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Por mais segurança

Vigilância Solidária chega a mais bairros

A experiência do projeto Vigilância Solidária que estabelece um canal de comunicação mantido entre a Polícia Militar e um grupo de moradores de determinado bairro, começa a chegar a novos núcleos residenciais. É uma ferramenta prática com potencial para fazer muito mais pelo combate à criminalidade.

Aos bairros pioneiros, como o Parque Santana, começam a se juntar outras localidades com lideranças indignadas com a ousadia dos criminosos e os braços curtos das polícias Militar e Civil para prevenir e investigar roubos e furtos, crimes que mais afetam a população das cidades.

A mais recente pesquisa sobre os registros de boletins de ocorrência divulgada pela Secretaria Municipal de Segurança Pública confirma essas modalidades como os maiores fertilizantes para a violência e sensação de insegurança.

Em Mogi das Cruzes, os roubos e furtos seguem lideram os índices de aumento dos casos na comparação entre junho (395 registros) e julho (443).

O infortúnio de um morador do residencial Vila Di César nos dá a medida sobre o que as pesquisas oficiais não cuidam de ressarcir: os danos materiais e psicológicos sofridos pelas pessoas obrigadas a conviverem com esse tipo de situação.

Duas vezes em um mesmo dia, ladrões invadiram o canteiro de obras de uma casa em construção. Mais do que levarem materiais como fios elétricos, danificarem três portas e deixarem os prejuízos financeiros para trás, os ladrões destróem algo maior, mais caro: a confiança e a tranquilidade de quem está projetando o futuro em um lugar que, de imediato, se mostra inseguro e violento.

A reação, neste caso, serve de exemplo. O escritor André Martinez mobilizou outros moradores na busca pela proteção policial. O bairro passou a integrar o Vigilância Solidária, que mantém uma linha de comunicação direta com a Polícia Militar, por meio do Watsapp, para o relato de situações que indiquem algo fora da normalidade na vizinhança, a tempo de se inibir a atuação criminosa.

As famílias passam a contar com um maior comprometimento da Polícia Militar. Com o amadurecimento desse contato, inclusive, as comunidades ampliam o poderio de atuação porque passam a conhecer melhor falhas (deficit policial e de recursos, como viaturas) e se gabaritam para pressionar por melhorias junto ao comando das corporações e ao poder público. Passam a fazer isso com o conhecimento de causa.

Não é de agora que exemplos de sucesso dessa interação comunitária são encontrados na zona rural. Ou seja, a articulação dos bairros urbanos poderia estar melhor azeitada. Em todo caso, antes tarde do que nunca.