OFERTA E DEMANDA

Produção agrícola de Mogi é afetada pela chuva e eleva preço dos produtos

Chácara dos Baianos foi uma das regiões mais prejudicadas pelo temporal desde domingo. (Foto: Vitoria Mikaelli)
Chácara dos Baianos foi uma das regiões mais prejudicadas pelo temporal desde domingo. (Foto: Vitoria Mikaelli)

Mesmo após o transbordo das represas do Rio Jundiaí, em Mogi das Cruzes, e de Taiaçupeba, em Suzano, o nível de água nas duas unidades amanheceu acima da capacidade ontem. A primeira com 104,42% e a segunda 102,15%. As outras três também aumentaram o volume. Paraitinga chegou a 83,87%, Ponte Nova 76% e Biritiba 79,55%.

Com isso, o nível do Sistema Produtor do Alto Tietê (Spat) também subiu de 80% para 84,5%, em um dia. Apenas nos 21 primeiros dias de março, choveu 90% da média histórica para o mês, o que representa 155,6 milímetros, dos 172,8 de média histórica. Esses dados foram atualizados às 9 horas de ontem no balanço divulgado diariamente pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Por conta disso, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) voltou a aumentar a vazão das barragens. A do Rio Jundiaí está liberando 1,9 mil litros de água por segundo. A de Taiaçupeba que no começo do mês estava em 100 litros por segundo, passou para 300 litros/segundo, foi elevado a 700 litros/segundo e ontem estava em 900 litros/segundo. Elas têm atualmente 754,71 e 747,31 metros de água, respectivamente.

Segundo o Daee, o monitoramento das represas está sendo regido pelas regras de operação dos reservatórios pelo próprio departamento, Sabesp e Defesa Civil.

Esses números, no entanto, deverão aumentar nos próximos dias, já que existe previsão de chuva para hoje e amanhã, de forma maneirada, mas de temporal na quinta-feira e sexta-feira. No sábado e domingo deverá chover ainda, mas isoladamente.

Represas ainda operam acima da capacidade
Passados dois dias do temporal que atingiu Mogi das Cruzes, os produtores rurais da cidade ainda contabilizam os prejuízos causados pelo excesso de água nas lavouras. O presidente do Sindicato Rural de Mogi, Minoru Mori, estima que devido à chuva ter atingido toda a Cidade, a maior parte dos agricultores pode ter perdido parte do cultivo, principalmente aqueles que cultivam hortaliças na região da Chácara dos Baianos, Vila Moraes e Oropó, onde choveu perto de 150 milímetros.

Em consequência a tudo isso, os vegetais deveram ficar mais caro. Isso porque o preço já vinha em elevação, por conta da chuva e do sol intensos. “De fevereiro para cá, já teve uma variação dependendo do produto, mas principalmente, os folhosos e alguns legumes que acabaram sendo danificados. A agricultura trabalha sempre com a ordem de oferta e demanda, se tem menos para vender, o preço fica maior. E isso não é uma vontade do produtor de ganhar dinheiro, porque ele com certeza não vai conseguir recuperar tudo o que foi perdido. Ele ganha muito mais quando consegue escoar toda a plantação”, explica Minoru.

Expedito Pedro da Silva tem dois alqueires de terra com o irmão, onde ambos plantam folhosas. Ele conta que até mesmo a plantação da parte se perdeu por conta da chuva. “Apesar de ela não ter ficado coberta pela água, o solo fica muito encharcado e aí não tem como a raiz puxar os nutrientes da terra, ela acaba morrendo”, diz.

Silva conta que antes da chuva, por exemplo, uma dúzia de maços de couve era vendida por eles a R$ 10,00. Agora, consegue vender até por R$ 20, mas o problema é que deve conseguir salvar só cerca de um quarto do que plantou, e isso não vai amenizar o prejuízo. “Estou esperando para ver como vai ficar o tempo, para começar a plantar. Por enquanto, estou só vendo o que vai dar para salvar”, conta.

A expectativa do presidente do sindicato é de que, se não voltar a chover forte, o até o final do mês o preço das hortaliças diminua. “O termômetro para saber aqui na região é lá no Mercado do Produtor, e também nas feiras livres, porque eles vão sentir a diferença. Aí a gente conseguirá ver quais os produtos que estão em falta, porque ainda é recente para saber. O que falta aqui na região, às vezes, vem de outros lugares também. Pode ser que em duas semanas até se resolva isso, mas pode ser também que este tempo seja maior”, disse.


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