EDITORIAL

Prestando contas

A movimentação financeira da Festa do Divino foi um sucesso

Com resultado positivo, o balanço dos lucros e despesas da Festa do Divino Espírito Santo confirma a grandiosidade do evento e os efeitos da engenharia administrativa que tirou das mãos exclusivas da quermesse a responsabilidade pelos resultados financeiros.

A soma divulgada pela Associação Pró-Festa do Divino demonstrou um aumento de 17,8% na arrecadação entre o ano passado (R$ 2,5 milhões) e este (R$ 3 milhões). Também cresceram as despesas (R$ 962 mil, em 2018, e R$ 1,1 milhão, em 2019).

O superávit foi composto mais pelos eventos extras do que pelas vendas nas noites da quermesse. Neste ano, choveu nos primeiros dias de funcionamento das barracas e atrações, o que reduz a presença do público.

Quando se considera a prestação de contas no cenário marcado pelo desemprego e a crise econômica, a movimentação financeira da Festa do Divino foi um sucesso, não apenas de público. Os visitantes foram ao CIP, no Mogilar, mas gastaram menos.

A descentralização da fonte de obtenção dos recursos funcionou bem, assim como a contratação de shows com artistas populares (Renato Teixeira e outros).

Vem da quermesse grande parte dos recursos das entidades e das comunidades paroquiais. A melhoria da performance conjunta é fundamental para alinhar um dos objetivos centrais da quermesse – o estímulo à caridade e a benemerência.

No balanço divulgado um pouco mais tarde do que em outros anos, é possível acompanhar a distriuição dos recursos financeiros entre os participantes. Há uma grande diferença entre as barracas com maior poder de atratividade do público e, portanto, mais rentáveis. O que suscita uma sugestão: um rodízio entre as entidades responsáveis pela venda dos carros-chefes para que a igreja católica promova a equidade na captação e distribuição dos recursos.

A Festa do Divino cresceu, mas tem um desafio do passado: reduzir os custos da infra-estrutura, assunto sempre nevrálgico nos bastidores não importando quem seja o festeiro ou o bispo da vez. Transparência e despesas menores poderiam, inclusive, alavancar a atuação propositiva de devotos, voluntários e entidades, tripé que verdadeiramente carrega a quermesse nas costas.

Todos teriam a ganhar com o aumento dos recursos partilhados entre as paróquias, entidades sociais e a própria Curia Diocesana. Uma sugestão para isso foi divulgada por este jornal, com exclusividade, semanas atrás: a construção de um centro de convenções municipal, apelidado de “Divinão”, com estruturas fixas para as barracas, shows, banheiros, etc. A lógica é simples. Quanto já se teria economizado com os gastos anuais da Festa do Divino se a cidade já contasse com estruturas físicas permanentes para atender todas as necessidades da quermesse?


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