ARTIGO

Por tempos melhores

Laerte Silva

O animal ataca instintivamente, pela defesa ou caça para sobrevivência, nele não depositamos culpa por sua natureza, diferentemente do ser humano, do qual esperamos racionalidade, ponderação e principalmente que dê valor à integridade física e a vida dos outros. Nessa pandemia em que as pessoas não vivem tempos normais de convívio social, explosões de descaso e violência reforçam os defeitos daquele que deveria ser racional.

No Grajaú, zona norte do Rio de Janeiro, dias atrás a médica Ticyana Azambuja foi agredida após uma discussão por conta de uma festa clandestina, proibida nestes tempos de coronavírus. A agressão que fraturou o joelho da médica e causou-lhe outros machucados e a brutalidade dos vários agressores sob o olhar de um policial e um bombeiro que nada fizeram para impedir, assustam pela banalidade. A médica danificou o carro do PM, errou feio, mas seu espancamento grupal não é aceitável. O policial tinha outros meios para agir e poderia impedir a lesão corporal. Deu de ombros.

Chocante e lamentável, para dizer o mínimo, foi também a morte do menino Miguel, filho da empregada do prefeito de Tamandaré (PE), o qual ficou sob a guarda da mulher do político enquanto sua mãe passeava com o cachorro da família. Perdeu a vida porque a primeira dama impaciente com a criança acionou o elevador do prédio e deixou-o à própria sorte. Miguel morreu ao cair do prédio. Não bastasse isso, notícias dão conta que sua mãe, “doméstica”, era na verdade remunerada pelo município, um jeitinho do prefeito aproveitar-se do dinheiro público. Além da malandragem financeira, a morte de Miguel decorre do pouco caso da patroa de sua mãe. Precisamos de tempos melhores.

Laerte Silva é advogado


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