LUTO

Professora mogiana morre após ser diagnosticada com a Covid-19

MARCA Bom astral, a professora e mediadora escolar Elisabete dos Santos da Silva acreditava na educação. (Foto: arquivo pessoal)

Professora de português, inglês e geografia, a mogiana Elisabete dos Santos da Silva contava aos amigos que havia se encontrado no papel de mediadora escolar. “Um aluno problemático tem uma razão de ser”, dizia, ao defender a integração entre a escola, a família e o meio onde o estudante vivia, como caminho para garantir uma educação inclusiva e igualitária. Tinha duas marcas, o sorriso no rosto e o gesto de vitória feito com os dedos indicador e médio. Beta, como era chamada, faleceu na noite de domingo, aos 49 anos, no Hospital Municipal de Braz Cubas, vítima da Covid-19.

Na semana retrasada, durante uma bateria de exames que realizava para tratar a artrite reumatóide, ela testou positivo para a doença provocada pelo novo coronavírus, como conta o biomédico Ataliba Silva de Toledo, companheiro da professora há 20 anos. Como apresentou sintomas leves da doença, foi tratada no Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo e recebeu alta na última quarta-feira. Veio para Mogi, mas teve o quadro de saúde agravado. A educadora foi internada na quinta-feira no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo e depois transferida para o Hospital Municipal de Braz Cubas, onde faleceu na noite de domingo.

A contaminação pelo coronavírus, comparou Ataliba, foi uma dessas ironias do destino, porque Beta se mostrava extremamente vigilante nas últimas semanas. “Ela ficou dentro de casa, não saía para nada, comprova tudo por delivery. Ou seja, esse é o mais complicado dessa doença porque ninguém sabe como e quando pode ser infectado”, comentou o biomédico que fazia 20 dias que não encontrava a companheira.

Como ele reside e trabalha em São Paulo, e ela foi hospitalizada na semana retrasada, a última conversa entre os dois se deu na quarta-feira, por telefone. “Depois, ela não me atendeu mais”. E ele, como ocorre com todos os familiares de pacientes da Covid-19, não pode mais ver a companheira de mais de duas décadas. “Essa é a condição dessa doença, a do isolamento, nessa hora”, confirmou.

Os serviços funerais foram feitos “à toque de caixa”. “Não tem despedida, não tem como dar um último olhar, nem mesmo para se reconhecer o corpo no hospital porque o contágio é uma realidade para os parentes, os profissionais de saúde, os coveiros”.

Sobre o atendimento médico, Ataliba solicitou um registro. “É preciso que se diga quanto enfermeiros e médicos confortam a família”, disse, completando que “muitas pessoas não têm noção sobre a solidão neste momento”.

Muitos conhecidos lamentaram a repentina partida pelas redes sociais, relevando a dedicação, amorosidade e capacidade da professora em preservar amigos. Em nota, a direção da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) destacou que ela atuava nas escolas estaduais Camilo Faustino de Melo e Galdino Pinheiro Franco, e expressou os “sentimentos pela perda da querida professora e desejamos toda a força para a sua família e amigos”.

Beta residia na Vila Natal, deixa os irmãos Claudia, Claudete, Patrícia, Maria e Nelson, e a seguinte frase em seu WhatsApp: “Viva um dia de cada vez”.


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