APOSTA

Prefeito detalha os projetos para deter enchentes; Lavapés e Corvos terão obras para combater alagamentos

PROJETO Serviço de macrodrenagem no Córrego dos Lavapés será solução para livrar a região dos alagamentos no período de fortes chuvas, segundo o prefeito Marcus Melo. (Foto: arquivo)
PROJETO Serviço de macrodrenagem no Córrego dos Lavapés será solução para livrar a região dos alagamentos no período de fortes chuvas, segundo o prefeito Marcus Melo. (Foto: arquivo)

A realização de obras estruturantes de macrodrenagem e a construção de coletores troncos no Córrego Lavapés, previstas no programa +Mogi EcoTietê, deve amenizar o problema de enchentes na região da Vila Oliveira, Parque Monte Líbano, Jardim Armênia e outros locais que sofrem com isso sempre que há uma chuva mais intensa em Mogi das Cruzes. Pelo menos essa é a aposta do prefeito Marcus Melo (PSDB), que espera a aprovação do financiamento de agentes internacionais para iniciar as intervenções ainda neste ano.

Até lá, a cidade continua em estado de alerta nesse período crítico de chuva, monitorando a vazão dos rios e implementando as medidas previstas na Operação Verão para amenizar as consequências de enchentes. O Tietê e seus afluentes estão cheios, com volume acima do normal e o próprio prefeito admite que se voltar a cair um grande volume de água em curto período de tempo, Mogi ficará alagada novamente, a exemplo do que aconteceu no último dia 8. Ele explica que não há nada que possa ser feito a curto prazo nesse momento para impedir que isso aconteça.

O Tietê está alto e qualquer chuva mais forte em Biritiba, na cabeceira em Salesópolis, ou na região do córrego do Ipiranga e do rio Negro, pode provocar enchentes. O consolo é que a Prefeitura conseguiu retirar as famílias que estavam ocupando as áreas com perigo de deslizamentos em alguns pontos do município. “Se a população não tivesse sido retirada de áreas de risco, os problemas seriam maiores”, afirma.

Melo observa, no entanto, que o que aconteceu naquela tarde de quarta-feira foi “atípico” e não reflete a realidade do município, por isso não existe a necessidade de mudar o plano de obras da Prefeitura para construir um sistema de drenagem no centro ou mesmo novos piscinões, já que a cidade tem outras prioridades.

No ano de 2017, o prefeito criou um grupo para avaliar as necessidades da cidade como um todo. O trabalho foi capitaneado pelo titular da Pasta de Planejamento, Cláudio de Farias Rodrigues, com a participação de vários secretários, para definir necessidades que deveriam ser priorizadas do ponto de vista de receber investimentos. Foi aí que nasceu o projeto +Mogi Ecotietê. O investimento total para no programa é de R$ 365,3 milhões e os recursos estão sendo pleiteados junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

O Projeto +MogiEcoTietê prevê uma série de obras voltadas para mobilidade, desenvolvimento urbano e socioambiental. O plano prioriza o saneamento de toda a região oeste, no distrito de César de Souza que polui o rio Tietê diretamente.

A região da Vila Oliveira e do Parque Monte Líbano, onde fica o Clube de Campo, será contemplada com as obras no córrego Lavapés, que devem conter os problemas. Mesmo assim, as intervenções não vão acabar com as enchentes no Tietê.

“Isto dependeria de uma série de outras ações para as quais a Prefeitura depende de recursos do governo federal, além de medidas como o desassoreamento de cursos d’água, sistematicamente cobrado do Estado”, reforça o prefeito.

Existem outras obras de contenção de enchentes no plano municipal de macrodrenagem, que aponta pontos críticos onde devem ser construídos piscinões, como o da Vila Ressaca. Porém, Melo afirma que uma tomada de decisão aponta outras necessidades.

Ele explica que o projeto do piscinão para o local foi apresentado há mais de cinco anos (governo Marco Bertaiolli) previa um investimento de 100 milhões. Mas, os recursos para as obras não foram aprovados pelo Governo Federal. A Prefeitura consultou os vereadores e decidiu priorizar outras obras.

“O saneamento, por exemplo, é uma delas. O que é mais importante? Colocar esgoto nos bairros que ainda não têm ou fazer uma drenagem para resolver aquele caso específico que prejudicou a cidade, mas que depois de 30 minutos já tinha tido o seu encaminhamento correto? É uma discussão que o prefeito não decide sozinho”, enfatiza. Isso não significa, no entanto, que obras de contenção estejam descartada e que não possam ser realizadas futuramente.

Córrego dos Corvos receberá serviços

O programa +Mogi Ecotietê, lançado pelo governo municipal, é norteado por projetos voltados para o desenvolvimento socioambiental, mobilidade e desenvolvimento urbano. O plano envolve o saneamento nos Córregos Lavapés e Corvos, obras idealizadas pela Prefeitura para acabar com os alagamentos na região da Vila Oliveira e área próxima ao Clube de Campo.

Para o Lavapés, estão previstas a execução de obras estruturantes de macrodrenagem e construção de coletores troncos. Nas intervenções que serão realizadas no córrego, constam a implantação de novas redes de drenagem e revisão das ligações residenciais em leito.

O secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, Cláudio de Faria Rodrigues explica que o córrego Lavapés é afluente do rio Tietê, com extensão de 4,16 km, sendo que num percurso de 1,04 km já é canalizado e com captação de esgoto. Esse trecho vai da Foz do rio Tietê até as proximidades do Supermeracado D’Ávó.

O córrego nasce na Vila Oliveira, região em que ele é tubulado com trechos a céu aberto. “Contudo, por ser uma rede muito antiga, possui trechos com estrangulamentos e vazão deficiente. A obra a ser realizada contemplará a execução de macrodrenagem ao longo de todo o córrego (aproximadamente 3km), com a implantação da macrodrenagem por meio de tubulação, galerias em aduelas de concreto armado, com o devido dimensionamento para o escoamento e ações de drenagem de toda a bacia do Lavapés, além da implantação de novas redes de captação de esgoto”, descreve.

O projeto prevê também a realização de obras de macrodrenagem e construção de coletor tronco nos Corvos, com a instalação de tubulação, aduelas e canal de concreto a céu aberto, nos trechos onde ainda estes serviços não foram executados, entre o Residencial Ipoema até a foz no Rio Tietê.

Financiamento

Essas ações custarão R$ 51 milhões, que serão financiados. A expectativa é de assinar o contrato ainda neste primeiro trimestre. Rodrigues conta que em novembro, uma comitiva mogiana participou, em Brasília, de uma série de reuniões na Secretaria de Assuntos Internacionais (Sain), ligada ao Ministério da Economia, para discutir a fase final de aprovação do financiamento.

Essa negociação já foi concluída com a aprovação técnica para a obtenção dos recursos junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e garantia da União. Agora, o processo encontra-se na última fase institucional que antecede a assinatura do contrato, momento que o programa será encaminhado para validação da Casa Civil em conjunto com a anuência do Senado.

Cidade não tem morador em regiões de alto risco

Em Mogi das Cruzes, o monitoramento nesta época critica de chuvas é reforçado com a Operação Verão, programa que mantém em alerta a Defesa Civil e agentes envolvidos no atendimento de emergência. O trabalho coordenado pelo secretário municipal de Segurança, coronel Paulo Roberto Madureira Sales, conta com a participação de agentes do Samu, Semae, Guarda Municipal, Bombeiros, Cetesb, Polícia Civil, Militar e Rodoviária, DAEE, Tiro de Guerra, Sabesp, DER e EDP.

Sales explica que a equipe Defesa Civil faz um planejamento técnico e de contingência para enfrentar os problemas de calamidade com as melhores ações. Antes de iniciar os trabalhos, os envolvidos elaboraram uma estratégia de trabalho e uma escala de cada grupo para casos de avisos quando acontecem situações como enchentes ou deslizamentos de terras.

A Defesa Civil de Mogi têm oito integrantes, sob a coordenação de Walter Melo, que trabalham em escala de 24 horas direto, acompanhando as informações meteorológicas constantemente em sites especializados.

Na maioria das vezes esse serviço funciona, mas há situações imprevisíveis como a que ocorreu no último dia 8, em que era esperado 23 milímetros e choveu 102 milímetros. “Houve uma intempérie de ventos que empurrou a chuva para a nossa região leste e pegou a cidade de surpresa”, alega Sales.

Em momentos como esse, diz o secretário, todos órgãos precisam contribuir para manter o controle da situação e reduzir a possibilidade de riscos. “Então, por exemplo, se há queda de árvores em uma determinada rua, uma equipe já é acionada e encaminhada ao local para resolver. Se tem quebra de bueiro outra vai para o local. Quando acaba energia, avisa a EDP”, explica.

Apesar desse período exigir cuidados especiais, Sales afirma que em Mogi a situação está sob controle. Ele disse que há alguns locais problemáticos de risco médio e baixo, a maioria em áreas particulares, que são monitorados 24 horas. Diz ainda que não há moradores em locais de alto risco, porque entre 800 a 1000 famílias foram retiradas de áreas críticas no Conjunto do Jéfferson, Bosque, Jardim Layr, Jundiapeba, Santos Dumont, entre outros.

O secretário lembra também os trabalhos preventivos realizados neste ano pela Prefeitura que promoveu a limpeza de 1786 bocas-de-lobo e grelhas; desobstruiu 10,5 metros de redes de galerias subterrâneas; implantou 2.939 metros de rede de galerias. Construiu 169 caixas pluviais e reformou outras 822 unidades. Realizou ainda 594.8 m2 de roçagem de córregos e valas e implantou 2.194 metros de guias e sarjetas.


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