TRANSPORTE

Prefeitura anuncia a troca de 47 ônibus e a realização de nova pesquisa sobre origem e destino; valor da tarifa será mantido

TRANSPORTE As empresas CS Brasil e Princesa do Norte realizam 3,6 mil partidas por dia para atender aos passageiros do sistema municipal. (Foto: arquivo)

O prefeito Marcus Melo (PSDB) divulgou que a tarifa do transporte coletivo municipal não terá reajuste este ano. O valor será mantido em R$ 4,50 para o pagamento integral e R$ 1,87 para os estudantes. A CS Brasil solicitou a elevação do preço da passagem para R$ 5,26, enquanto a Princesa do Norte para R$ 5,46. As duas são concessionárias que operam o serviço na cidade. Apesar da insistência de O Diário em saber dessas propostas há dias, o valor foi mantido em sigilo pelo executivo até a manhã desta quarta-feira (15). A decisão foi tomada sem a apreciação do Conselho Municipal de Transportes e da Câmara Municipal.

Segundo o chefe do executivo, todos os anos as despesas das empresas são analisadas. Elas incluem folha de pagamento, valor do combustível, desgaste dos veículos e as obrigações contratuais, como a compra de veículos para a manutenção da idade da frota. De acordo com Melo, por isso, nos outros anos, o reajuste foi justificado como “cláusula contratual”. “A gente senta, faz uma análise, e nós entendemos que o sistema, da maneira que está, e com uma inflação baixa, é possível manter a tarifa neste valor”, destacou.

O prefeito garantiu ainda que a negativa ao pedido das empresas não vai afetar a qualidade do serviço prestado. Atualmente a cidade conta com 247 ônibus – 231 deles com wi-fi – que atendem as 85 linhas, em 3,6 mil partidas diárias. Só no ano de 2019 foram transportados 39,4 milhões de passageiros, 34,1% deles com direito à gratuidade.

Para este ano, a frota deve ter a troca de 47 veículos, sendo 27 pela CS Brasil e 20 pela Princesa do Norte. Com isso, a idade média da frota diminui de 2 anos e 10 meses para 2 anos e 7 meses.

A última elevação da tarifa do transporte municipal foi em janeiro de 2019. O valor da passagem do transporte coletivo municipal foi elevado em 12%, considerando a inflação acumulada entre os anos de 2017 e 2018 e passou de R$ 4,10 para R$ 4,50.

No início de 2018, o preço também foi mantido em R$ 4,10. No final de 2017, inclusive, a Câmara Municipal aprovou por mais três anos a isenção do Imposto Sobre Serviço para as duas concessionárias do transporte coletivo de Mogi, que já vem desde 2013.

Origem e destino

O prefeito anunciou ainda que será contratado um novo estudo sobre o atual sistema de transporte coletivo da cidade. O último foi realizado no ano de 2010. A meta é descobrir as demandas criadas na última década com o crescimento populacional nos bairros, onde a maior parte dos moradores e trabalhadores são dependentes do transporte público. Um estudo consegue apontar o comportamento da mobilidade urbana, a partir dos dados sobre a origem e o destino das pessoas que se locomovem pelo transporte público, bem como de outras formas, como a bicicleta e o trem.

“Nós vamos fazer uma reavaliação, se este sistema é hoje o melhor para Mogi, e o que mais podemos oferecer ao consumidor final, que são os passageiros. Se o atual sistema, o tamanho do ônibus, o corredor, como os cartões, estão condizentes. Hoje você pode pegar um ônibus em Jundiapeba, descer no Centro e ir para a região leste, os estudos são feitos para manter tudo isso, inclusive a gratuidade”.

A decisão de Mogi segue a tomada por outras cidades do entorno. O prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi, do PL, foi o primeiro a negar o reajuste à empresa Radial. Desde janeiro, São Paulo reajustou as tarifas de ônibus, metrô e trens para R$ 4,40, R$ 0,10 a menos do que praticado em Mogi há mais de um ano.

As empresas

Na tarde desta quarta-feira, questionada sobre a decisão do prefeito de manter o valor, a CS Brasil afirmou, por meio de sucinta nota, que “só se pronunciaria quando fosse oficialmente comunicada, o que ainda não aconteceu” sobre a determinação. O anúncio sobre a manutenção do valor da passagem foi feito publicamente pelo prefeito durante a manhã.

Já o gerente regional da Princesa do Norte, Luiz Mendes, comentou que a empresa ainda irá avaliar os reflexos da medida que tornará 2020, “um ano difícil”. Ele adiantou ainda que sem o reajuste, “nem mesmo sobre o índice da inflação do ano”, a operação do serviços sentirá os impactos.

Ele lembrou que em 2018, também um ano eleitoral, o reajuste não foi dado.

A Princesa do Norte possui 500 funcionários para manter o sistema municipal de trânsito.

A empresa havia solicitado um reajuste para R$ 5,46% para cobrir os custos operacionais.

Prefeitura vai instalar 670 coberturas

O prefeito Marcus Melo (PSDB) também assinou um contrato de licitação para a compra de 670 abrigos para ponto de ônibus, sendo que 200 deles serão adquiridos com investimento da administração municipal e outros 470 por meio de financiamento com a Caixa Econômica Federal.

“A instalação dos novos abrigos será pensada. Há locais, por exemplo, que já contam com o equipamento, mas receberão um novo e este será encaminhado a um local onde ainda não há. A nossa equipe, inclusive os vereadores, irá apontar esses locais. A gente tem que pensar em trazer conforto para os usuários”, destacou.

O secretário municipal de Transportes, José Luiz Freire de Almeida, apresentou a evolução no número de abrigos na cidade. Segundo ele, em 2016, no início da gestão Melo havia 600. Até o momento foram instalados mais 100, enquanto este ano deve terminar com os novos 670. Com isso, a cidade terá uma elevação de 128,3% no número de pontos de ônibus com cobertura, de 600 para 1.370.


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