DESTAQUES

Profissionais de Arquitetura e Urbanismo consultados por O Diário elegem os ícones de Mogi

HISTÓRICO COCUERA Casarão do Chá foi construído em 1942.

O Diário pediu a três arquitetos que apontassem o prédio público, residência e monumento ícones de Mogi. Casarões do Chá e da rua Coronel Souza Franco, prédio da Banda Santa Cecília, estação ferroviária de Sabaúna, Igrejas do Carmo, Monumento ao Imigrante Japonês, Vila Helio e Pico do Urubu foram destacados.

Claudia Chamorro

Claudia Chamorro é formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Braz Cubas, onde fez pós-graduação em Gestão Ambiental e também pósgraduada em Desenho pela Belas Artes. Ela trabalha com a família na empresa Topus Terra Construções há três décadas, executando projetos e obras públicas e privadas.

 

Casarão ajuda a caracterizar década de 20

UTILIZAÇÃO Casarão da Coronel abriga hoje o Arquivo Histórico. (Foto: arquivo)

O Casarão da rua Coronel Souza Franco, que foi totalmente restaurado e hoje abriga o Arquivo Histórico de Mogi das Cruzes, é o exemplo de casa para a arquiteta Claudia. Ela conta que a construção remonta às casas grandes, altas e bastante arejadas e ajuda a manter parte da história da cidade da década de 1920. “Nós temos poucas construções preservadas ao longo dos anos aqui e perdemos muito a nossa história. Mogi das Cruzes é uma cidade importante, bastante conhecida por quem viajou pelo Brasil e o casarão é o pouco que sobreviveu para nos ajudar a contar essas histórias. Hoje, ainda poderia ser usado como residência, mas virou um equipamento para apresentar e preservar a Mogi do passado”, destaca Claudia.

Estação marca a arquitetura ferroviária

INUSITADO Assalto ao trem pagador ocorreu na Estação Sabaúna. (Foto: arquivo)

Palco do assalto ao trem pagador, a estação ferroviária de Sabaúna é eleita pela arquiteta Claudia como prédio mais marcante da cidade. Ela diz que, inaugurado em 1893, o imóvel se encontra em bom estado de conservação e mantém características da chamada arquitetura ferroviária, apesar de há um ano a Prefeitura de Mogi ter anunciado a revitalização, que ainda não saiu do papel. Claudia destaca que no entorno do prédio é preservado o conjunto de casas antes utilizadas por ferroviários, bem como a casa do chefe da estação. “A história da Estrada de Ferro do Brasil se confunde com a história da urbanização das cidades. Com a passagem dos trilhos da estrada de ferro, em 1877, Mogi sofreu a primeira reestruturação da rede urbana”, destaca.

Pico do Urubu é monumento ambiental

NA SERRA Pico do Urubu proporciona ampla vista de Mogi das Cruzes. (Foto: arquivo)

“O Pico do Urubu é o nosso monumento ambiental. É uma das mais belas vistas que temos na cidade, onde podemos enxergar todo o vale de Mogi das Cruzes. Apesar de ainda necessar de revitalização – eu apoio a construção de um mirante por lá -, é um local que a cidade não deixou de frequentar”, destaca a arquiteta Claudia. Ela lembra que quando ainda era criança, seu pai Antonio Claudio Chamorro, construiu a primeira rampa de asa delta do local, que depois de um tempo foi retirada. “Hoje, participo do projeto de revitalização daquela área e e agora vão fazer o mirante. Então, este momento é quase um resgate pessoal, porque 30 anos depois estão mexendo no Pico do Urubu e eu estou envolvida nisso tudo”, avalia a arquiteta.

 Erineuda Ventura

Erineuda Clementino Ventura é formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Braz Cubas e pósgraduada com mestrado em Estruturas Ambientais e Urbanas pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Foi diretora do Departamento de Uso e Ocupação do Solo na Prefeitura de Mogi de 2001 a 2007.

 

Grupo de casas ficou na memória

NO CARMO Prédio da Banda Santa Cecília marcou história. (Foto: arquivo)

Quando o assunto é casa histórica em Mogi, a  memória da arquiteta Erineuda aponta para o conjunto de casas onde está o prédio da Banda Santa Cecília, no largo do Carmo, no centro histórico. A construção foi inaugurada em 1934, tem 114,40 m² de área e, arquitetonicamente, segue estilo eclético. Além de ficar no raio de proteção de 300 metros a partir das Igrejas do Carmo, está em processo de tombamento pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi (Comphap). “Ali foram as casas no passado e me lembro delas, que são tão marcantes como a casa do Bóris Grinberg na rua Santana”, destaca.

Conjunto do Carmo tem simbolismo

VALOR Igrejas do Carmo são tombadas como patrimônio. (Foto: arquivo)

O conjunto de igrejas do Carmo, marca do raio de 300 metros do centro histórico que deve ser preservado, é o prédio destacado por Erineuda. A Igreja da Ordem Primeira, a mais antiga, foi erguida em 1633. A Igreja da Ordem Terceira tem sua construção datada de 1780 e, como as igrejas de terceiros, visa atender aos leigos consagrados à devoção carmelita. Ambos os prédios são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Estou sempre voltada para aquele entorno porque tem uma memoria histórica, é bastante significativo e, além de cumprir uma função, é um prédio muito simbólico e tem a cara de Mogi, o simbolismo religioso”, destaca.

Escultura lembra força de imigrante

O Monumento ao Imigrante Japonês é a referência de Erineuda à arte histórica da cidade. A obra do artista Antônio Josephus Maria Van de Wiel é avaliada pela arquiteta como uma das peças que ajudam a contar a história da cultural de Mogi. Composto por uma mulher carregando uma criança nas costas e um homem com enxada no ombro, ele foi inaugurado em 7 de setembro de 1969, para marca a imigração japonesa em Mogique, naquele ano, comemorava seu 50ª aniversário. “Olhamos para ele e logo o associamos aos japoneses, tão presentes na nossa cultura e que aqui se dedicaram ao setor agrícola”, destaca.

Paulo Coutinho

Paulo Coutinho tem 61 anos, é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Mogi das Cruzes e em Ciências Biológicas, com especialização em ecossistema e biologia vegetal. Ele destaca as obras da Igreja de Nossa Senhora de Conceição e a revitalização da Vila Helio como os principais projetos de cunho social em que atuou.

 

Antiga fábrica de chá revive o passado

HISTÓRICO COCUERA Casarão do Chá foi construído em 1942. (Foto: arquivo)

O espaço destacado pelo arquiteto Coutinho chegou a quase cair em Mogi das Cruzes, mas foi totalmente revitalizado nos últimos anos pela Associação Casarão do Chá. A construção relembra os antigos casarões da cidade e foi projetada e construída pelo arquiteto e carpinteiro japonês Kazuo Hanaoka, em 1942. “A visita ao local, que já serviu de fábrica de chá, proporciona a experiência de estar em casa tomando um chá. O entorno do local o ajuda a ser ainda mais atrativo. Com certeza, é uma parte importante da história da cidade”, pontua. O futuro do casarão está indefinido, depois que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo considerou irregular o processo de cessão do prédio pela Prefeitura Municipal à Associação Casarão do Chá.

Igrejas levam às origens da cidade

SITUAÇÃO Conjunto do Carmo espera verba para manutenção. (Foto: arquivo)

As características barrocas do conjunto das Igrejas do Carmo também levaram o arquiteto Paulo Coutinho a classificar os prédios como integrantes dos principais imóveis públicos de Mogi das Cruzes. “Toda essa memória arquitetônica remete à origem da cidade, à parte religiosa”, destaca. Apesar de patrimônio histórico tombado, as igrejas também sofrem com a falta de manutenção, reflexo da carência de verba. O projeto de revitalização ainda depende de recursos do Programa de Ação Cultural (ProAc), que precisam atingir, dentro dos próximos dois meses, pelo menos 35% dos R$ 800 mil estimados, para que a obra possa ter início. Porém, até o momento, apenas R$ 186 mil foram captados, provenientes da colaboração do Grupo JSL.

Revitalização dá novo visual à Vila Helio

CENÁRIO Vila Helio já atrai novos investidores após obras. (Foto: arquivo)

O monumento destacado por Paulo Coutinho está em fase final de revitalização: a Vila Helio. A área próxima à avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco ganhou projeto de revitalização que teve início em 2017 e do qual Coutinho diz ter prazer em participar. “Será um dos principais pontos de convivência de Mogi, porque privilegia o pedestre e tem característica moderna, mas ao mesmo tempo acolhedora”, diz. A obra é fruto de parceria público-privada do grupo Marbor para a região que foi habitada no início da década de 1940 pelo então fundador da empresa, Helio Borenstein. O investimento atrai novos estabelecimentos, como um café, barbearia e casa de açaí, com paisagismo que remete à época de formação da vila.


Deixe seu comentário