EXPECTATIVA

Projeto de ciclovia entre César de Souza e Jundiapeba paralela à linha férrea ganha novas discussões

CENÁRIO Ideia de usar espaço administrado pela CPTM para implantação de ciclovia paralela à linha férrea surgiu do coletivo de ciclistas MTB Mogi em parceria com Paulo Pinhal. (Foto: Eisner Soares)
CENÁRIO Ideia de usar espaço administrado pela CPTM para implantação de ciclovia paralela à linha férrea surgiu do coletivo de ciclistas MTB Mogi em parceria com Paulo Pinhal. (Foto: Eisner Soares)

O que era para ser uma discussão sobre a implantação de uma nova ciclovia em Mogi das Cruzes, tem aberto ainda mais as conversas entre a Prefeitura e grupos de ciclistas para projetos que podem ser desenvolvidos em benefício dos adeptos de bicicletas na cidade. A compreensão é de que consolidar esse tipo de plano pode trazer melhorias em diferentes âmbitos municipais, como a saúde, o trânsito e a segurança para quem está andando pelas ruas. Após uma segunda reunião, os participantes se mostraram satisfeitos com os resultados que vêm sendo alcançados.

Secretário Municipal de Planejamento e Urbanismo, Claudio de Faria Rodrigues conta que tem reforçado a importância da inserção de uma ciclovia Leste-Oeste – paralela aos trilhos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) – e também do desenvolvimento de todo um sistema cicloviário dentro do Programa + Mogi Eco Tietê, que vai contemplar a região de César de Souza.

A ideia de utilizar o espaço administrado pela CPTM partiu de um coletivo de ciclistas, o MTB Mogi, em uma parceria com o arquiteto Paulo Pinhal, da Escola de Arquitetos. Inicialmente, eles queriam que o trajeto fosse da Estação Jundiapeba até a estação desativada de César, mas a área do distrito deverá ser abrangida unicamente pelo programa da Prefeitura.

“O plano diretor já prevê, junto ao plano de mobilidade, a interligação dos bairros como Jundiapeba, Braz Cubas e o Centro. E nós avaliamos que a solicitação deles é totalmente compatível com o que temos dentro da nossa legislação. Usando essa área da CPTM teríamos uma intervenção de 9,2 quilômetros de extensão e é algo totalmente possível. Por isso, agora vamos nos organizar para levar isso à Companhia”, comenta o secretário.

Segundo Rodrigues, a administração municipal deverá atuar em duas frentes de trabalho. A primeira é a articulação junto à autarquia do Estado e a segunda no desenho da rede cicloviária do Eco Tietê, sempre em parceria com os ciclistas, que são os maiores interessados no projeto.

Integrante do MTB, Ubirajara Nunes acompanha de perto as discussões e afirma que o grupo tem ficado satisfeito com os resultados que já estão aparecendo. Ele ressalta que é importante perceber o interesse da Prefeitura em apoiar o projeto e acredita que com essa parceria fique mais fácil tirar a ideia do papel.

Para ter uma solução mais imediata para os ciclistas – que estão mais numerosos durante a pandemia do novo coronavírus, já que o transporte coletivo pode ser um risco – um dos pedidos tem sido a implantação de ciclofaixas temporárias e emergenciais. Durante a reunião, ficou acordado que os integrantes do grupo mapeariam os lugares onde as vias se fazem mais necessárias, para que a Secretaria Municipal de Transportes possa avaliar a viabilidade de execução.

“Nós estamos estudando bastante sobre isso, porque outras cidades já têm adotado essa medida durante este período e conquistado bons resultados. Tudo isso vai depender de um estudo muito bem apurado e também da nossa vivência nas ruas. Eu, por exemplo, moro em César e sei quais são as principais demandas daquela área para se chegar ao Centro. No grupo, existem moradores dos mais diferentes bairros da cidade que, com certeza, vão poder nos ajudar”, considera Nunes.

Para dar apoio ao projeto do corredor Leste-Oeste, eles lançaram na internet um abaixo-assinado que pode ser acessado no link www.change.org/p/presidente-da-cptm-ciclovia-leste-oeste-mogi .

Engenheiro defende a mobilização por melhoria

A possibilidade de criação de uma ciclovia Leste-Oeste em Mogi das Cruzes reacendeu um sonho antigo do engenheiro civil Jamil Hallage, de 94 anos. Trabalhando na Prefeitura durante os quatro mandatos de Waldemar Costa Filho, ele pode desenvolver todo o projeto do que seria uma marginal ao lado da linha da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O trajeto começaria em Jundiapeba e terminaria em César de Souza. Apesar de antigo, ele acredita que o plano ainda se faz necessário e seria essencial para a melhoria do trânsito da cidade.

“Na década de 60, quando estavam sendo feitos os estudos para o primeiro Plano Diretor do município, já falávamos da implantação dessa marginal. Ela atravessaria a cidade de ponta a ponta e isso para mim sempre foi um sonho. Os mogianos poderiam usar duas avenidas que correriam ao lado da estrada férrea. Vai ter um dia que as passagens de nível não existirão mais e ter essa via expressa seria maravilhoso. Mas, infelizmente, as autoridades não pensam assim”, lamenta.

O engenheiro explica que na primeira vez em que Waldemar ficou responsável pela administração de Mogi, eles começaram a dar andamento ao projeto, começando pelo trecho inicial da avenida Adhemar de Barros, próximo à praça Sacadura Cabral, no centro. Para isso, desapropriaram terrenos, onde lembra que até mesmo os proprietários entendiam que ter a marginal seria fundamental para a cidade.

Durante os quatro mandatos do então prefeito, eles conseguiram dar prosseguimento àquilo que havia sido pensado e a Adhemar de Barros se tornou uma das principais vias de ligação entre a região central e outros distritos, como Jundiapeba e Braz Cubas.

“É possível dizer que nós fizemos o que seria um quarto da marginal, mas depois nunca mais se mexeu nisso, mesmo que o lado sul já estivesse feito. Do outro lado, nós ainda deixamos vários terrenos livres para serem abertos. Existe uma faixa de terreno que vai da Vila Industrial até Braz Cubas que foi declarada de utilidade pública, onde estava pronta para receber um trecho da via, mas nunca fizeram nada. É uma obra que não demandaria muito trabalho e nem muito dinheiro, talvez por isso não tenha interesse”, conclui o engenheiro.

Proposta de marginal interliga distritos

Quando tomou conhecimento da mobilização em prol da ciclovia Leste-Oeste em Mogi das Cruzes, o engenheiro Jamil Hallage confessa ter pensado que essa pudesse ser a continuação de uma marginal na cidade. Depois, viu que a ideia, na verdade, é implantar o trajeto destinado para bicicletas dentro do espaço da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), ao lado da linha férrea. Ele diz que levantar essa discussão é importante, para que soluções para a mobilidade urbana sejam pensadas.

Hallage torce para que o plano dê certo, já que a implantação traria muitos benefícios aos mogianos. Mas caso não seja possível, ele afirma que as ciclovias – uma em cada sentido – poderiam ser instaladas na marginal ao lado da passagem de trens. Isso porque nos trechos que foram projetados para receber a via, durante os mandatos de Waldemar Costa Filho, foram reservados cerca de 16 metros de largura, onde caberia o caminho para bicicletas.

“Na avenida Anchieta, que seria um trecho dessa via expressa, já existe ciclovia, por exemplo. Então, era só fazer o projeto pensando nisso e, sem dúvidas, daria para encaixar. É possível que elas tenham até mais de dois metros, como querem neste projeto para a CPTM”, diz.


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