EDITORIAL

Primeiros resultados

A Secretaria Municipal de Saúde divulga os resultados iniciais da primeira pesquisa sobre a circulação do coronavírus entre os mogianos que estão fora dos hospitais e serviços de saúde. É um estudo pioneiro, com número ainda reduzido de testes, apenas mil dos cerca de 10 mil que o governo municipal diz que pretende realizar. Porém, eles já servem para embasar políticas públicas de combate à doença no território mogiano. E confirmam ainda o que a ciência vem assegurando em todo o mundo.

Entre as mil pessoas testadas em bairros, 975 não tinham o coronavírus, 25 estão ou estiveram infectados em estágios diferentes: com poucos sintomas (12), em fase aguda (12) ou em tratamento e a caminho da cura (2).

Dos que estão com a doença, a maior parte são mogianos com mais de 50 anos, sendo que o índice foi ainda mais expressivo entre os que possuem entre 70 e 79 anos – o que confirma a necessidade de se cuidar mais dos idosos, que têm o mecanismo de imunidade mais vulnerável à doença.

É justamente essa faixa de moradores que mais preocupa as autoridades e também aos leigos, que estão vendo muitos mogianos desse grupo de risco nas ruas, nos comércios autorizados a abrir, em filas de banco, no transporte público.

Embora seja baixo, o total de infectados reforça a importância do isolamento social e da manutenção de protocolos de prevenção como lavar as mãos. Cada doente pode infectar de três a 12 pessoas, dependendo da carga viral que possui.

Mesmo não atingindo uma parcela maior da população – e por isso mesmo – não servindo de base para se dizer quantas pessoas, de fato, estão com o vírus da Covid-19 na cidade, esse estudo fortalece a ciência, as recomendações da Organização Mundial de Saúde.

Indica o mais difícil de tudo. Após o pico de casos e mortes, a rotina continuará sendo marcada pela presença do vírus entre a população e os riscos do eventual colapso do sistema de saúde. Basta, para isso, alguns passos errados nas políticas públicas. Bom lembrar ainda, que uma parte dos infectados está entre os profissionais que vão tratar os doentes e trabalham nos hospitais. Sem os médicos, enfermeiros e intensivistas pode construir mais leitos e hospitais de campanha, mas não haverá sistema de saúde público e particular capaz de aguentar a pressão por tratamento e cura.


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