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Projeto do percussionista Paulo Betzler destaca ‘Histórias da Música Mogiana’

RESGATE A cada vídeo, Paulo Betzler traz informações técnicas e faz uma espécie de análise de cada disco de seus convidados. (Foto: divulgação)
RESGATE A cada vídeo, Paulo Betzler traz informações técnicas e faz uma espécie de análise de cada disco de seus convidados. (Foto: divulgação)

Em casa, o percussionista e educador musical Paulo Betzler tem cerca de 50 discos da música mogiana. Apreciador do hoje praticamente extinto hábito de consumir áudio por vinis e CD’s, quando a pandemia começou ele não se imaginava fazendo ‘lives’, como outros artistas. Bastou, porém a sugestão de uma amiga para que bolasse um formato diferente da maioria dos shows online. O acervo particular virou o cenário para os vídeos, e as histórias se tornaram protagonistas.

Funciona assim: sempre às quintas-feiras, às 20 horas, Betzler fica em frente aos discos que coleciona e inicia uma chamada de vídeo aberta ao público, com um outro cantor ou instrumentista do outro lado da conexão, configurando mais do que uma simples apresentação. Na verdade, dá para chamar o trabalho de análise, ou, como brinca seu idealizador, de “dissecação”.

O bate-papo segue o ritmo da carreira dos entrevistados. A cada faixa tocada há um conto, uma revelação dos bastidores. A cada álbum, há uma explicação sobre as motivações e intenções, uma resenha sobre a trajetória até ali.

Uma boa maneira de resumir seria definir a iniciativa como uma incursão pela caminhada artística dos convidados, que não são apenas mogianos. “Boa parte deles nasceu aqui, mas nem todos são de Mogi. Nossa cidade é como uma ‘última estação’ para os artistas de vários segmentos, que ‘pegam o trem’ e acabam ficando por aqui”, diz Betzler.

Na primeira transmissão, o percussionista esteve acompanhado de mais de 10 participantes e apresentou pequenos trechos das melhores histórias. Já a partir da segunda o trabalho passou a ser mais aprofundado, “trazendo artista por artista para falar das obras e mostrar quem toca naquele disco, quem fez a fotografia e outros detalhes”.

Descrever Paulo Betzler como apreciador dos discos físicos não é por acaso. Triste por ver como o mercado atual atua, publicando somente a capa dos álbuns e ignorando o material dos encartes, ele decidiu nas lives valorizar também a “arte interna dos CD’s e vinis”. Na prática, isso quer dizer que enquanto o convidado fala, ele mostra a embalagem original do trabalho, valorizando a atuação dos fotógrafos, artistas plásticos e designers envolvidos na concepção da obra.

As protagonistas dos vídeos e que servem como título para o projeto, as ‘Histórias da Música Mogiana’, não deixam a desejar. Exemplos são os “causos” de Rui Ponciano sobre o CD Pico do Urubu, ou as de Waldir Vera sobre o primeiro disco da carreira, ‘Cantos de Luar’.

“As conversas têm acontecido de maneira muito informal e gostosa, porque tenho relação muito próxima com os artistas, porque temos história juntos. É como se fosse, e na verdade é, um bate papo na sala de casa, só que eles lá e eu cá”, afirma Betzler.

As passagens descritas nas ‘lives’ tem relação com a noite mogiana, de hoje e de ontem. O secretário municipal de Cultura, Mateus Sartori, que já tocou por muitos anos ao lado de Betzler, é um dos que já participou, revelando detalhes e curiosidades dos cinco discos de estúdio que já lançou como cantor.

Diferente de outras campanhas surgidas durante a quarentena, a intenção de Paulo Betzler não é arrecadar dinheiro com as lives. A ideia é realmente fazer um registro das melhores passagens de todo o cancioneiro local, e quando o coronavírus não for mais uma ameaça, o projeto deve continuar em novo formato.

“Antes eu tinha a ideia de fazer um festival, quase como uma Virada Cultural, só com artistas mogianos tomando o palco”, diz o criador, para mostrar como isso ainda pode ser uma possibilidade no futuro. Afinal, de maneira inesperada, “uma rádio já chegou a fazer proposta para veicular este tipo de conteúdo depois da pandemia, e devemos então passar a abordar outras formas de arte”.

Outra iniciativa valoriza obra de músicos da cidade

Não fosse a pandemia do novo coronavírus, o percussionista Paulo Betzler faria neste mês de maio um grande show para lançar o segundo disco de estúdio, ‘Tem Mais Céu do Que Terra’, que teria a presença de oito cantoras mogianas (Aline Chiaradia, Sabrina Pacca, Carol Ferraz, Bia Mello, Lívia Barros, Valéria Custódio, Amanda Araújo, Sandra Vianna) e outros artistas convidados, como Nelson Mortol, Milton Mor, Pedro Cirilo, Dani Dias, Enio Lobo e Evandro dos Reis.

Todos estes nomes subiriam num mesmo palco, como estivessem celebrando a arte mogiana. Agora, a apresentação foi adiada, assim como o próprio CD. Desapontado por não poder cumprir com o planejamento, Betzler optou por outra iniciativa para valorizar a música local: criou uma playlist, uma seleção de canções no Spotify, principal plataforma para streaming de áudio da atualidade.

Muito bem intitulada como ‘Mogianos’, a lista contém 45 trabalhos e logo deve contar com mais discos. Alguns dos títulos são ‘Poesia Dura, Língua Ferina, Coração Justo’ de Deo Miranda; ‘Alvorada’, de Brenô; ‘Não Sei Pousar’, de Gui Cardoso; e ‘Púrpura’, de Valéria Custódio. Vários dos álbuns disponibilizados são fruto do trabalho do Estúdio Municipal de Áudio e Música (Emam), que já contabiliza cerca de 80 produções em cinco anos de atuação.

A seleção de Betzler, é claro, não é a única. Existem outras, como o projeto ‘Made in Mogi’, do músico Daniel Saway ou a própria lista divulgada pelo secretário de Cultura Mateus Sartori, descrita por este jornal no domingo último. Mas as listas não são concorrentes. Na verdade, se complementam, já que o objetivo é colocar em foco a música mogiana.


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