EDITORIAL

Pedágio Não

Alguma comunidade de Mogi das Cruzes ou Arujá poderá ser surpreendida, em breve, com o lançamento do pacote de concessão das estradas litorâneas, preparado pelo Governo do Estado e a descoberta que vai ganhar um pedágio na vizinhança.

As notícias sobre o avanço da contagem dos carros que passam por Mogi das Cruzes a caminho da praia confirmam o que dissemos, neste mesmo espaço, pouco antes do início deste ano. Não oficialmente, o movimento Pedágio Nãos obteve informações sobre a mudança de endereço de uma nova praça de cobrança para algum outro ponto da rodovia Mogi-Dutra. Inicialmente, a ideia era que o equipamento funcionasse nas proximidades do acesso aos condomínios Aruã.

O entendimento sobre quanto o pedágio será prejudicial em qualquer lugar de Mogi das Cruzes, parece ainda não ter sido bem assimilado pelos representantes dos poderes Executivo e Legislativo, que têm o dever e a obrigação por ofício de defender os interesses da população mogiana.

Em nossa edição de sexta-feira mostramos que enquanto a cidade cuidava da prevenção do novo coronavírus, o Governo do Estado seguiu firme nos planos para a cobrança do pedágio em Mogi.

Em qualquer ponto escolhido pela Artesp (Agência de Transportes do Estado de São Paulo), o pedágio acarretará prejuízos financeiros que não serão compensados – pelo menos, pelo que se sabe até agora – com o retorno em obras e investimentos na malha viária local.

Esse é o mantra dos integrantes do movimento Pedágio Não que precisa ganhar o apoio da opinião pública e dos políticos, o mais breve possível. Um pedágio provoca impactos sociais e econômicos na vizinhança de onde ele for colocado. E o tamanho desse efeito precisa ser medido antes da aprovação e da instalação da praça de cobrança. O município precisa exigir uma equilibrada e focada no longo prazo.

A concessão das rodovias do litoral paulista vai sair do papel. Se não agora por causa da pandemia, no futuro próximo.

Esses estudos feitos em plena pandemia nascem tortos. A contagem da Artesp levanta suspeita porque a rotina do tráfego atual não condiz com a realidade.

Na quarentena, o total de carros nas estradas foi alterado pelas consequências comerciais e sociais do isolamento. De saída, essa conta será reprovada pela cidade.

Faz muito bem, o movimento Pedágio Não, de ficar de olho nesse projeto que é inviável tecnicamente para a Mogi-Dutra ou algum outro canto menos visível.


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