PANDEMIA

Prefeitura de Mogi das Cruzes inicia a construção de 600 novos jazigos

600 novos túmulos são preparados no Cemitério da Saudade, em Braz Cubas, pela Prefeitura de Mogi, de forma preventiva. (Foto: divulgação – PMMC)

A Prefeitura de Mogi das Cruzes iniciou a construção de 600 novos jazigos no Cemitério da Saudade, localizado em Braz Cubas. As obras, que seguem ritmo acelerado e devem ser concluídas em 30 dias, têm o intuito de preparar o município para atender um possível – mas não esperado – aumento repentino no número de vítimas fatais do novo coronavírus. A ampliação também é uma forma desacentuar o deficit de vagas nos cemitérios mogianos causado pelo acelerado crescimento populacional dos últimos anos.

De acordo com o secretário de Governo, Marcos Soares, responsável pela gestão dos cemitérios municipais, com a medida, a cidade busca “estar preparada para lidar com a pandemia”, situação classificada pelo profissional como de “difícil previsibilidade”. Em entrevista a O Diário, o titular destaca que três reuniões já foram realizadas em Mogi para definir o fluxo transitório das pessoas acometidas pela Covid-19 e os cuidados que serão adotados para impedir a transmissão do vírus dentro dos cemitérios.

Evitando o alarmismo, Soares reforça que no cenário atual, “a melhor defesa é a prevenção”. De acordo com ele, não há previsões de que o sistema funerário de Mogi entre em colapso, assim como já é observado em outras cidades do mundo.

A postura adotada pela Secretaria Municipal de Saúde diante da pandemia foi elogiada por médicos entrevistados por O Diário, que apontam que a cidade está “um passo a frente do vírus”, e que medidas restritivas foram seguidas antes de um aumento muito grande na transmissão do vírus na cidade. A pasta, porém, se mantém alerta, e pede que a população permaneça em casa.

“Vou fazer mais um apelo, como médico. Essa sensação de aparente calmaria está fazendo crescer a expectativa para a abertura do comércio. A verdade é que nós estamos exatamente como estava Milão, Itália, há um mês, por isso não percam de vista a ideia do tsunami”, voltou a alertar ontem, o secretário de Saúde Henrique Naufel, em transmissão ao vivo nas redes sociais. “Neste momento é muito importante que todos permaneçam em casa e cuidem de suas famílias”, finalizou.

“Olhando a situação de outros países, temos uma chance de aprender e nos prepararmos”, destaca Soares. O colapso no sistema funerário já é visto em Guayaquil, por exemplo, a segunda maior cidade do Equador. Segundo informou o governo local, não há caixões para todos os mortos da Covid-19 e os cemitérios não conseguem atender todas as famílias.

Soares reconhece que a cidade enfrenta um problema com o número de vagas, e que os 600 jazigos também auxiliarão nisto. Todos eles serão montados no Cemitério da Saudade. O secretário destaca que a engenharia empenhada na construção deles busca aproveitar da melhor maneira o escasso espaço dos cemitérios. “A forma como as gavetas são construídas permitem aproveitar melhor a área”, o modelo usado serve inclusive como exemplo para outras cidades.

Hospital de campanha

Outra maneira encontrada para a Prefeitura de Mogi estar um passo à frente do vírus é a rápida implantação do hospital de campanha na avenida Cívica, ao lado do Ginásio Municipal Professor Hugo Ramos, no Mogilar.

As obras seguiam ritmo acelerado na tarde de ontem, quando os trabalhadores começaram a erguer a estrutura do hospital.

GANHANDO FORMA A estrutura que vai abrigar o hospital de campanha em Mogi das Cruzes já começa a ser erguida na avenida Cívica, no Mogilar; vagas para pacientes com Covid-19. (Foto: Eisner Soares)

No total, serão 3 mil metros quadrados de área construída e capacidade para acomodar 200 leitos de retaguarda, divididos em quatro enfermarias. A unidade deve ser entregue já na próxima semana, de acordo com a Prefeitura.

Para uma comparação, o hospital de campanha do Pacaembu, em São Paulo – epicentro do novo coronavírus no país -, possui o mesmo número de leitos que o de Mogi.


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