PARQUE SANTANA

Piscinão, entre a figura de herói e de inimigo

EQUIPAMENTO Na maior parte do tempo, a água parada e a lama são motivos de problemas e queixas. (Foto: Eisner Soares)

Quem reside, estuda ou transita nas proximidades do piscinão de Mogi das Cruzes, localizado no Parque Santana, reclama das condições de limpeza e conservação do equipamento. Os vizinhos reconhecem a importância da estrutura para minimizar os efeitos das fortes chuvas, mas cobram serviços de manutenção para eliminar os transtornos como o acúmulo de lixo, mato alto, água suja e o mau cheiro.

“O piscinão é ótimo, mas quando está limpo”, aponta Maria Olímpia Cardoso de Souza. Há 22 anos ela em reside em frente da área ocupada pelo equipamento desde 2002. “Raramente vejo a Prefeitura limpando de verdade o local”, reclama. Uma das preocupações é que a situação possa colaborar para a proliferação do mosquito da dengue. “Quando chove, a água é movimentada, mas depois fica um bom tempo parada”, comenta.

“Sei de sua importância para a região central da cidade, mas quem mora perto dele acaba sofrendo principalmente com o mau cheiro”, completa Maria. Para ela, aumentar o ritmo dos serviços de limpeza seria suficiente para solucionar o problema.

O piscinão teve um papel fundamental durante a forte chuva na última quarta-feira, chegando à sua capacidade máxima de armazenamento, com 9 metros de altura de água retida. Isso aponta que ele evitou que 90 milhões de litros de água atingissem a região central, contribuindo para a diminuição dos prejuízos e avarias.

“Mas, a sujeira transborda no piscinão e é sempre uma cena triste. Por tudo que vivi, digo que a Prefeitura só se importava mesmo com isso aqui no primeiro ano que ele foi construído”, aponta.

Outra residente das proximidades, Janaína Cristina também destaca que “o piscinão está abandonado”. Lamenta que é possível ver o lixo e a água acumulada e, o mais preocupante, é a possibilidade da transmissão de doenças aos alunos das escolas das proximidades. Aponta também que além de insetos, o “lugar atrai ratos e baratas”.

Enchentes

Quando foi construído, havia a expectativa de a cidade ganhar um segundo piscinão. O projeto básico foi elaborado e uma área de propriedade do município está reservada para esta finalidade, na Vila Ressaca. Trata-se, contudo, de uma obra complexa e de alto custo, que depende de disponibilidade orçamentária para ser executada.

Em nota, a Prefeitura informa que a limpeza do piscinão é feita periodicamente pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, “porém o serviço só pode ser realizado de forma eficaz em períodos de estiagem. Enquanto houver chuva, não há como proceder com a remoção dos sedimentos e raspagem da terra, pois a umidade que permeia esse material inviabiliza sua retirada e, ainda que alguma medida paliativa seja adotada, a água da chuva acaba por desfazer todo o trabalho”.

Capacidade

Construído em 2002 para tentar evitar alagamentos na região central de Mogi. O piscinão do Parque Santana tem capacidade para receber 90 milhões de litros de água e é um regulador do volume de águas pluviais que chega à região central da cidade, principalmente nas regiões da Praça da Bandeira e Avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco. Ao reservar a água da chuva, ele minimiza a ocorrência de alagamentos. O reservatório ajuda a controlar os transbordamentos nas áreas baixas da cidade porque regula a quantidade de água que cai no Ribeirão Ipiranga, um dos principais afluentes do Rio Tietê.

Cidade debate ações contra as enchentes

Fonte de elogios e críticas, os piscinões voltaram a ser discutidos nesta semana em Mogi das Cruzes. O engenheiro José Roberto Elias Rodrigues, que trabalhou na Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, defende a instalação de outros quatro equipamentos similares na cidade.

Ele lembra que o desenvolvimento urbano acelerado amplia a impermeabilização em Mogi das Cruzes. Aponta ainda que o município é antigo e não dispõe de um sistema de macrodrenagem. Outro fator agravante é que a cidade canalizou rios, restringindo assim a absorção das águas das chuvas.

“O sistema que a cidade dispõe não tem capacidade para absorver uma quantidade tão elevada de chuva em tão curto tempo. Como não existem nem mesmo bueiros ou tubulações no centro para escoar, as águas correm por cima do pavimento e acabam provocando as enchentes”, disse.

Para Rodrigues, uma saída seria a construção novos piscinões. Um deles está projetado para atender a região alta do São João, que evitaria a enchente no Largo Francisco Ribeiro Nogueira. Outros reservatórios seriam interessantes na Vila Oliveira, próximo à Praça Álvaro Campos Carneiro, assim como desassoreamento do Córrego Lavapés para reduzir com as cheias na região do Clube de Campo, Shopping e Praça Kazuo Kimura, no Nova Mogilar.


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