PLANEJAMENTO

Plano Diretor de Mogi das Cruzes está em fase final

FOCO Plano prevê uma Mogi conectada, compacta e qualificada, além de sustentável e inovadora. (Foto: arquivo)
FOCO Plano prevê uma Mogi conectada, compacta e qualificada, além de sustentável e inovadora. (Foto: arquivo)

Mogi das Cruzes tem agora um raio-X pronto do que o município é na sua totalidade: áreas rural, urbana e mista, e como se deu o seu crescimento nos últimos 13 anos. Tudo isso a fim garantir um avanço ordenado daqui em diante, mas também assegurar a preservação de seus patrimônios ambientais, como as serras do Mar e do Itapeti e o rio Tietê. Esse é o resultado do Plano Diretor, que começou a ser revisto em 2017, passou por dezenas de audiências públicas e foi encaminhado à Câmara Municipal, na semana passada.

O projeto foi estruturado em 252 artigos, 16 quadros, quatro anexos e 14 mapas, com objetivo de apresentar uma visão estratégica da Mogi da Cruzes de 459 anos, mas fundamentada para os desafios do século XXI. Entre os resultados, aparece a necessidade de ter a modernização dos padrões de infraestrutura e serviços, espaços públicos agradáveis, o fomento à arte, cultura, esporte e lazer, e meio ambiente preservado. No ponto de vista econômico, a matéria também foi pensada para atrair novos investimentos, empresas e garantir a preservação do meio ambiente.

Por isso, o plano para a cidade tinha três tópicos: conectada e igualitária, compacta e qualificada, sustentável e inovadora. Na análise para desenvolver esses pontos, o estudo mostrou que houve um espraiamento no crescimento imobiliário, que resultou, por exemplo, no morador de César de Souza que precisa atravessar a cidade para trabalhar em Jundiapeba, ou buscar atendimento médico em Braz Cubas.

“Isso acaba demandando muitos deslocamentos na cidade e a ideia é que a gente tenha um município mais multifuncional, por isso você vê que hoje a gente tem equipamentos como a maternidade sendo construída em Braz Cubas, a Única Físio no Rodeio para que a gente tenha um crescimento estratégico. Com isso promovemos a conectividade urbana em escala local, considerando as múltiplas dimensões, proporcionando o desenvolvimento entre os bairros e o acesso igualitários aos serviços”, destaca o secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, Claudio de Faria Rodrigues, sobre o primeiro tópico.

Já em relação à cidade compacta e qualificada, a ideia é não incentivar a construção nos locais que já estão dotados de infraestrutura, porque cada vez que novos loteamentos são criados em áreas sem estrutura, aumenta a demanda de novos investimentos em saneamento e infraestrutura básica.

“A leitura que se faz hoje de áreas mais preparadas vai do centro da cidade e acompanha Braz Cubas, que tem uma boa infraestrutura, e a gente tem condição de adensar mais as construções. Já Jundiapeba, a região Sul de Braz Cubas, a região da Kaoro Hiramatsu, o fundo do Cocuera e César de Souza são pontos em que há um processo de urbanização e desenvolvimento, mas que precisa de maiores investimentos”, destaca.

O projeto também apontou para a necessidade de conter a expansão imobiliária na região dos chacareiros, Vila Moraes, e em outras áreas próximas às reservas de proteção ambiental. Para uma cidade sustentável e inovadora a chave é a modernidade, de modo a garantir as novas tecnologias, mas também incentivar a agricultura familiar, o turismo, entre outros pontos.

Caso aprovada sem alteração, a lei cria três novos distritos em Mogi, sendo o Taboão, Parateí e Alto do Cocuera, além dos 107 bairros, considerando que atualmente a cidade é dividida por loteamentos. “Eu vou saber exatamente onde é o Jardim São Pedro, Jardim Universo, Vila Municipal, porque daí sim eu vou sair da escala de planejamento do Plano Diretor e vou para os planos de bairros, que vão direcionar políticas públicas específicas”, destacou.

A proposta foi desenvolvida com o acompanhamento do Conselho Municipal da Cidade. No primeiro momento, Mogi foi dividida em 22 territórios, que foram visitados para ouvir a população dessas áreas, a fim de discutir as questões futuras da cidade. “Muitas vezes, o morador tinha apenas uma visão atual do bairro, como o buraco na rua, mas a gente propôs o olhar para o futuro”, destacou. As associações representantes da sociedade civil, bem como a universidade também contribuíram com os estudos do Plano Diretor.

Agora com a matéria no Legislativo, começa a etapa de debate com os vereadores. A expectativa é de que o Plano seja aprovado até o fim desse ano. Os parlamentares podem apresentar alterações.

Projeto prevê obras viárias e extensão do trem a César

Além de nortear o potencial de novos investimentos tanto nos setores imobiliários, industriais e do comércio, o Plano Diretor de Mogi das Cruzes revisado servirá de norte também para as ações da administração municipal e também de reforçar a Prefeitura a buscar recursos para realizar as obras no trânsito da cidade, como a duplicação da rodovia Mogi-Bertioga, e o fechamento da via perimetral, com a ligação dos dois trechos finais, que são: da Mogi-Bertioga até a Mogi-Salesópolis, e desta até a Mogi-Guararema.

“Uma das grandes questões é a modernização das nossas estações de trem e também a chegada do trem até César de Souza. É uma realidade e muito importante para Mogi. É preciso ainda completar esse anel viário que é da década de 1970. Fora isso a gente tem uma grande infraestrutura toda da região do Taboão, porque temos uma série de transposições e novos acessos para que aquele parque industrial tenha a instrução necessária. O Plano Diretor traz essas premissas para que a gente faça as interlocuções com o Estado”, diz o secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, Claudio de Faria Rodrigues.


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