AVALIAÇÃO

Pela internet, a Festa do Divino de Mogi de 2020 chega aos devotos

FÉ Dom Pedro celebra a missa no Cemitério São Salvador, na madrugada desta segunda-feira. (Foto: Fábio Aguiar)

A realização da parte religiosa da Festa do Divino Espírito Santo sem público, por conta da crise mundial de saúde causada pelo novo coronavírus (Covid-19), traz mudanças significativas no tradicional evento que sempre foi marcado pela participação de milhares de devotos durante todos os 10 dias da programação. Mas o balanço das celebrações cumpridas desta forma, que tiveram início na última quinta-feira e prosseguem até domingo, é positivo na avaliação do bispo da Diocese de Mogi das Cruzes, dom Pedro Luiz Stringhini, que aposta na transformação da festa deste ano em uma “grande prece pelo fim da pandemia”.

O novo formato das atividades, apenas com a presença dos festeiros, capitães de mastro, do próprio líder da Igreja Católica no Alto Tietê, de um sacerdote diferente a cada noite convidado para celebrar as novenas e de alguns representantes da Associação Pró-Festa do Divino, sempre com transmissão pelas redes sociais, tem sido bem aceito pelos fiéis, até mesmo por aqueles com maior dificuldade de acesso à Internet, a exemplo dos idosos.

“Estamos conseguindo cumprir a programação religiosa com transmissão online e muitas pessoas nos acompanhando desta forma. Isso tem sido um grande aprendizado, tanto para os que trabalham na Igreja e fazem as celebrações, como para o povo. De fato, há pessoas mais idosas que não sabem operar estes instrumentos modernos, mas muitos conseguem com a ajuda dos mais jovens da família. Além disso, a Festa do Divino é sempre uma forte demonstração de fé do povo, que dela participa de forma simples e espontânea, mesmo do jeito que ela acontece neste ano devido à pandemia e aos cuidados que precisam ser feitos para evitar aglomerações e garantir o isolamento social”, explica o bispo.

Segundo ele, apesar da falta da presença dos devotos nas celebrações, o que o emocionou na abertura do evento, na noite da última quinta-feira, quando viu os bancos da Catedral de Santana totalmente vazios, a festa ganha um sentido ainda maior neste ano por causa da doença que já tirou a vida de mais de 22 mil brasileiros e infectou outros cerca de 365 mil. “Estamos vivendo um momento de muita preocupação e tristeza por aqueles que perderam seus familiares, por isso se faz ainda mais necessário levar a mensagem da presença e força de Deus para o povo”, destaca.

Sem a programação social e cultural da Festa do Divino deste ano, principalmente a quermesse, não haverá a arrecadação de recursos – parte dela destinada às entidades assistenciais responsáveis pela comercialização de alimentos nas barracas montadas todos os anos na área do Pró-Hiper, no Mogilar. “Esperamos que o prejuízo não seja grande e que aquilo que foi arrecadado durante os bingos realizados desde o ano passado possa ser suficiente para cobrir as pequenas despesas, como por exemplo, a decoração do altar na Catedral, entre outras deste porte. O que acontece é que não teremos as grandes entradas para atender às entidades, o que ocorre principalmente durante as noites da quermesse. Isso vai ficar mesmo para o próximo ano, quando se Deus quiser poderemos realizar a parte recreativa da festa, que gera esta arrecadação de recursos”, enfatiza dom Pedro.

Na programação desta terça-feira, a missa da novena do Divino Espírito Santo acontece às 19h30, na Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Sabaúna, celebrada pelo padre Jonatas Pereira Diniz, sem a presença do público. A transmissão online será pelo Facebook da Festa do Divino (https://www.facebook.com/festadodivinodemogidascruzes) e nas redes sociais da paróquia.

A missa no cemitério, tradição que se repete

O bispo diocesano de Mogi das Cruzes, dom Pedro Luis Stringhini, e o padre Diogo Shishito celebraram uma missa na capelinha existente no interior do Cemitário São Salvador, na fria madrugada de ontem, e cumpriram uma tradição antiga da alvorada, um cortejo de fiéis que se reúne às 5 horas da madrugada para celebrar mais um dia da Festa do Divino Espírito Santo.

A missa no cemitério é um momento de oração e reverência a todos os devotos e ex-festeiros já falecidos. Costuma ser acompanhada por milhares de pessoas. Ontem, não. Apenas festeiros Cícera Alecxandra e Mauro de Assis Margarido, os capitães do mastro, Roberta e Maurimar Batalha, os padres Marcos Sulivan, Sérgio Moraes e Marilson Thiago Fragoso, e os responsáveis pela transmissão da alvorada pela internet estavam no interior do São Salvador.

Neste ano, apenas três alvoradas foram programadas, porém, sem a presença das bandeiras vermelhas. A medida visa impedir a aglomeração de pessoas, em função da quarentena que previne a propagação do novo coronavírus.


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