Por mais ciclovias

Pandemias e depressões econômicas e políticas impulsionam grandes saltos em áreas do conhecimento e da experiência humana e coletiva. Quem diria que Davi dobraria Golias com uma das cinco pedras que levou para a batalha épica? Nesta luta bíblica reside um símbolo para o renascimento do movimento criado por coletivos de ciclistas e arquitetos dispostos a defender um meio de transporte individual como ferramenta barata, ecológica e saudável para a locomoção das pessoas.

Lançado em um abaixo-assinado virtual, o projeto busca repetir em Mogi das Cruzes o que São Paulo está vendo surgir ao longo da linha ferroviária para atender seus habitantes.

Há na campanha por mais ciclovias, desafios gigantes. São Paulo dá exemplo sobre a fratura exposta quando uma das mais maiores capitais do mundo, em número de habitantes e frota de veículos,  estremeceu diante do movimento que pedia mais segurança aos ciclistas.

Colocar mais bicicletas nas ruas mexe muito com o complexo modelo do transporte urbano e dos hábitos pessoais porque impacta o cidadão adepto ao conforto do carro, ao milionário mercado do transporte público  (dois elementos que detêm poder de pressão junto ao gestor público) e a própria estrutura física inadequada das ruas e avenidas.

Talvez por isso, a figura de Davi caiba tão bem. No entanto, há argumento simples e cabal: as cidades mudam para atender seus moradores.

Melhorar, de fato e não apenas de fachada, a condição da cidade para o tráfego seguro dos ciclistas, seria particularmente interessante para responder ao “Davi” trabalhador e entregador de pizza, mas também ao “Davi” encontrado no esportista profissional ou não.

Não é nova a ideia de mirar a faixa de terreno da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e da MR Logística ao lado da linha ferroviária para melhorar e estender a precária ciclovia existente em uma parte desse traçado, na avenida Governador Adhemar de Barros.

Nova é a determinação dos coletivos de ciclistas (MTB e Bici Mogi) e do Colégio dos Arquitetos de retomar o pleito popular assinado como prioridade nos planos de Mobilidade Urbana, sistematicamente negligenciado nas metas orçamentárias do governo municipal. Ainda mais neste instante, no transcurso de uma pandemia: é um sinal saudável da resistência da articulação popular.

Forçoso lembrar que essa demanda costuma aparecer em anos eleitorais, como este. Isso é um problema? Longe disso. Tratar de temas caros para a coletividade, mesmo em meio a essa crise tão difícil para todos, é fazer jus ao que representa uma eleição na construção futura da cidade.


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