PROBLEMA

Produtores de Mogi enfrentam perdas na agricultura após chuvas

Chácara dos Baianos foi uma das regiões mais prejudicadas pelo temporal desde domingo. (Foto: Vitoria Mikaelli)

A chuva que caiu na capital e região metropolitana de São Paulo causou grande prejuízo aos produtores rurais que fornecem à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Parte dos agricultores de Mogi das Cruzes, sobretudo das hortaliças, fornece para o centro de vendas, que é o maior da América Latina. No entanto, ainda não há como calcular até que ponto eles foram afetados com a enchente que invadiu o prédio da Ceagesp. A Secretaria Municipal de Agricultura acompanha a situação dos produtores e diz que boa parte não chegou a levar a carga para São Paulo. Mas caso ela não seja escoada a tempo, poderá se deteriorar. O Sindicato Rural mogiano ainda não tem levantamento sobre a situação do setor na cidade.

O secretário municipal de Agricultura, Renato Abdo, diz que a chuva pode causar danos de duas formas na produção das hortaliças na cidade: primeiro, diminuindo a qualidade do alimento, e depois, estragando por completo.

“Temos uma pequena perda no campo, mas ainda conseguimos abastecer o mercado normalmente até o momento. Não sei como ficarão os próximos dias. Se tiver de trazer produto de fora, aí ficará mais caro para o consumidor”, avalia.

A Prefeitura de Mogi anunciou anteontem que está em atenção máxima com a possibilidade de o rio Tietê transbordar, devido ao fechamento da comporta da barragem da Penha. As águas do manancial podem afetar, na cidade, a produção no distrito de Cocuera. O titular da pasta explica que não é possível mensurar os prejuízos que uma situação dessas pode causar, porque depende de diversos fatores.

“O grande problema caso a produção seja afetada por alagamento é que não é só a questão do solo encharcado. Além de perder o produto, o agricultor tem que replantar, processo que vai desde a semeadura até a colheira. E isso demora cerca de 60 dias”, explica.

Ainda de acordo com o secretário, a chuva forte desde início do ano não afetou a produção de caqui na cidade.

Juliana Monteiro, agrônoma do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, diz que até o momento a entidade não tem informações sobre perda de produção por causa da chuva apenas nas propriedades ruais da Chácara do Baianos. Mas como estes agricultores não são regularizados junto à entidade, por problemas fundiários, não é possível avaliar o prejuízo.

“O que a gente tem de informação é o que aparece na televisão, sobre a Ceagesp. Porque provavelmente, os produtores não conseguiram mandar a produção na segunda-feira, hoje e talvez só farão isso amanhã (quarta-feira). Toda essa mercadoria é consignada. Como a carga é perecível, o prejuízo vai acabar na mão do agricultor”, pontua.


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