CIRCUITO

Pela popularização do badminton

Agnes Yumi Noda. (Foto: Eisner Soares)

Mogiana residente no bairro do Itapeti, Agnes Yumi Noda é representante da quarta geração de japoneses no Brasil. Profissionalmente ela se dedica ao negócio da família, a produção de orquídeas, mas como voluntária se entrega ao badminton, modalidade esportiva que utiliza raquetes e petecas, pouco difundida no Brasil, mas que mostra força em Mogi, com atletas recebendo notoriedade em competições regionais, estaduais e nacionais. Adepta à prática deste jogo, Agnes atua como diretora do grupo Badminton Itapeti, pela associação cultural do bairro em que mora, e comenta o cenário deste esporte na cidade.

Como você começou a praticar badminton?

Sempre gostei de praticar esportes. Desde a adolescência eu jogava vôlei, depois comecei a praticar corrida, então sempre fiz e gostei de atividades físicas. Moro no bairro Itapeti, que é uma área rural, afastada do centro, e lá há uma associação que há uns 12 anos começou a desenvolver o badminton, num primeiro momento apenas para recreação. Em 2014, meu filho, Vinicius, na época com 10 anos, se interessou pelo esporte, porque os amigos dele já faziam, de maneira lúdica, e minha filha Isabella, então com 8 anos, quis praticar também. Passei assim a jogar com eles, até dois anos atrás, quando assumi o cargo de diretora deste esporte pela Associação Cultural Agrícola Itapeti e passei a me envolver mais em questões de planejamento e organização.

Então o badminton pode ser praticado em família?

O legal desta modalidade é justamente a possibilidade de ser praticada por toda a família e por qualquer pessoa, sem restrição de tipo físico, idade ou deficiência física e auditiva. É um esporte inclusivo, que pode ser praticado de maneira recreativa, para lazer, ou de maneira competitiva. Aliás no grupo Badminton Itapeti temos estes dois grupos, sendo que os que buscam participar de campeonatos costumam ser os mais jovens, que depois de um certo tempo querem se testar e buscam no desafio a motivação para continuar treinando.

Quantas pessoas são adeptas à modalidade no Itapeti?

A princípio o badminton era mais uma das modalidades disponíveis aos associados, assim como o atletismo, o futebol, o gateboll e outras. Mas hoje temos cerca de 60 praticantes, sendo a mais nova com seis anos e a mais velha na casa dos 70, ou seja, é um esporte para todos, um dos poucos em que pessoas de idades tão diferentes podem dividir a mesma quadra, seja em dupla ou jogando individualmente. Oferecemos treinos em cinco dias da semana, sendo que dois deles contam com um professor contratado para treinos específicos para quem precisa de uma intensidade maior, com foco com competições. Nos outros três dias as atividades também são para quem pensa em competir, mas também para quem pratica por lazer, com uma professora e educadora física voluntária japonesa, Saki Namatame, que veio a Mogi justamente para ensinar a modalidade.

Qual é seu trabalho como diretora?

Faço todo o planejamento de treinos e organização de material, por que não cobramos mensalidade das pessoas que praticam, então todas as despesas que temos são cobertas a partir de eventos, bingos e rifas que organizamos. Por enquanto a gente consegue atender dessa forma quem pratica, já que mesmo que haja pessoas de fora a maioria é do próprio bairro, que tem um clima de interior, de comunidade.

Vocês buscam mais praticantes?

Sim. Vejo que há muita gente que tem interesse em conhecer e participar, mas para isso precisamos de um local mais próximo do centro. Então esse é um projeto para o futuro, que aliás já estamos vendo, a partir de conversas com academias, por enquanto sem nada decidido. É um desejo que vem ganhando força nos últimos 10 meses quando recebemos a Saki, pois desde então registramos aumento na procura pelo badminton. Ela veio num programa de envio de voluntários para as comunidades nipo brasileiras, e vai ficar aqui por dois anos, ou seja, até 2020, com o objetivo de aumentar o número de atletas e melhorar a condição técnica dos que já competem.

Existem outras associações que promovem este esporte em Mogi?

Sim, nos bairros Cocuera e Pindorama há duas outras associações de descendentes de japoneses que desenvolvem trabalhos como o nosso. A professora que está conosco começou também a trabalhar com estes dois grupos, que tem entre 30 e 40 pessoas cada.

O que falta para que o badminton e outras modalidades sejam mais desenvolvidas em Mogi?

A intenção de todos que trabalham com isso é popularizar mais o esporte, mas falta apoio do poder público e do setor privado, além de engajamento de professores e voluntários. Quem quer fazer acontecer não pode ficar se queixando que o esporte não é muito conhecido sem se mexer para divulgá-lo.

E como funciona o badminton?

Criado na Índia, no século XIX, o badminton é considerado a mais rápida modalidades de raquetes, já que as petecas podem atingir a velocidade de 300 quilômetros por hora, e o segundo esporte mais praticado do mundo, pois é muito comum na Ásia, principalmente na China, onde é mais conhecido. O objetivo do jogo é fazer com que a peteca toque a quadra adversária, marcando um ponto no placar. As partidas são divididas em três sets de 21 pontos e em eventos oficiais são utilizadas petecas feitas com penas da asa esquerda de gansos, porque estes animais costumam dormir sobre as direitas, e para treinos são utilizadas petecas de nylon, principalmente pelo custo e pela durabilidade.

Quais são os benefícios para quem pratica?

Assim como todo esporte, o badminton traz benefícios na saúde física e mental, alivia o stress, promove a formação de novas amizades e auxilia na integração familiar, além de trabalhar a resistência física, a agilidade, a coordenação e a melhora de reflexos e tomada rápida de decisões.

Qual o custo para jogar?

Todo o material é importado, e o kit com seis petecas varia de R$ 80,00 à R$ 300,00. Já as raquetes, que pesam cerca de 80 gramas, podem ser adquiridas a partir de R$ 100,00, mas isso só para quem quiser ter os próprios itens, pois nós emprestamos as raquetes e todos os materiais, inclusive quatro quadras nas medidas oficiais e sem correntes de ar, que podem prejudicar o voo da peteca. Então a não ser que a pessoa queira competir não será necessário um investimento alto.

Como a cidade recebe o badminton?

O esporte tem repercutido melhor na cidade depois de 2017, quando começamos a participar dos jogos regionais e abertos do interior representando Mogi. Da primeira vez os meninos ficaram em 3º lugar nos jogos abertos, e a equipe feminina em 2º lugar, o que nos deu mais visibilidade. A partir disso mais pessoas passaram a conhecer o esporte, o que nos levou, no ano passado, a nos tornarmos campeões nas duas categorias nos regionais em São Sebastião.

Então os mogianos têm aderido à competições?

Sim. Aliás, uma das coisas que eu faço é organizar torneios, e a cidade de Mogi recebe no mínimo as etapas regional e estadual oficiais da federação paulista. Os jogos regionais fazemos em nossas quadras mesmo, mas as competições estaduais, que recebem de 200 a 300 inscritos, tem sido realizados no Ginásio Municipal de Esportes Professor Hugo Ramos.

O que leva os atletas locais ao sucesso nestes torneios?

Sempre tivemos dificuldades em relação a professores. Até pouco tempo atrás não tínhamos nenhum, e era preciso levar as crianças para fazer aulas particulares em São Paulo. Então percebemos que o sucesso vem da dedicação dos próprios atletas, que hoje em dia tem aulas aqui e recebem indicações de preparo físico, fisioterapeuta e nutricionista.

Além da falta de professores, há alguma outra dificuldade em relação ao esporte?

Uma das dificuldades dos esportes em geral é a ausência do apoio familiar, por falta de tempo dos pais ou falta de comprometimento. Isso porque é mais cômodo deixar a criança no celular e no tablet do que acompanhá-la numa aula de natação, por exemplo. Também sinto que as vezes a criança quer participar mas o pai ou a mãe não querem levá-la. É preciso pensar que um treino é um investimento, não somente pelo exercício, mas pelo o que se aprenderá para a vida: disciplina, respeito, dedicação, cuidar da saúde física e mental, trabalho em equipe, lidar com perdas, medos e frustrações, fazer amizades, e outras oportunidades que só a atividade física proporciona.


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