ESCOLA PROFESSOR RAUL BRASIL

Polícia segue em busca de pistas sobre o atentado em Suzano

Armas: Atiradores usaram revólver, machadinha e flechas (Foto: Reprodução)
Armas: Atiradores usaram revólver, machadinha e flechas (Foto: Reprodução)

Por designação da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, as investigações sobre o caso do massacre de Suzano praticado na manhã desta quarta-feira, resultando na morte de 10 pessoas, incluindo os dois atiradores, e deixando 11 feridos, serão desenvolvidas pelo Setor de Homicídios de Mogi das Cruzes e a Delegacia Central de Suzano. Ontem à tarde, as equipes seguiam nas buscas, tentando ouvir estudantes feridos e encontrar pistas para verificar se os assassinos Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, ex-alunos da Escola Estadual Professor Raul Brasil, no Jardim Imperador, promoveram sozinhos a tragédia ou contaram com a colaboração de comparsas.

Antes do crime, Taucci ainda matou a tiros o seu tio, Jorge de Moraes, de 49 anos, dono de uma agência de venda de veículos.

No começo da noite de quinta-feira, um adolescente, de 15 anos, foi localizado pela Polícia e prestou declarações à Polícia Civil. Ele contou que conhecia Guilherme e Luiz, que eram simpatizantes de jogos violentos via internet.

Ele esclareceu que há um grupo de internautas que atua nesse sentido, trocando informações. A Polícia Civil apreendeu celulares e computadores que serão submetidos a exames.

Também teria explicado que sabia do ‘ataque’. O menor foi sindicado e ficou apreendido por decisão da Vara da Infância e Juventude, do Fórum de Suzano, pois ficou comprovado pela Polícia a participação dele nos atos preparatórios do massacre.

Guilherme, que era apreciador de armas e foi o autor dos tiros nos alunos da Raul Brasil, teria formado um grupo na rede social, onde o tráfico de drogas era assunto rotineiro. Aliás, um desentendimento com um dos membros seria também um dos motivos do planejamento das execuções. O suposto “membro” foi morto.

Outro aspecto a ser avaliado é o fato de que Guilherme, por ter uma mãe usuária de entorpecentes, vinha sofrendo bullying, o que o teria levado a deixar a escola, conforme já afirmou a mãe dele, Tatiana Taucci.

De acordo com a Polícia, a dupla já vinha planejando o ataque há algum tempo, tendo em 21 de fevereiro alugado um veículo utilizado no crime. Ontem, surgiram dúvidas, pois se os ex-estudantes deixaram o veículo na porta da Escola Raul Brasil, certamente eles pretendiam escapar. Também não houve qualquer reação a tiros na direção deles por parte da Polícia Militar.

O ‘suicídio’ também poderá ser investigado a partir dos laudos emitidos pela Polícia Científica e o Instituto Médico Legal. Na rede da Polícia Militar, integrante do Copom alertava que havia um ‘papa charle’ (policial civil) de blusa vermelha no interior da escola e era para todos tomarem cuidado para não haver algum engano.

O Boletim de Ocorrência sobre o massacre, com 16 páginas, tem como natureza suicídio consumado, homicídio qualificado, além de tentado, e Ato Infracional.

Reunião

A deputada federal Katia Sastre (PR), cabo da Polícia Militar e moradora em Suzano, participará hoje, acompanhada do seu chefe de gabinete Felício Kamiyama, de uma reunião na escola Raul Brasil, por volta das 14 horas. O evento contará ainda com a dirigente de ensino de Suzano, professora Vera Lúcia Miranda, e do secretário de Estado da Educação, Rossieli Soares da Silva.