POLÊMICA

Pedágio: Comissão de vereadores mogianos cobra a Artesp e critica Doria

ALVO Grupo se mobiliza contra cobrança de pedágio na Mogi-Dutra. (Foto: arquivo)

A nova Comissão Especial de Vereadores (CEV), criada formalmente ontem na Câmara para buscar alternativas que possam impedir a instalação de uma praça de pedágio no km 45 da rodovia Mogi-Dutra, pretende cobrar uma resposta definitiva da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) sobre essa questão, a fim de avaliar se existe alguma forma de ingresso com recurso jurídico e impedir a execução da proposta. O assunto provocou muitas manifestações na sessão desta quarta-feira. Os parlamentares não pouparam críticas ao governador João Doria (PSDB) e chegaram a cogitar a possibilidade de fechar a estrada caso a ideia seja levada adiante.

Segundo o presidente da CEV, vereador Mauro Araújo (MDB), a primeira medida será solicitar documentos, agendar reuniões, cobrar uma posição oficial e entender o motivo pelo qual a Artesp pretende construir uma praça de pedágio na principal via de acesso à cidade, mesmo sabendo dos impactos que a medida causará não apenas aos cerca de 30 mil moradores que residem em bairros próximos à Serra do Itapeti, como também à economia do município.

Apesar de o prefeito Marcus Melo (PSDB) já ter se manifestado oficialmente contrário, Araújo também quer saber se a audiência pública para apresentação do projeto realizada em outubro de 2019 foi feita sem o consentimento o Município, “o que já seria um motivo para entrar com recurso contra a Artesp”.

Os vereadores criticaram o governador por ter se esquivado de assumir uma posição durante encontro com Melo, na semana passada, ao dizer que a Artesp tem autonomia para tomar essa decisão. “Mesmo depois dos vários apelos de lideranças políticas locais, fomos surpreendido com aquela lavada de mão do governador. Acho que ele pretende dar um passa moleque em todos nós”, disse Araújo.

Diego Martins (MDB) reclama que o governador, mesmo tendo sido o mais votado em Mogi, “não respeita os deputados, inclusive o federal Marco Bertaiolli (PSD), que disse que essa ideia nasceu morta”. Rodrigo Valverde (PT) criticou o fato de Doria não ter recebido sequer as autoridades do PSDB local para audiência e disse que o Estado quer privatizar para beneficiar a iniciativa privada. Caio Cunha (PV) cobra posição mais efetiva por parte da prefeitura e acha que a cidade vai perder investimentos.

Para fechar o debate, Antonio Lino (PSD) sugeriu o fechamento da Mogi-Dutra para chamar atenção. “Se a gente parar o trânsito, o governador vai ter que vir até aqui e aí sim ele vai escutar a gente. Também quero ver ele mandar a Polícia enfrentar e bater nos vereadores”.

Marcus Melo também voltou a afirmar que nada justifica a implantação de pedágio na rodovia Mogi-Dutra e que a cidade não pode pagar a conta por um projeto que prevê melhorias em estradas de outras regiões. Ele afirma ainda que já demonstrou posicionamento contrário ao governador e ao seu vice Rodrigo Garcia, assim como ao secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi.

Segurança

Na manhã de ontem, os vereadores se reuniram com o delegado seccional Jair Barbosa Ortiz para falar sobre problemas de segurança pública no município nessa área e apresentou dados que chamaram atenção dos parlamentares ao dizer que a cidade perdeu 64% do seu efetivo em apenas um ano e meio. Ele disse que quando assumiu, havia 900 homens e mulheres nos oito municípios que a Seccional abrange e, hoje, são 580. Observou ainda que mais de 50% também estão na faixa etária acima de 50 anos e prestes a se aposentar.

O vereador Diego, presente no encontro, disse que foram abordadas outras questões de interesse da segurança pública, em relação ao trabalho da Polícia Civil, como a demora no registro de boletins de ocorrência e deficit de viaturas. Ele contou que essa é a primeira de outras reuniões que serão realizadas para tentar reverter esse quadro.


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