Prazos a conferir

Se as expectativas se confirmarem, no ano que vem, Mogi das Cruzes passará a oferecer alguns importantes serviços públicos destinados ao tratamento e acompanhamento de pacientes dependentes do crack, álcool e outras drogas com a construção de três unidades de saúde; duas municipais e uma estadual. São projetos em fase de contratação e execução que atenderão a uma parcela da população desassistida. Mogianos com algum grau de dependência quando conseguem o acesso ao tratamento são assistidos em clínicas particulares ou nas pouquíssimas unidades públicas existentes em outras cidades.
Um problema de saúde pública mundial, a dependência química tem chamado a atenção no noticiário local nos últimos meses por causa do crescimento dos crimes ligados ao tráfico de drogas. Anteontem, O Diário publicou uma reportagem que aponta o crack como sendo um dos entorpecentes mais consumidos por adolescentes ameaçados de morte por traficantes na Cidade, segundo afirmam representantes do Conselho Tutelar de Braz Cubas.

Subproduto e, por isso, mais barato, o crack é uma das substâncias mais utilizadas por crianças, adolescentes, mulheres e homens adultos. Não se tem dados específicos sobre o comportamento dos mogianos em relação à drogadição. No mundo, as estimativas apontam que uma parcela de 4,7% é dependente químico, o que dá uma noção sobre o número de pessoas que poderão ser assistidas, desde que queiram.

A atualização sobre andamento desses projetos começou a ser dada semana passada, pelo secretário estadual de Saúde, David Uip. Ele confirmou que o Governo do Estado deverá ampliar a capacidade de atendimento da Clínica de Dependentes, no Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, em Jundiapeba, no ano que vem. Ontem, o secretário municipal de Saúde, Marcello Cusatis, confirmou a expectativa de abrir a Unidade de Atendimento (UA) e o primeiro Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD), ambos a serem construídos na Vila São Francisco, também no decorrer de 2016.

Poucas cidades brasileiras possuem esses dois equipamentos. Ambos funcionarão 24 horas por dia, com assistência terapêutica e moradia em caráter transitório. Hoje, pacientes e dependentes enfrentam uma dura realidade: o tratamento e a cura da dependência são conquista de poucos. Em geral, as clinicas existentes são precárias e as melhores, inacessíveis porque são caríssimas. Na rede pública, a disputa por uma vaga, muitas vezes, depende de uma sentença judicial. Sob esse aspecto, ainda que as notícias sejam promessas para o ano que vem, elas são um alento.