CARTAS

Previdência desidratada

Previdência desidratada

Se na Câmara, sob a liderança do presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), mesmo sem o empenho do governo, conseguiu-se apoio expressivo de grande parte dos 513 deputados, e aprovou-se, em dois turnos, a robusta e inadiável reforma da Previdência, com estimativa de economizar em 10 anos de R$ 933,5 bilhões, no Senado veio a grande decepção. Essa economia, por obra do relator Tasso Jereissati (PSDB-CE), e apoiada na CCJ, caiu para R$ 870 bilhões, como assim foi aprovado o texto básico no plenário. Porém, como o governo desprezou atender reinvindicações dos senadores, na votação dos destaques veio o golpe fatal de parte dos 81 senadores. Que conseguiram aprovar um destaque alterando o abono salarial que seria somente pago para aqueles com salário até R$ 1,3 mil, mas mantiveram o que estava em vigor, de até dois salários mínimos. O que desidrata em mais R$ 76 bilhões a economia em 10 anos com essa reforma da Previdência. Ou seja, dos robustos e indispensáveis R$ 933,5 bilhões de economia em 10 anos, como aprovado na Câmara, desgraçadamente esse número ruiu para em torno dos R$ 800 bilhões. Essa é a consequência de termos um governo fraco, sem base no Congresso e sem capacidade de diálogo. Oxalá, o Planalto crie juízo e exerça sua responsabilidade de dialogar com os senadores, e reverta nos próximos dias esse prejuízo na segunda votação desta reforma.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

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