CIRCUITO

Presidente do Fundo Social de Solidariedade, Karin Melo destaca a força da solidariedade e da empatia

Karin Melo é presidente do Fundo Social de Solidariedade e primeira dama de Mogi das Cruzes. (Foto: divulgação - Ney Sarmento - PMMC)
Karin Melo é presidente do Fundo Social de Solidariedade e primeira dama de Mogi das Cruzes. (Foto: divulgação – Ney Sarmento – PMMC)

“A pandemia e todo sofrimento que ela traz acabaram fazendo aflorar na sociedade mogiana uma dose extra de solidariedade”. É assim, com otimismo e gratidão pelo trabalho voluntário, que Karin Melo, presidente do Fundo Social de Solidariedade e primeira dama de Mogi das Cruzes, procura ver a crise atual. Nesta entrevista ela fala de iniciativas que tem ajudado milhares de famílias, como a doação de alimentos e a confecção de máscaras, além de comentar também a experiência que teve com a Covid-19, doença da qual foi recém-diagnosticada como curada.

O trabalho do Fundo Social de Solidariedade precisou ser alterado devido a pandemia de Covid-19, certo? O que mudou?

Assim que teve início este período de quarentena adiamos toda a agenda de eventos do Fundo Social, para evitar aglomerações e proteger as pessoas. Ao mesmo tempo, lançamos novas iniciativas para ajudar a quem mais precisa. O novo coronavírus paralisou a economia, milhares de famílias ficaram impossibilitadas de conseguir o seu sustento. Felizmente o mogiano é muito solidário e respondeu rapidamente aos nossos apelos. Arrecadamos toneladas de alimentos, de produtos de higiene e limpeza, máscaras de proteção facial, ração para os pets.

Além dos voluntários, contamos com a ajuda do Governo do Estado, que enviou 28 mil cestas do Programa Alimento Solidário; do Banco do Brasil que enviou recursos para atender a 10 mil famílias com kits de verduras, legumes e frutas cultivadas em Mogi; e da própria prefeitura, que adquiriu 12 mil cestas básicas.

O Fundo tem recebido doações de cestas e produtos de higiene para atender famílias cadastradas no Comitê de Ação Social e Econômica (Case). Que avaliação pode ser feita deste trabalho?

A avaliação é muito positiva! Que a experiência atual se torne um modelo e seja replicada de forma permanente em nossas vidas. Com as arrecadações, fizemos um mutirão de montagem de kits, incluindo gêneros alimentícios provenientes da merenda escolar, que está sem consumo por causa da suspensão das aulas. Após montados, eles foram destinados aos pequenos empreendedores e profissionais autônomos, que tiveram suas atividades totalmente paralisadas com a quarentena e estão cadastrados no Case. Até agora, já atendemos mais de 7,2 mil famílias e o trabalho continua.

Desde o início da pandemia milhares de máscaras de proteção facial já foram produzidas pelas costureiras ligadas ao curso de corte e costura do Fundo. Como tem sido esta ação?

Desde que a pandemia se instalou, pudemos contar com a ajuda de profissionais da área da corte e costura, que passaram a se dedicar à confecção de máscaras, na Escola de Empreendedorismo e Inovação (EEI). Até agora, já produziram mais de 45 mil máscaras distribuídas à população nos terminais Central e Estudantes de ônibus, com a participação de dez voluntários do programa Família Solidária. Foi fundamental! Já imaginávamos que, em pouco tempo, o material se tornaria essencial. Isso se confirmou e o uso de máscaras faciais se tornou obrigatório para todos.

Este ano haverá campanha do agasalho?

Inicialmente nossa previsão era começar a campanha no final de março, mas em razão da pandemia tivemos de adiá-la. Fizemos a abertura oficial ontem, dia 20, e a campanha se estende até 22 de setembro. Na verdade, já estamos arrecadando agasalhos, desde o início da quarentena, no Drive-Thru Solidário, que está na Rua Braz Cubas, 470, sede da Secretaria do Verde e Meio Ambiente. Além disso, estamos nos organizando para instalar caixas de coleta somente em supermercados e farmácias, a fim de evitar a saída das pessoas apenas para doar.

E como estão os planos para projetos como cursos rápidos e outras atividades, como o Cabelegria?

Gostaríamos de retomar nossos programas e colocar novas iniciativas em prática o quanto antes. Vamos torcer para vencermos logo a pandemia, a fim de que Mogi avance na classificação do Plano São Paulo de Retomada Econômica e possa voltar a ter todas essas importantes atividades, com os devidos protocolos sanitários.

Qual o maior desafio de presidir um órgão como o Fundo Social de Solidariedade neste momento tão delicado?

Nosso desafio cotidiano é atender as necessidades emergenciais das pessoas. Seja com uma cesta básica, um agasalho, um colchão, um conselho, um abraço, tudo e cada coisa tem o objetivo de aliviar o sofrimento de quem não tem mais aonde pedir ajuda. Com todas as restrições geradas pela pandemia, o Fundo tem a missão de mão dupla de criar ferramentas para atender com segurança quem deseja doar e aqueles que precisam do que foi arrecadado. Para receber doações, criamos o Drive-Thru Solidário. Para distribuir a arrecadação, operamos com uma equipe reduzida, mas temos o privilégio de contar com um exército de voluntários, dono de uma incrível força de trabalho, empenhando-se diariamente para que o bem se multiplique e chegue às casas daqueles que mais necessitam.

E o que é mais gratificante?

A certeza de estar cumprindo a missão de mão dupla e, muitas vezes, superando nossas expectativas. Isso traz paz ao coração e nutre uma vontade ainda maior de fazer sempre mais e melhor. Há também os voluntários, que abandonaram suas funções habituais ou simplesmente adotaram uma nova, com o objetivo de que nada falte a quem segue trabalhando e a quem carece de auxílio emergencial.

Mesmo durante uma crise sanitária, econômica e política como a atual, a senhora enxerga solidariedade e cuidado com o próximo na sociedade mogiana?

Sinto que a pandemia e todo sofrimento que ela traz aos diferentes vetores estruturais acabaram fazendo aflorar na sociedade mogiana uma dose extra de solidariedade, ancorada na empatia. Afinal, todos estamos sofrendo, em maior ou menor grau. A dor alheia que, antes, poderia não ser tão percebida, ficou nítida. As pessoas sentem a necessidade de ajudar mais. É uma reação emocional que nutre o grande movimento social da corrente de solidariedade.

Recentemente a senhora foi diagnosticada como curada do Covid-19. Se estiver à vontade para falar sobre a experiência com a doença, que também acometeu seu marido, o prefeito Marcus Melo, o que destacaria?

Destacaria o aprendizado que toda experiência, por pior que seja, traz e estimula nossa capacidade de lidar com adversidades, ao mesmo tempo em que desafia nossa fé em dias melhores. Após um mês de isolamento e cinco exames realizados, finalmente testei negativo para o novo coronavírus. Fui diagnosticada no início de maio e os primeiros dias, em que os sintomas se manifestaram de forma mais intensa, foram de muita apreensão. Perdi o olfato, paladar e tive muita falta de ar. Cheguei a pensar em me internar, mas acabei optando por continuar isolada em casa, seguindo todas as orientações passadas pelos médicos. Tive muito medo. Medo especialmente de como seria o dia seguinte, tanto para mim como para meus filhos e familiares, que também contraíram a doença. Aqui, vai outro destaque: o alerta a todos para que não subestimem a Covid-19. É uma doença grave que pode matar. Cada organismo reage de forma diferente e tudo sobre o vírus ainda é uma incógnita. Portanto, todo cuidado! Fico emocionada em dizer que superei um dos maiores desafios da minha vida, mas o que eu quero de verdade é que, em breve, todos possamos nos reunir e celebrar juntos a vitória sobre essa terrível infecção.


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