ATRÁS DAS GRADES

Pastor é preso sob suspeita de mandar matar ex-nora e jogar corpo no Taboão, em Mogi

Pastor foi visto com a vítima em posto de combustíveis antes do crime. (Foto: Henrique Campos)
Pastor foi visto com a vítima em posto de combustíveis antes do crime. (Foto: Henrique Campos)

“Não matei ninguém”, afirmou na tarde de ontem o pastor Adir Neto Teodoro, de 58 anos, da igreja Assembleia de Deus, no Distrito de Belém, na Capital, durante coletiva à imprensa na sede da Seccional, no Bairro do Shangai, concedida pelos delegados Rubens José Angelo (titular do Setor de Homicídios) e Jair Barbosa Ortiz, seccional de Mogi e Região do Alto Tietê.

O evangélico foi apontado durante as investigações com um dos dois participantes do assassinato de sua nora, Mirele Peixoto Souza, de 22 anos. Ela foi encontrada morta com dois tiros na cabeça, um deles na nuca, num matagal à margem da Rodovia Ayrton Senna, no Bairro do Taboão, perto do Centro de Detenção Provisória.

O assassinato foi esclarecido pelo delegado Rubens Angelo e os seus policiais, coordenados pelo investigador chefe Marco Antônio da Silva. A equipe obteve uma filmagem que mostra o pastor Adir e a sua nora Mirele no estacionamento de um restaurante à beira da Rodovia Ayrton Senna pouco antes de a jovem ser executada. “Durante vários dias ouvimos os familiares, testemunhas e obtivemos depoimentos e coletamos provas, além da filmagem, que colocam Adir no local do crime. Sabemos que ele não atirou em Mirele, pois contou com outro cúmplice, ninguém da família, mas no momento não podemos divulgar a sua identidade, uma vez que as investigações ainda estão em andamento”.

O seccional Jair Ortiz classificou o crime como hediondo e ressaltou que “não é possível darmos detalhes técnicos para não atrapalharmos a apuração”.

A causa do assassinato é uma incógnita e nem mesmo o pastor Adir, pai de três filhos, um deles agora viúvo de Mirele. Ela deixou uma filha, de 6 meses. “Mirele estava separada do marido, mas não oficialmente, apenas de ‘corpus’, confirmou um policial a O Diário. Também contou que a casa do pastor Adir foi cercada em Suzano pela Polícia Civil e ele não teve condições de reagir ou fugir.

O delegado José Rubens afirmou que o acusado foi indiciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio que impossibilitou a defesa da vítima e feminicídio). A pedido da autoridade, a Justiça concedeu a prisão temporária do pastor, porém ao concluir o inquérito, Rubens Angelo vai solicitar a sua prisão preventiva.

Ao falar sobre o assassinato cometido com crueldade contra a jovem Mirele, o seccional Jair Ortiz aproveitou o momento da coletiva para frisar que “não se pode dizer que Adir tinha alguma relação com Mirele, nem sexual, nada se confirmou ainda nas investigações”. O chefe da Polícia Civil concluiu que “o trabalho realizado pelo Setor de Homicídios tem atingido 100% de crimes elucidados em toda a Região”.

Pastor diz pregar a paz na igreja
Acostumado a falar para a platéia durante os seus cultos na igreja Assembélia de Deus, em São Paulo, Adir Neto Teodoro, de 58 anos, se mostrou indiferente diante da imprensa, na tarde de ontem, onde foi colocado no refeitório da Delegacia Seccional para responder as perguntas dos jornalistas. “Ele explicou que em num momento brigou com a nora Mirele (Peixoto Souza) e não tinha nada contra ela”, declarou.

Garantiu que “de forma alguma matei alguém, pelo contrário, nos cultos sempre empreguei a palavra de Deus, não matar. Eu ensino a paz”.

Algemado, Adir Neto só se exaltou quando lhe foi perguntado sobre o que fazia com Mirele, no estacionamento de um restaurante, na Rodovia Ayrton Senna, no dia 15 de janeiro último, antes de ela ser executada. “Tenho o direito de ficar calado em silêncio, não falo mais com a imprensa”, encerrou o acusado.