Pescadores mantêm rotina em barragens

João Marques ficou um ano sem pescar por causa da estiagem / Foto: Edson Martins
João Marques ficou um ano sem pescar por causa da estiagem / Foto: Edson Martins

A volta da chuva, depois de quase dois anos de forte estiagem, levou de volta pescadores habituais ou de finais de semana às beiras das represas de Mogi das Cruzes. Gente que passava tardes inteiras nas barragens, mas ficou desencorajada frente aos sinais da crise que, além das escassez de água, também minguou a oferta de peixes como carás, lambaris, traíras, entre outros. Grande parte desses pescadores vai atrás de peixes pequenos, com anzóis, varas e iscas próprias para esse tipo de atividade.

Em duas horas, o eletricista aposentado João Marques, de 57 anos, colocou 30 lambaris no samburá. Ele costuma pescar em um canal que deságua na Represa de Taiaçupeba, em Jundiapeba. Por causa da seca, ficou um ano sem aparecer por lá. “A intenção é passar um tempo mesmo, jogar conversa fora, fazer amizade, mas estava dando dó ver a represa quase seca”, conta.
O aposentado mora em Suzano e sai para pescar, ao menos, duas vezes por mês. E nunca volta de sacola vazia, afinal, conforme ele mesmo conta, já pesca desde os 10 anos de idade. “O que não pego aqui eu compro na peixaria. Se voltar sem nada eu apanho em casa”, brinca.

João usa grãos de sagu como isca. Apesar das décadas de prática, ele não conhece os equipamentos a fundo. Utiliza uma vara com molinete, presente da filha, e anzóis pequenos. Também não perde uma noite de sono. “Cheguei às 9 horas e fico até meio-dia. Não acordo muito cedo porque a mulher reclama e faz mal para a pele”, avisa.

Com dificuldades para conseguir um novo emprego, o mecânico de manutenção Cícero Ferreira, de 41 anos, segue rumo à represa pelo menos duas vezes por semana. A pesca, diz, ajuda a fugir um pouco dos problemas. Além disso, ali ele faz amizades e conhece pessoas de diversas cidades. “Aos finais de semana vêm criança, idoso, mulher, gente de São José dos Campos, de São Bernardo. O pessoal é bom de conversa”, diz. (Danilo Sans)

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