INVESTIGAÇÃO

Polícia apura se atleta que morreu após luta em Mogi recebeu golpe fora das regras

Rafael Beiton era campeão brasileiro e professor especializado em artes marciais. (Foto: Divulgação)
Rafael Beiton era campeão brasileiro e professor especializado em artes marciais. (Foto: Divulgação)

O delegado Argentino da Silva Coqueiro, titular do Distrito Central, abriu inquérito, na tarde de ontem, sobre “morte suspeita”, para apurar a circunstância em que aconteceu a morte do campeão brasileiro de muay thai, Rafael Beiton da Silva, de 31 anos. Ele passou mal após participar, no último domingo, da quarta luta no Torneio Ichiban Kickboxing, promovido pela Academia Yoshinaga, no ginásio do Parque da Cidade, no Alto do Ipiranga. O evento contou com a participação de 220 atletas de 14 estados brasileiros.

No atestado de óbito assinado pelo médico legista chefe Zeno Morrone, do Posto do Instituto Médico legal de Mogi das Cruzes, Rafael sofreu “hipertensão intra craniana e traumatismo craniano encefálico”. O corpo do lutador foi transladado ontem por via aérea para Recife, onde será velado e sepultado no Cemitério Santo Amaro.

Rafael que era especializado em artes marciais e venceu três competições em Mogi, sendo que na quarta luta foi derrotado. O organizador do torneio, Fábio Yoshinaga, disse a O Diário que “ele (Rafael) saiu do ringue normalmente e foi encontrado depois, desfalecido no banheiro”.

De acordo com ele, o atleta “logo recebeu atendimento de uma equipe de socorristas, com médico e enfermeiro. Na hora, foi removido ao Hospital Luzia de Pinho Melo. Não houve qualquer falha, foram obedecidas todas as regras esportivas e o lutador usava,m durante a sua participação, capacete, caneleira e luvas”.

Yoshinaga lamentou a morte do atleta Rafael e disse que “estamos esperando os laudos técnicos que poderão indicar o que aconteceu”. O torneio é de nível internacional e aprovado pela Confederação Brasileira de Kickboxing. Além do mais, abre às portas para os vencedores participarem de torneios na Europa e em outros países.

O delegado titular Argentino Coqueiro disse ontem que “estamos em busca de imagens das lutas de Rafael, as quais poderão ajudar nas investigações. Precisamos saber se durante os confrontos houve algum golpe fora das regras permitidas, e também se ele estava com os equipamentos exigidos nestas lutas”.

A autoridade adiantou que “iremos ouvir várias testemunhas, o organizador do evento e outras pessoas envolvidas no torneio que possam nos passar informações”. No entendimento do delegado Argentino, “o inquérito tem a meta justamente de apurar se foi cometido crime na competição”, caso contrário, o caso será arquivado.

A esposa do atleta, Zara Marques, chegou ontem de Recife e à tarde contou a O Diário, no Distrito Central, que “ele (Rafael) tinha três filhos do primeiro casamento, era um paizão e excelente professor de artes marciais, pois lecionava em várias academias, todos os alunos gostavam muito dele”. Ela preferiu não entrar em detalhes sobre o que poderia ter acontecido com o seu companheiro. “Não assisti as lutas. Saber o que ocorreu compete à Polícia”.

A mulher de Rafael, no entanto, garante que “ele estava muito bem de saúde, e que saiu de Recife, em Pernambuco, na quinta-feira da semana passada, só para participar do torneio em Mogi”. Um amigo de Rafael, Carlos Gabriel, chegou a afirmar que “ele ficou cambaleando após a quarta luta ”.