DESDOBRAMENTO

Policiais de Mogi presos há um mês têm situação complicada

Hoje completa um mês da Operação do Gaeco, do Ministério Público, deflagrada em Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba, Bertioga e Guarulhos, resultando na prisão de 15 acusados de envolvimento em jogo de azar, como jogo do bicho e máquinas caça-níqueis, corrupção ativa, passiva, agiotagem e lavagem de dinheiro. Entre os suspeitos estão quatro policiais civis de Mogi, três deles da Delegacia do Meio Ambiente e outro do Distrito Central. O grupo investigado pelo MP como organização criminosa continua encarcerado apesar dos recursos impetrados na Justiça por seus defensores. Os agentes já estão afastados de suas atividades, entregaram armas e as funcionais. A situação de cada um está complicada diante das provas e escutas telefônicas coletadas com a autorização do juiz de Direito Tiago Ducatti Lino Machado, da 3ª Vara Criminal de Mogi das Cruzes e corregedor da Polícia.

De acordo com levantamentos os acusados, principalmente os policiais, apresentaram bens como propriedades e veículos acima de suas rendas. O PIC – Procedimento de Investigação Criminal – aberto em 2016 pelo Ministério Público – possui cerca de 2.000 páginas em 11 volumes.

Uma das denúncias que merece destaque e já está sendo tomada providências junto ao Detran é a mensagem eletrônica enviado por Pietro Mário Gabriel de Menezes, datada de 2013, ao agente de telecomunicações Caio Vinicius Romão da Silva. No procedimento há até um depósito bancário no valor de R$ 700,00 que seria relativo ao pagamento para que Caio providenciasse a retirada dos pontos da carteira nacional de habilitação, os quais teriam ‘estourado’.

Ainda no curso das investigações ficou claro que na Operação Lei Seca promovida pelo Detran em conjunto com a Polícia Civil, na noite de 28 de maio, em Mogi das Cruzes, integrantes da equipe Gold (Ouro), Caio Vinicius, Alex Smokou e Paulo Antonio Carvalho, durante a blitz, abordaram motorista que apresentava sinais de embriaguez. Porém, mediante pagamento de propina, o condutor foi substituído por outro, sendo o infrator liberado. A ação teria sido feita sem que outros policiais percebessem.

Quanto a Caio Romão, conhecido como “Neno”, especificamente, os promotores de Justiça, em relatório, anotam que as buscas “apontam a prática de atos ilegais e transações monetárias não justificadas. Não bastasse tudo isso, Caio tem um terreno e uma casa no Condomínio Bella Citta (no Bairro do Rodeio) e três automóveis (de luxo)”.

Um dos investigados, Rogério Lopes, então assessor parlamentar do vereador Benedito Faustino Taubaté Guimarães, no mesmo dia da Operação do Gaeco foi encontrado morto em sua casa, em César de Souza. Ele teria tomado comprimidos em excesso, o que ainda está sendo apurado. Ele só não sabia que, dias depois, a Justiça iria arquivar a suspeita contra ele de envolvimento com a organização criminosa e que poderia resultar na sua prisão.