Proteção à vida

São bem-vindas as articulações para a construção do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Mogi das Cruzes, um espaço indicado para a proteção de espécies nativas da Região do Alto Tietê, em geral, vítimas de acidentes. O movimento que defende o serviço público conduz a outros ganhos no gerenciamento de recursos humanos e financeiros de órgãos, como o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar Ambiental. Hoje, esses organismos são responsáveis pelo salvamento e captura de animais e precisam dispor de equipes que perdem horas no trânsito entre Mogi e São Paulo na condução de um animal ferido, por exemplo.Encontrar um bando de capivaras nas ruas próximas do Rio Tietê é algo bonito e raro de se ver. Mas há de se ter em mente que o convívio dentre essas espécies e o homem suscita outras demandas. Por exemplo, esses animais carregam consigo vetores de doenças pouco conhecidos e estudados. A convivência segura com os animais silvestres é uma questão de saúde pública, como tem destacado o médico Jefferson Leite, um dos defensores da instalação do Cetas de Mogi das Cruzes.
A diminuição dos corredores verdes provocado pela expansão imobiliária nas faixas territoriais entre as Serras do Itapeti e do Mar explica a maior circulação dessas espécies na zona urbana de Mogi e de outras cidades do Alto Tietê. Quando uma capivara, um ratão do banhado ou um bicho-preguiça envolve-se em um acidente ou salva-se do cativeiro criminoso, esses animais são precisam ser levados acolhidos e tratados, antes de voltarem para o ambiente natural.
Os Cetas mais próximos estão localizados na Capital. Com um Cetas em Mogi, será possível avançar na preservação da nossa fauna e flora. O equipamento está previsto nos planos da Prefeitura, porém tem custos.
Na primeira reunião pública para discutir o assunto, na Câmara Municipal de Mogi, surgiram ideias exequíveis para a captação e manutenção de fontes de renda para a manutenção do Cetas.
As causas envolvendo animais têm despertado interesse junto à população. E esse é um sinal. A comunidade científica e acadêmica despertou há bem mais tempo, mas pouco age concretamente no desenvolvimento de ações que, de fato, os estudos sobre a fragilidade e a riqueza da biodiversidade da Mata Atlântica sejam usados para deter fim de espécies da fauna e flora. O Cetas pode fazer muito pelo equilíbrio na convivência entre o homem, as matas e os animais. Fauna e flora saudáveis ajudam na produção de água, melhoram a qualidade do ar.
As pessoas envolvidas nessas discussões têm boa vontade. A torcida é para que essas ideias frutifiquem. Há uma urgência nesse pleito por causa do crescimento dos acidentes e de apreensões de animais mantidos em cativeiros.


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