EDITORIAL

Proteção à vida

Região possui 320 postos de gasolina que precisam funcionar como um relógio para proteger funcionários e clientes

Uma pesquisa no site da Agência Nacional do Petróleo (AN) informa que a Região do Alto Tietê possui 322 postos de gasolina. Entre eles, está o Autoposto Goió, em uma das esquinas da Avenida Italo Adami, de Itaquaquecetuba, onde um funcionário e um cliente morreram após a explosão de um cilindro de ar ocorrido no espaço reservado para a troca de óleo dos veículos nesta semana.

Na zona urbana, os postos de gasolina vendem e armazenam produtos inflamáveis e poluentes. Por isso são regidos por duras normas de segurança para a instalação, operação e comercialização da linha de produtos. Também possui normas específicas para a segurança dos trabalhadores que lidam com produtos contaminantes e estão expostos aos acidentes, como o que infelizmente provocou a morte de um deles e de um consumidor na região.

Desde 2012, a Norma de Regulamentação (NR) 20 especifica tudo o que pode e o que não pode ser feito dentro de um posto, e impõe multas para questões relacionadas ao funcionamento, manuseio e o treinamento e especialização dos funcionários. A fiscalização é feita pelo Ministério da Economia.

Há de se acompanhar com muita atenção os desdobramentos das investigações e apurações sobre o que provocou o estouro do cilindro de ar comprimido, usado em operações como o levantamento de veículos.

Nesse caso, perguntas não podem ficar sem respostas. Houve uma falha técnica? Uma falha humana? Um vacilo indefensável dos órgãos fiscalizadores?

As responsabilidades precisam ser cobradas para dar a resposta esperada diante de um caso como esse: o que fazer para ampliar a segurança de todos, funcionários, clientes e a população que reside, trabalha e frequenta o entorno de um posto de gasolina.

Muito se avançou nos sistemas de modernização dos equipamentos desse segmento comercial que precisa ser tocada por profissionais capacitados tecnicamente para prevenir acidentes fatais. A proteção à vida em primeiro lugar, sempre.

Embora se trate de um fato isolado, que ainda será apurado pelas autoridades competentes, o trágico acidente faz o olhar se voltar algo corriqueiro, mas arriscado, na vida do cidadão.

São 320 postos de gasolina no Alto Tietê. Ou seja, 320 estabelecimentos classificados como uma área de risco de explosões como que precisam funcionar como um relógio para preservar a vida de quem deles depende – quer como fonte de trabalho, ou de gasolina, álcool ou óleo para carros, motos e caminhões.

O acidente confirma a importância de se dar transparência a itens de proteção, como os mapas que indicam os riscos de acidentes no interior de um posto de gasolina. Além dos integrantes da Comissão Interna Prevenção de Acidentes (Cipa) e de todos os funcionários, o consumidor precisa ser orientado e alertado sobre os riscos a que está exposto quando vai abastecer ou apenas trocar o óleo do veículo.

O Diário

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