CADERNO A

Paulo Betzler lança disco em show online com a participação de 8 cantoras mogianas

MELODIA Paulo Betzler apresenta músicas dinâmicas que falam sobre espiritualidade em ritmos que remetem ao universo da percussão, violão e bar. (Foto: divulgação)

Oito cantoras da cidade emprestam suas vozes para o novo disco do também mogiano Paulo Betzler, ‘Tem Mais Céu do Que Terra’, que será lançado nesta quinta-feira, às 20 horas, via Facebook. Antes da pandemia, o show de estreia do trabalho estava previsto para acontecer em maio, mais precisamente no Dia das Mães, no Teatro Vasques, mas como não foi possível, o percussionista readaptou toda a agenda para o formato online, com cada artista em sua respectiva casa.

A estratégia para que Aline Chiaradia, Amanda Araújo, Bia Mello, Carol Ferraz, Lívia Barros, Sabrina Pacca, Sandra Vianna e Valéria Custódio possam participar, contribuindo para a experiência ao vivo do CD, é o uso de playbacks para as melodias, o que inclui a percussão do próprio Betzler, o contrabaixo de Milton Mor, a guitarra de Nelson Mortol e a bateria de Pedro Cirilo.

Além das oito convidadas, haverá também a participação especial de três músicos que aparecem como parceiros de composição: Dani Dias em ‘Fulô de Mainha’, Enio Lobo em ‘A Água’ e Evandro dos Reis em ‘Luz da Nega’.

Toda a dinâmica será explicada no início da noite por Betzler, que é o autor de todas as letras do trabalho. Ele adianta que foi preciso fazer uma “adaptação” em relação ao formato da apresentação, já que antes estava previsto o uso de um palco com luz, cenário e tudo o mais que um teatro como o Vasques permite.

“Começarei fazendo uma introdução, falando do universo do disco, e depois convido, na ordem do CD, as cantoras para interpretar cada uma das músicas”, afirma o percussionista e educador musical que começou a gravar as faixas ainda em 2019, ao ser contemplado no edital do Estúdio Municipal de Áudio e Música (Emam).

As letras são acompanhadas de sonoridades diferentes, resultando, como define seu autor, um “disco aberto aos ouvintes”. Aberta é também a mensagem principal de ‘Tem Mais Céu do Que Terra’, que, entre outros assuntos, fala de espiritualidade e respeito ao próximo.

“As letras giram em torno da forma como eu sinto e vejo minha espiritualidade”, define Betzler, que diz não ter uma religião específica. Justamente por isso as canções falam de diferentes experiências, como a já citada ‘Luz da Nega’ e a passagem do artista por “terreiros de Umbanda e Candomblé”, acompanhado de uma tia, aos 8 anos. A título de curiosidade, foram estes momentos que proporcionaram o primeiro contato dele com a percussão.

Para explicar o funcionamento do álbum, Betzler cita outra faixa, ‘Ser Mulher’, que dedica à companheira Denise Evangelista, com quem está junto há uma década. “Escrevi essa letra depois de uma conversa com ela, que trabalhava num abrigo que recolhia mulheres que sofriam violência doméstica e trazia histórias pesadas e emocionantes para casa”.

Essa é a única música que conta com o vocal de todas as oito mulheres anteriormente citadas. E a relação do trabalho com a figura feminina não para por aí. Por quê Paulo Betzler, que já produziu dezenas de discos e também lançou um (‘Cacuriando’ – Cia. Batucaê, de 2012) agora convidou mulheres para interpretarem suas letras?

“Fui criado num ambiente de mulheres, pela minha avó e por duas tias que eram sempre muito presentes, então sempre tive o universo feminino muito presente na minha vida”, justifica ele, que considera essa experiência como “muito importante” para a própria construção “enquanto ser humano”.

O lado humano do percussionista, aliás, fica evidente na canção ‘No Meu Jeito’, cujas rimas abordam a importância de respeitar diferenças e diversidades, ensinamentos que aprendeu com as mulheres de sua vida.

Trazer então vozes femininas é o que o “representa de forma genuína” em ‘Tem Mais Céu do Que Terra’, além de ser uma homenagem à cantoras com as quais Betzler já trabalhou em algum momento, seja na noite mogiana ou na produção dentro de um estúdio.

Falando na noite mogiana, é exatamente assim que ele define o novo trabalho, que estará disponível nas plataformas digitais a partir de quinta-feira: “Músicas com sonoridade característica do universo da percussão, violão e bar”. Em outras palavras, é tudo muito leve, assim como sugere a música-título, que encara a morte não como algo trágico, mas como a oportunidade de continuar. “A vida segue de outra forma, de outro aspecto, para que a gente continue na caminhada”, conclui o artista.

Toda a arte que envolve um CD

Paulo Betzler procura valorizar não só os talentos musicais envolvidos num álbum, mas também outros profissionais cujos toques influenciam – e muito – as obras. Ele tem feito isso com trabalhos de outros artistas na série de ‘lives’ ‘Histórias da Música Mogiana’, que publica nas redes sociais. No caso de ‘Tem Mais Céu do Que Terra’ ele faz questão de dizer que estas pessoas são a fotógrafa Lethicia Galo e o desenhista Danilo Scarpa.

Antes, estes nomes teriam alguma participação no lançamento presencial do disco, mas agora, em formato online, foi preciso reescrever o roteiro. A homenagem a eles continua, sobretudo na introdução, pelas palavras de Betzler, que explica que para entender de maneira completa o conceito do CD é preciso compreender sua parte gráfica, que aliás poderá ser conferida em mídia física quando o novo coronavírus não for mais uma ameaça.

“Foi difícil pensar numa imagem que ilustrasse o tema do CD sem cair no senso comum de uma foto do céu azul ou de um planeta, mas a Lethicia Galo fez uma série de fotos que junto da arte gráfica do Danilo Scarpa conseguiu traduzir perfeitamente a ideia”, conta.

A “terra”, na capa, tem o formato de um feto, o que surgiu “de maneira completamente casual”. “Eu estava vendo as fotos e me deparei com essa, que simboliza o renascimento da própria espiritualidade, da terra para o azul, como na música ‘Renascer’, cantada por Bia Mello, que escrevi em homenagem a meus filhos”.

Para explicar em mais detalhes esta e as demais nuances do disco, Betzler revela estar ansioso. “É diferente fazer o lançamento de um disco online, talvez seja o primeiro nesse sentido”, encerra ele, que não descarta, para o futuro, um show presencial, talvez em 2021, quando, acredita, haverá “menos restrições”.


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