Pedofilia e redes sociais

O caso de pedofilia registrado Mogi das Cruzes no final de semana deve servir de alerta para a Polícia, pais e responsáveis por crianças e adolescentes e a sociedade como um todo. É preciso reforçar as medidas de segurança contra pervertidos que usam as redes sociais e as mensagens do WhatsApp para aliciar e assediar menores de idade. O assédio sexual infantil cresce com a popularização da comunicação virtual e está levando pais a agirem por conta própria porque o poder público, por meios das delegacias e conselhos e órgãos protetivos, não respondem prontamente às denúncias e aos pedidos de ajuda de quem se vê desamparado diante de um psicopata que, muitas vezes, age impunemente durante anos.De acordo com o registro policial, os pais de uma garota, avisados por ela, conseguiram marcar um falso encontro com Anderson de Oliveira de Carvalho, de 28 anos, morador na zona sul de São Paulo, no Terminal Rodoviário Geraldo Scavone, em Mogi das Cruzes. No local, o homem foi espancado por populares após encontrar a vítima e tentar abraçá-la. Agredido, foi socorrido no hospital e liberado pela Polícia. O caso foi registrado como assédio e aliciamento, previsto no artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que possui pena de detenção de um a 4 anos. Ele pode ter a prisão decretada.
Após o primeiro contato, em 27 de março, os pais passaram a trocar mensagens com o pedófilo e chegaram a registrar a denúncia na Delegacia da Mulher de Mogi. O pai, sem uma imediata resposta, decidiu agir sozinho, o que é desaconselhável – mas, como questionar a decisão de um pai numa situação como essa? À TV Diário, a Delegacia da Mulher explicou que estavam sendo esperadas provas para uma atuação.
Esse caso deixa lições. A começar pela a importância do diálogo e do estabelecimento de uma relação de confiança dentro da família: na primeira mensagem suspeita, a filha avisou imediatamente os pais.
Vale como um grave alerta para a Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes. Denúncias de assédio sexual carecem ser consideradas como prioridade pela Polícia. Pedófilos costumam disparar mensagens aleatoriamente nas redes sociais, fazendo várias vítimas ao mesmo tempo. Não cabe demora nas investigações e apurações.
A outra pergunta que se faz é: funcionários e delegados estão sendo preparados para assistir as pessoas assediadas por um pedófilo? As vítimas desse caso responderão “não”. A burocracia instalada, o despreparo e o mau atendimento em delegacias são chagas que denigrem e desacreditam a instituição policial e, não raro, acabam estimulando as pessoas a agir por conta própria, o que não é aconselhável. Não há como prever a reação de um sujeito com distúrbios dessa natureza e a cultura do fazer a justiça com as próprias mãos é um retrocesso sem igual para toda a sociedade.


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