ATUALIZAÇÃO

Portal da congada regional prepara novidades

CONSEQUÊNCIAS Presidente da Casa do Congado, Deo Miranda avalia o primeiro ano de atividades do portal como “positivo’ e diz que pandemia do novo coronavírus adiou as próximas fases da iniciativa. (Foto: arquivo)
CONSEQUÊNCIAS Presidente da Casa do Congado, Deo Miranda avalia o primeiro ano de atividades do portal como “positivo’ e diz que pandemia do novo coronavírus adiou as próximas fases da iniciativa. (Foto: arquivo)

O portal Memória Digital da Congada de São Paulo (MDC/SP) acaba de completar um ano de existência. Por lá, o público pode acessar, a partir de um cadastro simples, músicas, fotos, vídeos e textos sobre a congada, em especial sobre os grupos de Mogi das Cruzes. Criador do projeto, Deo Miranda avalia o primeiro ano de atividades como “positivo” e diz que está “conversando com produtores, pesquisadores e mestres dançantes da capital São Paulo e do Vale do Paraiba” para disponibilizar conteúdos novos na plataforma.

Nos primeiros 12 meses em que está no ar, o site não teve adições de itens, mas isso já estava previsto. Deo explica que quando lançou o site mdcsp.com.br já tinha consciência de que os nove discos, três documentários, um livro, uma pesquisa inteira e muitas fotos sobre as manifestações mogianas seriam suficientes “tanto em variedade como em volume” para “segurar o site” por um tempo.

O planejamento previa, para 2020, um “novo fôlego” para o endereço eletrônico, mas a pandemia do novo coronavírus adiou as próximas fases da iniciativa. “A ideia inicial era fazer com que esse acervo entrasse nas escolas via diretores e professores. Para isso houve algumas tentativas de diálogo com as diretorias de ensino atuantes na cidade, mas só houve respaldo a partir do momento que esse material foi apresentado para a Secretaria Municipal de Educação, que de imediato designou um dos seus coordenadores para analisar o material”, conta Deo.

O organizador continua, orgulhoso, a dizer que os professores da rede municipal “começaram a se cadastrar no site para tomar conhecimento do acervo” e aplicá-lo em suas didáticas de ensino. “Foram os primeiros movimentos de uma parceria que teria início pouco antes da pandemia, tendo o MDC/SP como ferramenta de estudo nos cursos especiais para professores”, diz ele.

Ainda assim, Deo afirma que as conversas para disponibilizar novos títulos no portal continuam e estão em processo “de análise e de autorizações de obras”. No entanto, para que o MDC/SP receba os tais itens, “será necessário atualizar layouts, aplicativos e plano de hospedagem do site”, e é aí que começam a surgir as dificuldades, já que isso demanda custos, e hoje a plataforma é integralmente mantida por uma única entidade, a Malungada Produtos Culturais.

Receber novos itens, comenta o criador, seria a “segunda fase” do projeto, que deve passar por mais um período expondo títulos sobre atividades tradicionais de Congada, agora agregando outras cidades de São Paulo. Já uma “terceira fase” poderá incluir outros estados, “começando por Minas Gerais”, sobre o qual Deo já dispõe de diversos títulos já autorizados.

Patrimônio Histórico

Desde a concepção, um dos objetivos do MDC/SP é contribuir para o reconhecimento da Congada como manifestação cultural brasileira pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Questionado sobre o assunto, Deo diz que isso não deve acontecer tão cedo. Pelo menos, “não no atual governo”, ele acredita.

“Em 2013, ano que desenvolvemos essa parceria, o Iphan aproveitou mais dois projetos que estavam inscritos no mesmo edital que vencemos e decidiram tornar os resultados das três iniciativas como parte de um dossiê que quando concluído poderá eleger a Congada como patrimônio cultural, mas é um processo demorado, uma vez que essa manifestação ocorre em quase todo o país e nós somos apenas uma célula nesse conjunto”, explica.

Além da dificuldade de mapear as manifestações de todos os estados brasileiros, o que certamente leva tempo, Deo destaca que o órgão “era uma entidade sólida”, composta por um “corpo acadêmico de altíssimo nível dentro da área das ciências humanas”, porém “infelizmente não é o que se vê hoje”.

Deo, que também é músico, segue dizendo que sempre soube que um acervo como o do MDC/SP “não despertaria o interesse de grandes públicos”, mas a análise que ele faz é a deve-se comemorar o fato de os itens hoje catalogados continuam disponíveis para acesso. “É um material didático, específico, e que também é uma ferramenta de difusão dos grupos tradicionais de Mogi das Cruzes, primeiramente, bem como da expressão popular, que é a Congada e suas variações”.

Repasse mantém ajuda a grupos durante a pandemia

No final do mês de março, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo anunciou o repasse de R$ 15.900,00 à Casa do Congado, em forma de “apoio às necessidades básicas dos mestres e integrantes dos coletivos de cultura popular de Mogi”. O valor foi dividido em três parcelas, das quais uma já foi paga, e tem, segundo o presidente da entidade, Deo Miranda, sido usado para o que é “mais necessário” aos grupos de Congada, Marujada E Moçambique da cidade neste “momento de incerteza, quando todo tipo de suporte é bem vindo”.

“Logo no início da quarentena a Cultura imediatamente iniciou toda uma movimentação para atender as exigências jurídicas e garantir que esse aporte chegasse o mais rápido possível aos seus beneficiados. Naturalmente essa medida foi muito bem recebida por todos”, diz Deo.

Ainda segundo ele, o repasse garantiu “a nove mestres tradicionais uma situação igual ao programa de apoio financeiro da Caixa Econômica Federal, com a diferença de que nenhum deles precisou enfrentar nenhum tipo de contratempo” para receber o dinheiro.

Como diz o presidente da Casa do Congado, a medida é “bem-vinda”, pois as manifestações culturais sob o guarda-chuva da entidade dependem da aglomeração de dançantes, o que por hora não é possível. “Os grupos estão inativos, assim como todas as outras coisas. Cada dançante individualmente segue cuidando dos seus afazeres pessoais, sem muita possibilidade de uma atividade mesmo online”.

Até o momento, apenas uma live foi promovida, pela mestra Gislaine Afonso, da Congada de Santa Efigênia, mas só porque todo o núcleo familiar dela, incluindo os filhos e o marido, são congadeiros.

Uma das contrapartidas para o recebimento do apoio de praticamente R$ 16 mil é que, quando a pandemia passar, todos os grupos da cidade façam parte de uma “programação cultural que ainda será elaborada, provavelmente no formato de um Festival de Cultura Popular”, o que ainda não tem previsão de data ou local.

Filmes são opção durante a quarentena

Por enquanto, o conteúdo do portal Memória Digital da Congada de São Paulo (MDC/SP) só pode ser acessado pelo link oficial. No entanto, Deo Miranda diz que “há um plano para que os títulos fonográficos sejam disponibilizados em plataformas digitais”, o que deve ser feito via distribuidora. Enquanto isso não acontece, ele lista três documentários disponíveis em mdcsp.com.br que valem a pena serem assistidos agora, quando as pessoas estão em isolamento social.

“Indico três filmes”, diz ele. O primeiro, ‘Mestres das Tradições Populares do Alto Tietê’, não é exatamente sobre congada, mas agrega relatos interessantes sobre os conhecimentos de alguns dos mais notáveis dançantes de Mogi das Cruzes, “entre eles Robertinho do Tarol, Donizete Aparecido e Zé Tavares, que confrontam suas visões sobre o que é ser um mestre de determinados fazeres e tradições, com outros notórios como Valdeck de Garanhuns e Nerival Rodrigues”.

A dica segue com o título ‘Reinado de Congos de Mogi das Cruzes’, que apresenta um relato sobre a orígem desse alglomerado de grupos, contada pelos proprios mestres, e há ainda “a produção mais recente feita dentro do projeto Cantos Sagrados (Rumos Itaú Cultural)”, ‘No Congado de Vila de Sant´anna – A Reza Nossa De Cada Um’, curta que exibe pela primeira vez relatos de dançantes congadeiros sobre suas práticas religiosas além do catolicismo.


Deixe seu comentário