HISTÓRIA

Pesquisa escolhe marcos de Mogi

3º Igrejas do Carmo - Também com 11 votos, as igrejas do Carmo ficaram em terceiro lugar. O conjunto é composto de dois edifícios, ligados internamente por um pátio localizado atrás da torre sineira. Nesta, que fica de frente para a Praça do Carmo, é possível ver a cruz do templo religioso, além de estar na parede onde ficam as entradas, com portas e janelas verdes. A construção é um dos patrimônios históricos da Cidade. (L.R. - Foto: Eisner Soares)
ESTUDO Paulo Pinhal aponta características dos imóveis (Foto: Arquivo)

Arquiteto mogiano faz questionamento nas redes sociais e maioria dos internautas elege o Edifício Jorge Salomão

Ao ser perguntado sobre qual seria o edifício marco de Mogi das Cruzes, o arquiteto Paulo Pinhal ficou em dúvida. O questionamento foi feito por Jane Marta da Silva, gerente regional do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU-SP), para que uma foto do imóvel escolhido estampasse a revista publicada pelo órgão, a Móbile. O mogiano decidiu, então, que faria uma pesquisa em uma rede social, para que assim o público pudesse opinar. Com 20 votos, o vencedor foi o Edifício Salomão, no Centro, onde por muito tempo funcionou a Livroeton.

Para Pinhal, a escolha foi justa, já que o prédio foi um divisor de águas na história da Cidade. “O Jorge Salomão foi o primeiro de Mogi a contar com um elevador. Para mim, como arquiteto, ele revolucionou as características urbanas, porque depois que este equipamento foi inventado, as cidades começaram a crescer. E não foi diferente com Mogi”, pontuou. Atualmente, no piso térreo funciona uma farmácia, enquanto os outros andares estão inteiramente desocupados, esperando por locação.

Entretanto, um outro imóvel poderia ter se destacado na opinião do mogiano. A falta de conservação, porém, foi um fator decisivo. Na Praça Firmina Santana está o prédio onde funcionava a antiga rodoviária da Cidade. Há tempos, o lugar ficou conhecido pelo nome da livraria que existe por lá, o Patão. Sem obras de restauro, o edifício deixou na história parte de seu encanto, e já não chama mais tanta atenção. Ainda assim, conseguiu 11 votos, ficando como 2º colocado.

Além do desgaste natural do tempo, outro fator contribui para que as pessoas não escolham certos locais: a falta de conhecimento. O Casarão do Chá é um desses exemplos citados pelo arquiteto. Ele explica que, apesar de ser um ícone, muitos mogianos não conhecem o lugar, talvez, por ser mais distante do Centro.

“Quando vamos definir o que é ou não um marco na história da Cidade, que era o que o Conselho buscava, precisamos ser democráticos, porque se uma maioria não considera aquilo importante, é porque ele não é tão conhecido como poderia ser. Por isso que a votação foi importante”, explicou.

Pinhal ressaltou ainda as características de outro prédio que considera especial. O Cine-Teatro, que está no conjunto do Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti e foi projetado pelo arquiteto Rino Levi. Atualmente, a construção – que já foi considerada a segunda melhor acústica da América Latina – encontra-se degradada.

Restaurar essas construções antigas requer investimentos altos. Por isso, Pinhal tem esperanças de que no próximo plano diretor, o qual a Prefeitura vem elaborando, esteja incluído a Transferência do Direito de Construir (TDC). O instrumento legal confere ao proprietário de um lote a possibilidade de exercer seu potencial construtivo em outro lote, ou de vendê-lo a outro proprietário. Desta forma, os donos de imóveis antigos poderiam vender seu espaço, tendo assim, a verba necessária para que fossem feitas reformas.


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