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Professora de Mogi responde ‘Cartas para Julieta’

Professora Andréia esteve no “Encontro”, apresentado pela jornalista Fátima Bernardes. (Foto: Divulgação)
Professora Andréia esteve no “Encontro”, apresentado pela jornalista Fátima Bernardes. (Foto: Divulgação)

Para responder às cartas apaixonadas que chegam à Verona, na Itália, o Clube da Julieta conta hoje com o trabalho voluntário de apenas duas brasileiras para aquelas escritas em português. Uma delas é Andréia Caetano, que nasceu na cidade de Jacareí, mas é professora de Artes em uma escola de Mogi das Cruzes. A história dela com a instituição, que funciona na casa da protagonista da tragédia de William Shakespeare , começou há tempos, depois que Andréia começou a estudar italiano.

Aprender a língua nativa do país europeu já era um objetivo da professora, desde 2011. Ela começou, então, a estudar e se aprofundar cada vez mais na cultura italiana. Em 2013, fez um curso onde conheceu o Clube e foi buscar mais informações, chegando a fazer uma entrevista para atuar por lá. Ano depois, em 2015, pôde estar em Verona, onde deu início ao trabalho que não tem fins lucrativos.

“Eu acho que quando você faz um trabalho voluntário você recebe a satisfação em poder ajudar, se sente útil ajudando uma pessoa. Isso é muito legal, porque diversas vezes essa pessoa reescreve, te agradecendo, falando que o conselho foi bom e realmente a ajudou. Ou seja, a gente tem o retorno em felicidade. Quantas pessoas não morreram em um relacionamento ruim, abusivo? Às vezes falta uma ajuda para que ela consiga sair disso”, acredita a professora.

Hoje, ela já perdeu as contas de quantas cartas chegou a responder, mas diz que dificilmente ela fica sem receber uma nova história. Graças à tecnologia, todo este processo pode ser feito de maneira simplificada: pela internet. Pelo site do Clube (www.julietclub.com), os interessados fazem suas postagens, que são analisadas pela equipe que fica em Verona e, depois disso, enviadas para Andréia.

Ao contrário do que acontece no filme “Cartas Para Julieta” (leia mais nesta página), ela não tem contato com os remetentes. Ainda assim tem marcadas na memória algumas dessas correspondências. Como foi o caso de um garotinho, que escreveu uma carta dizendo que não queria mais brigar com a irmã e pedia conselhos para que conseguisse viver em harmonia com ela.

Andréia lembra também da ocasião em que uma professora estava trabalhando as redações com seus alunos e fez com que todos eles escrevessem uma carta endereçada à Julieta. Para ela foi uma satisfação poder responder a todos aqueles jovens.

Para o português, além das duas brasileiras, o Clube conta ainda com os serviços de outros 20 falantes da língua. Somente do Brasil, são, em média, cerca de 400 cartas recebidas por ano e respondidas pelas “secretárias” de Julieta, como são conhecidas as voluntárias.

Na semana passada, Andréia esteve no programa “Encontro”, exibido pela TV Diário, e apresentado por Fátima Bernardes. “Depois disso, me ligaram do clube para falar que eles já tinham recebido mais de 300 e-mails de pessoas se colocando à disposição para serem voluntárias. Mas, por ora, eles não estão precisando, porque nós estamos conseguindo dar conta, ninguém fica sem resposta. Antes de entrar nisso, a pessoa tem que estar ciente que é um trabalho e, justamente por isso, as respostas precisam ser dadas e de uma maneira carinhosa. Não pode ‘fazer por fazer’”, recomenda Andréia.

Filme foi inspirado no trabalho do grupo

O filme “Cartas Para Julieta” levou às telonas, em 2010, uma representação do que fazem na vida real as voluntárias do Clube da Julieta. No longa-metragem, a jovem Sophie, interpretada pela atriz norte-americana Amanda Seyfried, é uma aspirante a escritora. Em uma lua de mel antecipada, ela vai a Verona com o noivo Victor, papel que é vivido pelo mexicano Gael García Bernal, que sonha em abrir um restaurante.

Chegando à cidade onde se passa a história de Romeu e Julieta, Sophie se vê deixada de lado pelo noivo, que está mais interessado em fazer contatos e conhecer possíveis fornecedores para seu futuro empreendimento. Em passeios pela Itália, sozinha, ela descobre uma antiga carta de amor, datada do ano de 1951, e se junto a um grupo de voluntárias para escrever uma resposta.

Desta maneira conhece a remetente Claire Smith, representada pela atriz britânica Vanessa Redgrave, que resolve ouvir os conselhos de Sophie e ir em busca de um antigo amor. Sem saber o paradeiro do homem que procuram, as duas saem juntas em busca de Lorenzo, mesmo contra a vontade do neto de Claire, Charlie, interpretado por Christopher Egan, que já era contra a atitude da avó viúva. O nome pelo qual elas buscam é muito comum, o que os leva em diversas residências.

A aventura acontece em belas paisagens cheias de momentos de muita alegria, grandes descobertas e tristes desencontros. Sophie passa a questionar-se sobre o seu noivado e o significado do verdadeiro amor.

Tudo começou com William Shakespeare 

A romântica história de Romeu e Julieta tem como palco a cidade de Verona, na Itália. Hoje, os visitantes encontram por lá diversas referências à tragédia escrita por William Shakespeare. Entre elas estão as residências do casal e também a tumba da protagonista, onde se deu início à história real das cartas para Julieta.

Foi lá que o guarda Ettore Solimani, em 1930, começou a recolher os primeiros pedidos escritos por conselhos que os turistas deixavam em suas visitas. Movido pelo fenômeno, teve a ideia de respondê-los, tornando-se assim primeiro “Secretário de Julieta” .

Passaram-se os anos, e os apaixonados não paravam de deixar suas cartas. Desta forma, em 1972, surge o Club di Giulietta, em português Clube da Julieta, idealizado por Giulio Tamassia e um grupo de artistas e intelectuais que compartilham um gosto em comum: as obras de Shakespeare.

O Clube é uma associação cultural sem fins lucrativos presidido por Giulio Tamassia, gerido por sua filha, Giovanna Tamassia, e assistido por uma equipa de apaixonados voluntários. Eles recolhem na Casa de Julieta, e hoje também no site www.julietclub.com cartas de remetentes de todo o mundo. Ao longo dos anos, graças à colaboração de associados, organizações e instituições, organizou inúmeros eventos ligados à história de Romeu e Julieta.

Além de coletar e responder cartas a Julieta, o Clube de Julieta organiza e promove outras iniciativas culturais, como o prêmio literário internacional “Scrivere per Amore” dedicado a histórias de amor.


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