CONDEMAT

Prefeitos do Alto Tietê se unem para elevar a classificação da região e flexibilizar parte da quarentena

SITUAÇÃO Rua Thuller, no Jardim Universo, é uma das vias de Mogi das Cruzes que registra grande movimento na quarentena. (Foto: Eisner Soares)

Os prefeitos do Consórcio de Desenvolvimento do Alto Tietê (Condemat) farão uma força tarefa neste final de semana para tentar alinhar a região a todas as exigências do Comitê Estadual Gestor da Covid-19, a fim de elevar a classificação de Mogi e municípios vizinhos ao nível 2 no Plano de Retomada Consciente da Economia, que permite flexibilização de várias atividades a partir do dia 1º de junho.

Uma nova avaliação desses indicadores previsto no Plano de Retomada Consciente da Economia, lançado no início da semana pelo Estado deve ser feita na terça-feira, data agendada para outro encontro do Condemat com o secretário de Estado de Desenvolvimento Regional, Marcos Vinholi, e integrantes do Comitê Estadual Gestor da Covid-19. Caso o Alto Tietê continue na fase 1, na qual está incluída toda a região Metropolitana de São Paulo, só poderá iniciar a flexibilização a partir do dia 15 de junho.

A expectativa do prefeito Marcus Melo (PSDB) é “otimista” sobre essa possível mudança da classificação do Alto Tietê para a faixa amarela já a partir da próxima semana. Mesmo tendo que permanecer isolado para cumprir a quarentena exigida a pessoas contaminados pela Covid-19, ele disse que participará virtualmente do esforço conjunto, que envolverá também os secretários de saúde do Alto Tietê.

“O objetivo é reunir os prefeitos da região no final de semana para conversarmos, atualizar os dados e entender com mais calma tudo o que precisa ser feito para entrarmos na fase 2. Estamos trabalhando em grupo para que uma cidade possa dar apoio e ajudar a outra a cumprir as exigências”, enfatiza. Os indicadores consideram a densidade, quantidade de leitos proporcional à

população, estágio de contágio e capacidade de transmissão dos vírus em cada local.

Segundo Melo, apesar de Mogi contar com estrutura hospitalar montada para pacientes com a Covid-19, a situação do município deve melhorar com a chegada nos próximos dias de ventiladores, encaminhados pelo Estado para abertura de mais 20 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 129 de enfermaria, além dos 200 leitos de Hospital de Campanha.

Além disso, Guararema e outras que não dispõem de muita oferta estão contratando leitos da rede privada para ampliar a capacidade de atendimento. Tudo será feito, de acordo com Melo, para atender os requisitos exigidos para a região ser incluída na zona amarela, o que permite a reabertura de escritórios, imobiliárias e shoppings centers a partir da próxima semana.

Ele alega que já há estudos elaborados tanto pela Prefeitura como por entidades como o Sincomércio, com planos para retomada de atividades de forma programada, seguindo os protocolos de saúde para evitar a propagação do vírus. O Mogi Shopping informa que também possui seu plano de reabertura, que contempla medidas de segurança sugeridas pelos órgãos de saúde e que a retomada das atividades respeitará as decisões oficiais dos governos do Estado e município.

Independentemente destas questões, o prefeito faz questão de alertar que a cidade ainda está em quarentena e que a população deve ficar em casa, seguindo as medidas de segurança.

Governador

As lideranças políticas da região bem que tentaram. Prefeitos do Consórcio de Desenvolvimento do Alto Tietê (Condemat) e deputados estaduais participaram de reuniões com vários agentes do governo e apresentaram indicadores comprovando que Mogi e cidades vizinhas têm capacidade instalada para atender as demandas do novo coronavírus, mas não teve jeito. O governador João Doria (PSDB) foi enfático: “Não vamos ceder a pressões de ninguém. Nosso compromisso é com a ciência”, disse ele ontem ao confirmar, durante a live, que manterá a Grande São Paulo na zona vermelha, de alto risco para a Covid-19, até que os municípios atendam todos os quesitos para passar para a fase 2.

O Governo do Estado, no entanto, atendeu ao pedido do Condemat e confirmou ontem a separação da região da Grande São Paulo no âmbito do Plano de Retomada Consciente, que estabelece as fases para reabertura das atividades econômicas. Com a classificação individualizada, a expectativa é que as cidades do Alto Tietê possam sair da etapa vermelha e, consequentemente, passar para a amarela e iniciar a flexibilização da quarentena a partir da próxima semana.

“As prefeituras devem baixar novos decretos, prorrogando a quarentena até a reavaliação da região neste novo formato criado pelo Estado. Enquanto isso, concentramos os esforços no levantamento de dados e atualização do sistema de capacidade hospitalar para atender os requisitos necessários e pleitear a mudança de fase já na próxima semana”, ressalta o presidente do consórcio, prefeito Adriano Leite.

Com o desmembramento da Grande São Paulo em cinco regiões, o Estado analisará separadamente critérios como capacidade hospitalar para atendimento Covid-19 e a taxa de avanço de casos e mortes provocadas pelo coronavírus. Também serão avaliadas as características demográficas do Alto Tietê, assim como os índices de isolamento social.

Comércio debate protocolo para reabrir

A Prefeitura de Mogi e as entidades representantes do comércio da cidade e o shopping discutem protocolos a serem seguidos quando for possível a reabertura de estabelecimentos comerciais. Ainda não há data prevista para mudanças. A ação faz parte do Plano de Retomada Econômica, da administração municipal, para estimular a economia da cidade, a geração de empregos e renda.

Nesta quinta-feira, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Social esteve em contato com a Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC), com o Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes (Sincomércio) e com o Mogi Shopping. As entidades enviaram contribuições com medidas propostas para o período de reabertura, com medidas relativas ao atendimento, horários diferenciados, disponibilização de materiais de higiene, como álcool em gel, utilização de máscaras e ações para evitar a aglomeração de pessoas.

Nesta semana, o Estado anunciou o plano para retomada das atividades econômicas e enquadrou Mogi na Região Metropolitana de São Paulo, onde foi mantida a restrição máxima e funcionamento apenas dos serviços essenciais. Na quinta-feira, o prefeito pediu reanálise da classificação do município e ontem o Estado anunciou que a Região Metropolitana será dividida em sub-regiões para que seja feita a análise individual das situações, com as especificidades locais.

A primeira decisão do Estado de manter a permissão de funcionamento apenas dos serviços essenciais até o próximo dia 15 encontrou resistência na cidade, principalmente do comércio. “A direção da ACMC (Associação Comercial de Mogi das Cruzes) discorda e manifestou seu apelo ao prefeito Marcus Melo (PSDB) para que tente reverter isso junto ao Governo do Estado o mais rápido possível. A entidade espera que essa situação seja revista e as atividades econômicas possam ser retomadas, gradativamente, a partir da próxima semana, visto que os empresários têm plena consciência das medidas de controle que devem ser adotadas na reabertura dos estabelecimentos, entre elas, o uso de máscaras”, disse a ACMC, por meio de nota.

Para o presidente da entidade, Marco Zatsuga, é insustentável a permanência das restrições atuais no comércio, principalmente diante do início da flexibilização na Capital. Porém, mais do que isso, afirmou entender que os empresários têm plena consciência das medidas de segurança que precisam ser adotadas para que a retomada das atividades não comprometa o controle do coronavírus na cidade.


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