ARTIGO

Políticos: anjos ou demônios

Olavo Câmara

Eleitor tenha certeza há político honesto. O político não pode ser ingênuo ou agir como uma “virgem vestal do templo” como da antiga Roma. Há cidadãos que são verdadeiros pedintes e, somente procuram os políticos que tem cargos em busca de favores que atendam as suas necessidades ou oportunismos. Os políticos ingênuos, se é que existem, são enganados pelo eleitor. Passam pelos gabinetes dos legisladores, fazendo o mesmo pedido e “se pegar, pegou”. É como se fosse um “jogo”, uma brincadeira de gato e rato. Dificilmente algum eleitor procura um parlamentar, prefeito ou governador para dizer-lhe: Senhor! Estou aqui para trazer-lhe a minha contribuição e ideias. É a cultura do pedinte e dos favores.

Em contrapartida, há políticos honestos e políticos fraudadores, ladrões e desonestos. Isto permite dizer que embora exista político que age e demonstra ser anjo, dentro de si há um demônio pronto para atacar os incautos e roubar-lhes até a alma, para obter vantagens. O comportamento do mau político não educa o eleitor, mas, ao contrário, ensina, através do seu péssimo exemplo que a vida na política é para os “espertos”. Os integrantes das classes alta e média cometem atos fraudulentos, tal quais as pessoas da classe baixa. No entanto, os mais letrados e mais abastados têm vergonha dos seus atos e não desejam que ninguém descubra. Por isso, agem como anjos, mas dentro de si, o anjo fica bem guardado e protegido, apagando os rastros deixados pelo demônio.

Diante das facilidades e do poder conquistado, revela-se o demônio e este está na frente como um escudo, dando péssimos exemplos. É o que acontece com o político fraudador, simulador e criminoso que trabalha “escondidinho” em busca de grandes negócios e negociatas, porque o seu desejo é o poder financeiro. Os políticos ingênuos, se é que existem, são enganados também pelo eleitor. Os políticos criminosos que buscam o locupletamento ilícito ou que agem com o intuito de obter benefícios pessoais são organizados e assustam. Fazem um grande teatro e sabem agir como anjo e demônio ao mesmo tempo, teatralizam e poderiam muito bem fazer novelas de televisão. Os maus políticos saem da sociedade, assim como os criminosos. O que vale destacar: se existem maus políticos, foi o povo quem escolheu. Se há traficantes, é porque alguém consome drogas. Portanto, ao acusar alguém faça uma análise e verifique antes os seus próprios atos e erros, pois ninguém é santo ou perfeito.

Olavo Câmara é advogado, professor, mestre e doutor em Direito e Política

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