ARTIGO

Prólogo e triste epílogo

Décio Rodrigues Lopes

A transformação de uma meta de um benefício à humanidade, uma esperança nos homens que dirigem uma nação, um estado ou um município, tem um final triste e melancólico. Talvez nem todo mogiano tem conhecimento que existe em nosso município um manancial de nascentes naturais, sendo que três delas com água que brotam das pedras, além de outras que nascem no meio da vegetação. Pela falta de interesse dos políticos, autoridades e ambientalistas, elas são contaminadas pelo lançamento de esgotos.

Este local está no Parque Morumbi. Ali nasce a água que poderia ser melhor aproveitada. Ao contrário disso, ele vai as águas poluídas vão para o córrego Oropó.

Existem leis ambientais que foram criadas para controlar e punir os autores de crimes contra a natureza, e existe a fiscalização para que elas sejam aplicadas. Eu confiei nessa fiscalização estadual e fiz a denúncia. Análisesconfiraram o forte teor de coliformes fecais em vários pontos analisados.

Agora, o epílogo: acreditem: passaram-se dez anos de uma luta em total desigualdade de forças, onde a fiscalização apenas aplicou uma sanção, multa cerca de R$ 20 mil ao infrator,e também não sabemos se foi recolhida. O que nos causa revolta é que o descumprimento da lei continuou sem que outras multas fossem aplicadas. Não se sabe de outras multas, e nem sobre o arquivamento do processo.

Pois bem, recorri à Ouvidoria dessa agência fiscalizadora. Para minha surpresa, no dia 24 de setembro recebi um telefonema de um ouvidor, fazendo-me elogios pela minha luta e orientando-me a aguardar por uma reunião que irá ocorrer com o promotor de Justiça do Meio Ambiente para se traçar do cronograma de obras de tratamento de esgotos de Mogi das Cruzes.

Então, senhores, estamos perdendo para os descasos das autoridades. A fiscalização tem a força, mas seus responsáveis técnicos não mostraram a autonomia para punir o crime cometido pelo órgão municipal.

Para exemplificar, é o mesmo que ocorreu com o nosso rio Tietê, que era para ser limpo até o ano de 2019, promessa do ex-governador Geraldo Alkmin, divulgado em todas as mídias. Sem que ninguém percebesse, colocaram uma pedra em cima, e a prioridade foi dada ao Rrio Pinheiros, pelo governador João Dória.

Pobre Tietê, que jamais será restaurado. Será que ninguém percebeu isso?

Décio Rodrigues Lopes é líder comunitário e morador do Parque Morumbi

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