EDITORIAL

Passivo complicado

Não são satisfatórias as respostas do poder público para uma situação tornada pública pela professora Valéria de Mello Freire, sobre a água acumulada na região das ruas Conceição Malozze, Navajas e Major Pinheiro Franco, no Shangai.

Em nossa edição de domingo, mostramos a indignação da professora com a falta de solução para o despejo da água retirada do lençol freático.

O problema é conhecido: nas proximidades de prédios da região central, a água retirada do lençol freático é jogada nas ruas e, por falta de bocas de lobo, acaba ficando empoçada em alguns pontos, provocando desconforto e preocupações como a atração de insetos e mosquitos.

A partir deste ano, prédios construídos em Mogi das Cruzes, determina o novo Código de Obras, terão de apresentar uma solução adequada para o uso da água do lençol freático, que não é potável, mas pode servir para a limpeza doméstica. Soluções de engenharia existem para isso.

Mas, e o passivo do passado? Ao repórter Heitor Herruso, o secretário municipal de Planejamento e Urbanismo afirma que a “Prefeitura e a sociedade têm que unir esforços para ações sustentáveis aproveitando os sistemas hidráulicos de cada prédio”.

Então, é de se esperar que reclamações como a dos moradores do Shangai sejam ouvidas. Um desvio feito, não se sabe por quem, na sarjeta naquele trecho, seria o primeiro passo para minimizar o problema.

O lençol freático é formado por água da chuva que ocupa as falhas e as fendas de rocha existentes no solo. Parece uma água limpa, mas não é. E Mogi das Cruzes, principalmente na região central e em bairros como o Mogilar, o lençol freático é encontrado a poucos metros do solo.

A atenção a um detalhe construtivo básico, para quem planeja erguer qualquer edificação, precisa ser melhor considerado por construtores e pelo poder público – que autoriza as edificações, como os grandes prédios. Bom o Código de Obras possuir, agora, um instrumento legal para ampliar a cobrança pelo uso desse recurso hídrico.

O futuro poderá ser melhor. E o presente exige atenção da Prefeitura e da sociedade organizada. O construtor Jurandir Bianchi alerta para um fato que expõe quanto esse assunto depende do governo municipal: as deficiências da drenagem na região central. São poucas bocas de lobo, em vários trechos de Mogi.

Da revisão desse sistema, depende o escoamento das águas fluviais. Bastam alguns minutos de chuva para muitas, muitas ruas e avenidas ficarem alagadas. O crescimento urbano de Mogi exige sanar uma desatenção do passado que penaliza hoje o cidadão, em dias que nem precisam ser de chuva.