EDITORIAL

Proteção hídrica

A decisão mais recente do Comitê Gestor da Bacia do Alto Tietê de atender aos projetos apresentados pelo Consórcio para o Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) assegura a liberação dos recursos do Fundo da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê para estudos e obras de reserva e produção de água, além do combate às enchentes.

A provisão desses recursos é conquista, sem dúvida. Mas, a comemoração terá de esperar. Muitas águas rolam entre a aprovação da liberação dos recursos financeiros e a execução das obras pretendidas.

Casos dos mais emblemáticos diz respeito à limpeza do Tietê, no trecho de Mogi das Cruzes, uma promessa à espera de concretização. Aliás, no início deste ano, houve uma tentativa do governo do Estado de desclassificar a pauta do desassoreamento do trecho mogiano registrada por este jornal quando uma montanha de lixo expõe o abandono do rio.

A situação do Tietê segue na mira das preocupações das prefeituras, como a deliberação do Comitê Gestor da Bacia Hidrográfica tão bem confirma.

Apesar dessa lembrança pontual, garantir o uso dos recursos do Fehidro na região mais próxima da nascente do principal curso d’água do estado merece registro. Especialmente neste ano que ficará marcado por um dos braços da pandemia da Covid-19: descontinuidade de muitos dos processos de interesse público e que dependem da pressão política e da gestão do poder público, e o acompanhamento e as cobranças da sociedade civil organizada.

Entre os projetos aprovados para o Alto Tietê, um será de grande valia, se for concretizado. Trata-se do estudo das águas subterrâneas para fomentar, modernizar e baratear a atividade agrícola regional – que garante 10% do nosso PIB, no caso de Mogi das Cruzes, se constitui em acerto na política regional para o meio ambiente.

Ao optar por esse estudo, que poderá alavancar a produção agrícola familiar sempre ameaçada diante de uma crise hídrica, o Alto Tietê adota o conceito da preservação ambiental casada com sustentabilidade de um modelo econômico que poderá fazer toda a diferença para as cidades menores, duramente afetadas pelos impactos da Lei de Proteção aos Mananciais. Salesópolis e Biritiba Mirim pagam um alto preço por terem cedido parte de seus territórios para a produção da água consumida por cidades mais ricas e integrantes da Região Metropolitana de São Paulo.


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