Prefeito Marcus Melo: ‘Regra geral é permanecer em casa’

COVID-19 O Prefeito Marcus Melo acredita que o distanciamento social é importante arma no combate ao avanço da pandemia. (Foto: arquivo)
Prefeito afirma que está fora de cogitação retomar o aparato produtivo e sentenciar mogianos à morte.

À frente das decisões administrativas exigidas pelo combate ao novo coronavírus, o prefeito Marcus Melo aponta como maior desafio buscar respostas rápidas para a excepcionalidade da atual crise sanitária mundial. É imprevisível saber quanto tudo vai voltar ao normal. Essa é uma questão, segundo ele, “para a qual não temos resposta”. Ciente sobre o que move as pessoas a cobrarem a retomada das atividades profissionais, afirma que a redução das medidas de isolamento social e de higiene – “a única forma de prevenção ao vírus”- acontecerá de maneira gradual e amparada “nas recomendações da comunidade médica e científica”. Até lá, pede: “regra geral é permanecer em casa”.

As medidas de combate à disseminação do novo coronavírus, que transmite a Covid-19, estão sendo apresentadas pelo prefeito em transmissões online, “lives” feitas pela internet, às 18 horas. E é neste palco de comunicação virtual que o acirramento da divergência de opiniões e ideias a respeito da quarentena e das decisões governamentais tomadas pelas esferas federal, estadual e municipal se revela de maneira mais forte. O prefeito também foi alvo de ataques pessoais em protestos realizados na semana que passou. 

A O Diário, na seguinte conversa exclusiva sobre a administração da operação de prevenção à propagação da Covid-19, Marcus Melo pontua que “está fora de cogitação retomar o aparato produtivo e sentenciar milhares de mogianos à morte”, quando indagado sobre a polarização de opiniões agravada pelos desencontros de informações alimentados pelo presidente Jair Bolsonaro. 

A rápida dinâmica do enfrentamento da doença que, sobretudo visa blindar o serviço público da superlotação dos serviços hospitalares, é marca desses tempos. Por isso mesmo se torna imprevisível apontar as próximas medidas a serem adotadas. 

O prefeito mira mudanças positivas, a partir desse flagelo mundial, como o fortalecimento da solidariedade entre as pessoas. Por outro lado, prevê sérias dificuldades para a retomada da economia. Confira o que ele diz sobre o mais sensível instante do quarto ano da gestão cumprida por ele como prefeito:

O maior desafio

Saber quando tudo volta ao normal, questão para a qual não temos resposta. Dentro desse contexto, as pessoas cobram a retomada das atividades profissionais, por questão de sobrevivência. Seja para manter seus negócios, seja para manter seus empregos.

Isolamento prossegue

Isolamento social e medidas de higiene são a única forma de prevenção contra o vírus. Na saúde, todas as consultas, cirurgias eletivas e exames foram suspensos para que as estruturas e equipes se concentrem no atendimento às vítimas com sintomas da Covid-19. Mas, há casos em que a busca de assistência médica não pode esperar. Para estes, a recomendação é ligar para 160, onde os profissionais darão a diretriz correta. Quem apresenta febre, tosse e dificuldade de respirar – principais sintomas do novo coronavírus – deve pedir o auxílio do Disk-Corona pelo número 4798-5160, que funciona 24 horas por telefone ou WhatsApp, sendo operado por profissionais de saúde capacitados para dar as devidas orientações a cada caso. Para outros compromissos, utilizem os canais virtuais (telefone e internet). A Prefeitura disponibiliza canais remotos para demandas de todas as áreas. Basta consultar o portal www.mogidascruzes.sp.gov.br. Regra geral é permanecer em casa.

Medicina e ciência

Quanto à retomada, estamos monitorando continuamente a situação e, havendo um quadro favorável sob o aspecto científico e amparado nas autoridades sanitárias, viabilizaremos o gradativo funcionamento de determinados setores. Mas, tudo isso, repito, amparado nas recomendações da comunidade médica e científica.

Mudanças pós-Covid

Eu acredito em mudança em tudo. Por força do hábito durante a pandemia, as pessoas tendem a ser mais cuidadosas com a própria higiene e etiqueta respiratória, além de estarem mais propensas a atos solidários e à valorização da família, do convívio com aqueles que amam. Penso ser o lado positivo das restrições decorrentes do vírus. 

A crise é mundial e afeta indistintamente toda a cadeia produtiva. Muitos setores passam a demitir. Sem emprego e renda, cai o consumo. As pessoas ficam sem dinheiro para comer e pagar contas. Com tudo isso, diminui a arrecadação aos cofres públicos. Do bolo tributário recolhido no País, mais de 60% fica para o governo federal, cerca de 25% para os estados e menos de 15% para os municípios. Significa que a parcela repassada às cidades será ainda menor, por conta da pandemia.

Neste cenário, estamos continuamente avaliando o que será possível fazer. Nosso desafio cotidiano é manter os serviços públicos existentes e viabilizar recursos para as ações emergenciais relacionadas à pandemia, especialmente na saúde, assistência social, segurança e limpeza públicas. Entendo ser vital a ajuda dos governos federal e estadual para socorrer tanto as prefeituras quanto as empresas para preservar empregos, a manutenção familiar e o poder de consumo.

Decisões 

Todas as decisões são difíceis porque impactam a vida das pessoas de maneiras inimagináveis. Por exemplo, tivemos de suspender todas as atividades não essenciais para diminuir a circulação e aglomeração das pessoas.

Para diminuir o prejuízo, criamos uma plataforma para comercialização on-line desses produtos. Dia e noite, buscamos meios de diminuir o impacto da quarentena na vida dos mogianos. É o caso do Comitê de Ação Social e Econômica que criamos para fornecer cestas básicas às pessoas em vulnerabilidade social, porque tiveram suas atividades profissionais suspensas. Também equiparemos um espaço para acolhimento a pessoas em situação de rua e outras ações.

Também suspendemos os cortes de água do Semae por inadimplência e a conta com vencimento neste mês de abril, assim como a parcela do IPTU. Estamos conversando quase que diariamente por meios eletrônicos com representantes dos setores produtivos. Enfim, faremos tudo aquilo que for possível fazer para diminuir os impactos econômicos sobre a nossa cidade.

Presidente e polarização

Só lamento que tenhamos uma inexplicável divergência de conduta em meio à grave emergência de saúde pública que atinge todo o mundo. É um absurdo subestimar um inimigo perigoso e ainda enigmático. Está fora de cogitação retomar o aparato produtivo e sentenciar milhares de mogianos à morte. Os esforços são para nos dar tempo de preparar a rede de saúde – como o aumento de leitos de UTI e o Hospital de Campanha –, enquanto cientistas buscam tratamento e imunização. Trabalhando, a gente recupera as engrenagens socioeconômicas. Já a vida de quem a gente ama não dá para recuperar!

O que virá

Não consigo antecipar ações porque, como disse, trabalhamos continuamente na análise dos problemas e busca de soluções. Esse monitoramento, associado à avaliação das finanças municipais, indica novas medidas. Uma das mais recentes foi a decisão de comprar alimentos dos pequenos produtores rurais. De um lado, evitamos que percam suas plantações. De outro, incrementamos as cestas básicas distribuídas à população mais carente.

Condemat

O Condemat é formado por excelentes gestores municipais, como o prefeito de Guararema, Adriano Leite que, inclusive, tem experiência no comando do órgão. Continuo no Condemat contribuindo com tudo o que eu puder. Só me afastei da presidência por prudência jurídica, acolhendo recomendação da minha equipe.

Eleição: sim ou não?

Nesse momento, a prioridade é o combate ao Coronavírus.


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