Proteção necessária

O considerável aumento do número de tentativas de invasões de terras em diferentes regiões confirma que Mogi das Cruzes vive um constante risco de sofrer novas ocupações irregulares. Nos últimos seis meses, por motivos que valem ser apurados, cresceu o total de grupos e famílias que tentaram ocupar terrenos em áreas periféricas, de bairros como Braz Cubas, Jundiapeba, César de Souza, Vila da Prata e Fazenda Cuiabá, na Vila Moraes.

Foram 46 ameaças de invasões contidas no período, contra 42 registradas durante todo o ano passado, pela Secretaria Municipal de Segurança Pública. Nos últimos anos, primeiro, pelo monitoramento aéreo, e depois, por uma série de ações por terra, realizadas pela Guarda Municipal e pelo Departamento de Fiscalização, a pasta tem mantido um rígido olhar aos pontos desabitados, que são alvo de ações de grupos organizados ou pessoas mal intencionadas, que oferecem os terrenos a famílias que desconhecem a situação legal dos terrenos.

Mogi das Cruzes conhece bem a extensão dos danos causados pelas ocupações antigas, em áreas de mananciais ou de risco de desmoronamento, como as encostas do Oropó, do Jardim Layr e do Rio Jundiaí. Durante anos, o Município atuou nesses pontos para a retirada e o encaminhamento de 800 famílias para os programas habitacionais.

Não se sabe exatamente porque houve esse crescimento das ocupações nesses últimos seis meses. Mas, esse é um problema urbano antigo da Cidade. No passado, entregues à própria sorte pelo governo municipal, dezenas de áreas concentradas em locais como Jundiapeba, Braz Cubas e na Divisa foram ocupadas por terceiros – muitos de má fé, mas também por famílias que desconheciam estar sendo induzidas ao erro.

As ocupações ilegais geram um alto custo social e ambiental, no caso de cidades como Mogi, onde a maior parte do território desocupado está dentro de mananciais, e para o poder público – por isso, ele precisa fiscalizar muito bem todo o território.

Sempre é importante considerar que muitas dessas famílias que juntam com dificuldades suas economias, costumavam ser enganadas nesse tipo de transação. E isso ainda ocorre nos dias de hoje.

Mogi das Cruzes sempre atraiu migrantes por ser ponto final da linha de trem e estar perto da Capital e no caminho do Litoral. Além disso, detém bons índices de qualidade de vida e de geração de emprego, o que a torna mais procurada.

Essas tentativas de invasão atestam o acerto das ações de proteção ao território mogiano e, por fim, que apesar dos avanços de programas como o Minha Casa, Minha Vida, persiste um déficit na oferta de moradia para as populações mais pobres.


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