TEATRO

‘Passos da Paixão’ se inspira em sertões

Priscila Klessi, Frida Bragadin, Igor Santos e Filipi Lima fazem parte da produção e do elenco da peça, que apresenta a morte e ressurreição de Cristo e costuma atrair um grande público. (Foto: divulgação)
A 20ª edição da peça, que recria a histórica bíblica, será encenada pela Associação Cultural Opereta e a Cia. Teatro Roda Mundo, no próximo dia 19, na Praça de Eventos de Poá. (Foto: divulgação)

Contar a história de Jesus Cristo, bem como sua morte e ressurreição é a missão da peça ‘Passos da Paixão’, cuja 20ª edição será encenada na próxima sexta-feira (19), na Praça de Eventos de Poá. Para manter o texto atual, o time de organizadores, composto pela Associação Cultural Opereta e a Cia. Teatro Roda Mundo, apoiou-se no tema “sertões”, construindo um texto não somente sobre regiões agrestes, mas também sobre periferias e desigualdades sociais.

O tema deste ano é mais complexo que o visto em 2018, quando a montagem falou de “juventude e esperança”. No entanto, o roteiro segue sendo de fácil compreensão. “Falamos do povo brasileiro, e a partir disso abordamos os sertões, que não é o sertão geográfico, e sim o que está em nós, em todo lugar”, afirma Filipi Ferreira Lima, que participa da produção do evento desde 2004.

Mas em que baseia-se a montagem então? A diretora de elenco, Priscila Kléssi, explica: “Discutimos o que está distante do centro, longe da riqueza, onde está o povo de verdade”. Filipi completa mostrando que não só os diálogos, mas também o figurino e as músicas remetem à “comunidades, favelas, palafitas, lugares mais escondidos, em que as pessoas não desistem da batalha”.

Ou seja, ‘Passos da Paixão’, neste 2019, ousa em recriar a história bíblica com toques de modernidade, modificando alguns conceitos, como a imagem de Cristo, que não aparecerá “branco de olhos verdes e barba”. “Uma das nossas inspirações foi o livro ‘Povo Brasileiro’, de Darcy Ribeiro. E como o processo de criação é livre, qualquer pessoa pode participar da peça, o que gera diversidade de papéis, com mulheres interpretando soldados, por exemplo”.

No entanto, as novidades não são restritas à apresentação em si. Há também mudanças na estrutura, que ganhou mais um palco, ficando um total de três, interligados por pontes, nas quais os atores circularão. “A história inicial será contada em todos os ambientes, e a parte final, com a ressurreição, será uma surpresa. O que posso adiantar é que a caminhada em meio ao público continua, afinal essa é nossa identidade”.

Priscila Klessi, Frida Bragadin, Igor Santos e Filipi Lima fazem parte da produção e do elenco da peça, que apresenta a morte e ressurreição de Cristo e costuma atrair um grande público. (Foto: Eisner Soares)

Essa caminhada, o momento que antecede a crucificação de Cristo, é o clímax da peça. É quando o povo se emociona, chora e tenta salvar o personagem principal. E é também onde está o maior o desafio de todo o evento: o improviso.

“Já fui soldado, e nesse papel é preciso falar com agressão, para causar espanto. Tem gente que tenta participar da cena, e é nosso papel gritar como se estivéssemos naquela época”, diz o ator Igor Santos, que agora interpreta Pilatos, governador conhecido por ter condenado Jesus à morte.

Ao todo, o espetáculo dura cerca de duas horas e envolve cerca de 140 pessoas entre atores e comissão técnica responsável pelo figurino, cenografia, iluminação, fotografia, maquiagem, sonorização e música, que será feita ao vivo. Para dar tempo de organizar toda a equipe e os materiais – que pesam mais duas toneladas -, a produção teve início em junho do ano passado, e os ensaios começaram em janeiro último.

Para a edição comemorativa de 20 anos, houve a preocupação em oferecer, pela primeira vez, audiodescrição e também tradução em Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) para inclusão de pessoas com deficiência visual e auditiva. Além disso, a agenda permanece integrando o Calendário Turístico do Estado de São Paulo, e a expectativa de público é de 10 mil pessoas.

A Praça de Eventos de Poá está localizada à Avenida Antônio Massa, 150, na área central da cidade e contará com parque de diversões, praça de alimentação e exposição sobre os 20 anos de ‘Passos da Paixão’. A peça tem classificação livre e é gratuita.


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