CULTURA

Poesias e canções que estimulam a reflexão

ARTE Responsável pela Divisão de Teatro da Secretaria de Cultura, Michael Meyson recita, canta e entretém, com foco no “consolo e no conforto”. (Foto: divulgação)
ARTE Responsável pela Divisão de Teatro da Secretaria de Cultura, Michael Meyson recita, canta e entretém, com foco no “consolo e no conforto”. (Foto: divulgação)

Michael Meyson, além de ser o responsável pela Divisão de Teatro da Secretaria Municipal de Cultura, é agente cultural, ativista e “fundamentalmente poeta e compositor”, como ele próprio se define. Quem o segue das redes sociais, certamente tem muita oferta de conteúdo desde que a pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil. Com mais de uma publicação por dia, os conteúdos são variados, e contemplam notícias, artigos e reflexões sobre o mundo atual. Destaca-se, porém, o lado artista de seu interlocutor, por meio de poesias, interpretações de texto e canções autorais.

A vertente mais impressionante talvez seja a poética, expressada pela leitura e encenação de textos de outros autores. Não só os versos se encaixam no cenário atual, a exemplo de ‘O Poeta e O Rei’, de Cleiton Pereira, como também causa impacto a sombria trilha sonora e as enigmáticas expressões faciais de Meyson.

Dono de um vasto cancioneiro, o artista diz que num primeiro momento não quis seguir pelo fluxo da música, pois achou que “muita gente seguiria este caminho”. Correta, a previsão se concretizou, até mesmo por meio da ‘Movi.Ar’ (Mostra Virtual de Mogi das Cruzes – A Arte Não Esqueceu de Você).

“Muita gente se inscreveu, mas pouca gente da poesia”, relata ele, que se envolve com os editais deste e de outros programas da Cultura local. “O poeta é uma criatura mais silenciosa, naturalmente. Observei o que estava sendo publicado, e resolvi fazer uma mistura de teatro com audiovisual, recitando poesias de outras pessoas para fomentar outros artistas”.

A tal mistura resultou num produto reflexivo, que faz a audiência pensar. Novamente, era o efeito esperado por Meyson. “A poesia tem agora dois aspectos: o do esclarecimento, de tentar levar conteúdo para as pessoas, para refletir o pensamento na sociedade com a responsabilidade do isolamento; e o aspecto racional do interior, sobre a forma de buscar esteio durante a quarentena, no campo da fé, da beleza ou outros”.

Depois de captar a atenção de seus amigos virtuais, a intenção do agente cultural é comovê-los por meio da música. O mais claro exemplo é o ‘Tema da Partida para a Guerra em Canudos’, canção original feita por ele para o espetáculo ‘O Incrível Homem Pelo Avesso’, do Teatro Contadores De Mentira, do qual é um dos mais antigos membros, assim como dos coletivos Jabuticaqui e Galpão Arthur Netto.

“Resolvi gravar essa canção de cena para para mostrar que o teatro está vivo. As artes presenciais são as grandes afetadas pela pandemia, pois diferente da apresentação musical ou das pinturas, que possuem outras formas midiáticas, o teatro sofre muito neste momento”, explica.

Esse foi o pontapé inicial, mas vieram outras gravações, como ‘Rezadeiras do Divino’, para evidenciar a importância dos ritos do Divino Espírito Santo, impossibilitados de serem realizados agora. Outra faixa que vale ser citada é ‘Maré’, que “serve como registro histórico do momento” e fala das dificuldades que o mundo tem enfrentado.

Há mais ações musicais. Em lives longas, que surgem na rede sem horário específico, para não se sobrepor a apresentações de outros colegas artistas, Meyson valoriza as composições autorais e foca “no consolo, no conforto”.

Segundo ele, este é um dos papéis da classe artística, já que “quando alguém consome o que é produzido, existe uma conexão, que simbolicamente representa o abraço, que todo mundo está sentindo falta”.

Por essas e outras, vale a pena estar sintonizado nas redes sociais de Michael Meyson, que proporciona, entre fatos e críticas, a oportunidade de um debate criativo e saudável, que mantém a mente ativa e a arte viva.

Distante e isolado, mas não sozinho

Ao que as publicações indicam, a criatividade de Michael Meyson tem fôlego para resistir à pandemia e à qualquer outra possível adversidade. Figura conhecida na cidade, ele, no entanto, não faz tudo sozinho. Parte dos conteúdos que publica são baseados em parceria, como a canção ‘Brevidade’, que compôs e canta ao lado dos grupos Oriki e M⁴.

O primeiro dos conjuntos aliados é, na realidade, “um projeto de pesquisa de tradição de matriz africana dentro do campo do canto e da fé”. Já o segundo é formado por quatro artistas: Michael Meyson, Memeu Cabral, Milton Mor, Nelson Mortol. Todos com a letra “m”, daí o nome.

Assim como costumam ser vistos em palcos presenciais para cantar sem fins lucrativos, com foco em angariar fundos e fortalecer movimentos sociais e culturais, as nove pessoas que formam os dois coletivos estão juntas no vídeo de ‘Brevidade’. Cada uma na sua casa, é claro.

A tela se divide, portanto, em nove quadradinhos, com um integrante em cada. Sintonizados no mesmo som, eles cantam, tocam, sentem a composição tomar vida. É como Meyson diz: “a arte dá protagonismo para todo mundo”. No momento da gravação, o protagonismo é dos artistas em frente a câmera. Depois, passa a ser de quem assiste, que pode interagir, interpretar, compartilhar, fazer parte.


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