CULTURA

Projeto infantil desbrava os patrimônios de Mogi das Cruzes

LÚDICO Os irmãos Pepeu (Diego Castilho), Babi (Rafaela Federici) e Tinô (Fernando Saab) convidam alunos de 8 a 11 anos para um passeio pelas ruas no entorno do Casarão do Carmo. (Foto: divulgação)
LÚDICO Os irmãos Pepeu (Diego Castilho), Babi (Rafaela Federici) e Tinô (Fernando Saab) convidam alunos de 8 a 11 anos para um passeio pelas ruas no entorno do Casarão do Carmo. (Foto: divulgação)

Pepeu, Babi e Tinô são três irmãos. O primeiro garoto está entediado; a menina, antenada em tecnologia, mexe no tablet; e o segundo menino produz um trabalho para a escola, sobre os patrimônios de Mogi das Cruzes. Juntos, eles convidam alunos de escolas municipais para também aprenderem sobre os museus, casarões e outros prédios históricos do centro da cidade. E como não há melhor maneira para fazer isso, vão a campo com as crianças de 8 a 11 anos num roteiro denominado ‘Caminho das Memórias’.

O trio de personagens é respectivamente representado pelos atores mogianos Diego Castilho, 30, que é professor de dança e arte circense; Rafaela Federici, 30, professora de artes; e Fernando Saab, 25, professor de História. Eles se conheceram trabalhando em projeto sociais no CEU das Artes Vila Nova União, e logo perceberam a necessidade de estimular a educação patrimonial nos jovens.

“Tivemos essa ideia porque a gente vê que a cidade é muito rica em relação a espaços como museus e também arte, cultura e história, mas quando divulgamos essas coisas as pessoas ficam surpresas por não conhecer os museus, por exemplo. Foi assim que vimos a falta da educação patrimonial e tivemos a ideia de criar um projeto contação de histórias”, explica Fernando Saab, porta-voz da iniciativa, que tem incentivo do Programa Municipal de Fomento à Arte e Cultura (Profac).

A ideia tomou corpo da seguinte forma: o enredo retratado no início da reportagem é apresentado às crianças no início do passeio, no Casarão do Carmo. Na sequência tem início a visita monitorada pelos espaços públicos, com primeira parada na praça ao lado, onde os participantes recebem explicações sobre as Igrejas do Carmo, o Teatro Vasques e a sede da banda Santa Cecília.

Depois, o primeiro local em que Pepeu, Babi e Tinô entram e fazem pequenas cenas é o Museu dos Expedicionários, na Rua Coronel Souza Franco, onde, com fatos, os pequenos aprendem sobre a 2ª Guerra Mundial. A partir daí, o passeio desce para a Praça Monsenhor Roque Pinto de Barros, com paradas no Centro Cultural e na Praça Coronel Almeida, com destaque para as informações sobre o Obelisco, monumento que estabelece o marco zero do município em frente a Catedral de Santana, em que o grupo também entra.

No entorno, mais precisamente na Rua José Bonifácio, está localizado o Museu Guiomar Pinheiro Franco, também presente no roteiro, que termina de volta ao Casarão do Carmo, com um lanche e entrega de um livreto de colorir, com imagens de cada um dos pontos visitados.

O objetivo é possibilitar ao público “conhecer um pouco dos conceitos de patrimônio material, ou seja, o que é construído na sociedade, e o imaterial, a questão cultural em geral, como a fundação da cidade, bem como seus costumes, músicas, hinos danças, festas e religiosidade”. Em outras palavras, como explica Fernando, tudo se resume em “desenvolver no cidadão o sentimento de pertencimento e identidade em relação à cidade”.

Os criadores do projeto não são turismólogos ou recreadores, mas durante o roteiro ‘Caminho das Memórias’ eles atuam como tal. É que a atividade é multidisciplinar, e além da “parte lúdica da brincadeira, risada e diversão, tem a parte pedagógica e turística”.

A palavra-chave para chegar neste ponto, de entregar informações relevantes, conteúdo interessante e ainda apresentar questões éticas e sociais é pesquisa. Ou seja, consulta em livros e também análises em campo. “Nosso trabalho é baseado em referências bibliográficas do que já foi produzido sobre a história de Mogi, principalmente os materiais do historiador Isaac Grinberg e também dados do site da prefeitura”, explica Fernando.

Contrapartida social

Por ter sido contemplado pelo Profac, o projeto tem viés social, e neste primeiro momento, atende escolas municipais. O primeiro passeio foi na última quarta-feira pela manhã, com uma turma da Escola Professora Doracy Baptista de Campos Pereira, do bairro Vila Brasileira. As demais datas (18 e 25 de março; 01, 08, 15, 22 e 29 de abril) envolvem outras classes do mesmo colégio, e também estudantes da Escola Professora Apparecida Ferreira Cursino, do Jardim Universo.

Sobre a estreia do ‘Caminho das Memórias’ nas ruas, Fernando diz que a “expectativa foi cumprida”, o que o deixa animado para os próximos passeios, já marcados há semanas. A princípio, somente duas instituições foram beneficiadas, pois a agenda prevê várias turmas dos mesmos endereços, mas para o futuro a pretensão é “trabalhar com mais escolas e outros tipos de público”.

Embora tenha acabado de nascer, com foco no centro de Mogi, a atividade pode acontecer em outros pontos no futuro. “Escolhemos iniciar ali porque é onde está concentrada a maior parte de patrimônios institucionais, mas poderíamos usar outros espaços, como o Parque Centenário e os casarões ao redor da cidade”, diz Fernando. A ideia é “expandir”, inclusive utilizando o ainda não inaugurado Museu Virtual da Educação (Muve), e movimentando “escolas particulares, outras instituições e outras faixas etárias”.


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