POLÍTICA PÚBLICA

Pessoas em situação de rua serão tema de audiência na Câmara de Mogi

Objetivo é discutir políticas e projetos para tentar resgatar moradores de rua que ocupam espaços públicos de Mogi. (Foto: Arquivo)
Objetivo é discutir políticas e projetos para tentar resgatar moradores de rua que ocupam espaços públicos de Mogi. (Foto: Arquivo)

O conflito envolvendo os comerciantes e as pessoas em situação de rua que ocupam o Largo Bom Jesus, na área central da Cidade, será tema de audiência pública que a Câmara de Mogi das Cruzes pretende realizar nas próximas semanas. O objetivo do encontro é discutir políticas públicas e projetos para tentar resgatar e oferecer uma vida mais digna a essa população.

A realização da audiência foi sugerida pelo presidente da Comissão de Assistência Social, Direitos Humanos, Igualdade Racial, Pessoa com Deficiência, Criança, Adolescente, Juventude e Idosos da Câmara, vereador Carlos Evaristo da Silva (PSD), para ampliar o debate sobre o tema abordado por O Diário em reportagens.

O presidente da Comissão informou que vai convidar representantes da Secretaria Municipal de Assistência Social, donos de estabelecimentos próximos ao Largo Bom Jesus e diretores de entidades de acolhimento para tratar do problema, que se agrava com o aumento do grupo de moradores naquele espaço.

A decisão foi anunciada durante o debate sobre o tema que movimentou a sessão de ontem, após manifestação do vereador Iduigues Ferreira Martins (PT) ao dizer que ficou “incomodado” com as propostas feitas por comerciantes do entorno da praça, que pedem providência da Prefeitura, porque além das brigas, consumo e tráfico de drogas, alegam que estão se tornando “reféns das ameaças constantes” que recebem dessas pessoas.

O petista contestou as sugestões feitas pelos empreendedores e não acredita que possa ser a melhor saída para a questão. Os donos de estabelecimentos do entorno sugerem a retirada do coreto, que abriga essas pessoas, a extinção do estacionamento rotativo – de onde sai os recursos -, criação de pontos de táxis e revitalização da praça para que volte a ser frequentada pela comunidade, além de defenderem uma campanha de conscientização na Cidade para acabar com as doações e incentivar os moradores de rua a buscarem ajuda das instituições especializadas.

“A questão precisa ser tratada com política acolhimento e inserção na sociedade, porque são pessoas penalizadas pela vida, muitas delas dependentes químicos e com problemas com alcoolismo, que querem trabalhar e reconstruir a vida. São vítimas de uma sociedade excludente que não dá oportunidade a todos. Não é correto querer promover uma higienização social, porque a culpa não é do cidadão e sim do Estado, que tem todas as ferramentas e é ineficiente”, destaca.

O vereador Edson dos Santos (PSD) também cobra da Prefeitura a ampliação do atendimento do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) no Município para oferecer o tratamento e apoio aos jovens e pessoas com dependência química. “O assunto é espinhoso e precisa ser enfrentado e discutido por todos”, enfatiza.

Com relação à nova unidade do Caps AD, que será instalada no Parque São Francisco, na antiga Casa da Criança, em Braz Cubas, a Prefeitura informa que o local deverá passar por serviços de manutenção antes de ser inaugurado. A Administração esclarece ainda que está em busca de fechar os recursos para custeio do serviço e a previsão é de que o início dos trabalhos ocorra ainda neste ano.