mundo que vivemos com tanta violência. A data nos ensina que a vida se renova e é uma nova oportunidade de fazer o bem e mostrar que somo pessoas melhores”, afirma Charles

Essa data especial é uma oportunidade para que cada pessoa se transforme e uma oportunidade para gerar tolerância e empatia, como reitera Charles de Paiva. “Ao entendermos que independente da religião, o respeito é fundamental, nós evoluímos. Quando se desconsidera o valor de crenças divergentes, aumentam as inimizades, por isso, nesta Páscoa, o mais importante é o respeito”, conclui.


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