AVALIAÇÃO

Pesquisa aponta piora nas condições do Rio Tietê

DADOS Grupo da SOS Mata Atlântica fez medição do Ribeirão Ipiranga, que tem condição regular. (Foto: arquivo)
DADOS Grupo da SOS Mata Atlântica fez medição do Ribeirão Ipiranga, que tem condição regular. (Foto: arquivo)

A Fundação SOS Mata Atlântica divulga hoje a mais nova pesquisa sobre a qualidade dos rios e córregos do Estado de São Paulo. De Salesópolis, onde o Rio Tietê nasce, até Barra Bonita, na hidrovia TietêParaná, a mancha de poluição aumentou 33.6% passando de 122 quilômetros registrados no ano passado para 163 quilômetros em 2019.

A situação dos pontos de medição nas cidades do Alto Tietê oscila entre as classificações de ruim e regular, sendo que os primeiros quilômetros do principal manancial paulista, em Salesópolis, perderam o status de bom para regular entre 2018 e agora.

O estudo é divulgado às vésperas do Dia do Rio Tietê, celebrado no domingo, e mostra que o trecho morto do rio aumentou, e se afasta ainda mais da melhor marca obtida em 2014, quando a mancha poluidora se estendia por 71 quilômetros.

Nesta pesquisa foram avaliados 12 pontos da região, sendo que sete apresentaram condição regular e cinco, ruim. Em Mogi das Cruzes, grupos parceiros da SOS Mata Atlântica fazem a medição do Ribeirão Ipiranga, que tem a condição, regular, e em dois pontos não identificados do Rio Tietê, ruim. Na pesquisa divulgada em março passado havia dados de nove trechos desta bacia.

Agora, a situação de Salesópolis chama atenção porque no ano passado, a cidade se destacava entre os municípios que detinham a classificação boa na avaliação dos recursos hídricos. Mas, desta vez, a qualidade da água do rio caiu para regular.

Entre as explicações para a poluição estão os impactos da urbanização intensa, a falta de saneamento ambiental, perda da cobertura florestal e as fontes difusas de poluição. Esse quadro foi agravado por uma situação hidrológica crítica, segundo explicou Malu Ribeiro, especialista em água, da SOS Mata Atlântica. As chuvas nos últimos 12 meses nas bacias do Alto e Médio Tietê foram 20% inferiores à média dos últimos 23 anos.

Com menos chuva, houve uma redução da carga de poluição difusa, proveniente do lixo e resíduos sólidos não coletados, agrotóxicos, erosão, fuligem de veículos, e outros. Porém, a situação provoca uma menor vazão e volume dos cursos d’água, e os reservatórios e rios perdem a capacidade de diluir os poluentes, agravando a perda da qualidade.

Malu fala especificamente sobre o Alto Tietê. “Esse problema é um dos fatores que contribuiu para a piora nos índices na região do Alto Tietê, no trecho de cabeceira, entre os municípios e Mogi e Suzano”.

Dois outros episódios atípicos, entre fevereiro e julho deste ano, após temporais que ocorreram na Região Metropolitana, afetaram negativamente essas condições. De acordo com Malu, “o grande volume de chuvas nesses episódios levou à abertura de barragens e a mudanças operativas no Sistema Alto Tietê, com exportação de enorme carga de poluição, de sedimentos e de toneladas de resíduos sólidos retidos nos
reservatórios do Sistema para o Médio Tietê. Por conta disso, a Prefeitura do município de Salto retirou mais de 40 toneladas de lixo do Parque Municipal de Lavras e do complexo turístico do Tietê, e ruas foram atingidas por espumas e lama contaminada”.

A pesquisa coordenada pela fundação é feita por 84 grupos voluntários do projeto patrocinado pela Ypê e com apoio da Sompo.

Município Local Condição
Arujá Córrego Baquirivu regular
Biritiba Mirim Rio Tietê regular
Ferraz de Vasconcelos Córrego Ijima ruim
Ferraz de Vasconcelos Córrego Itaim ruim
Ferraz de Vasconcelos Córrego Dias regular
Itaquaquecetuba RioTietê regular
Mogi das Cruzes Ribeirão Ipiranga regular
Mogi das Cruzes Rio Tietê ruim
Mogi das Cruzes Rio Tietê ruim
Suzano Córrego Balainho regular
Suzano Córrego Balainho regular
Suzano Rio Tietê ruim

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